10 de setembro de 2009
Postado por: Patoka @ Arquivado em: Entrevistas

De salto alto, colar de pérolas e tiara no cabelo, a escritora americana Meg Cabot chegou à entrevista coletiva na Bienal do Livro, nesta quinta-feira, encarnando a protagonista de sua série “O diário de princesa” (Record), best-seller adolescente que já vendeu 15 milhões de exemplares no mundo todo, 800 mil deles no Brasil. Distribuindo sorrisos, a escritora de 42 anos tirou o espelho da bolsa, arrumou o cabelo e retocou a maquiagem, fugindo das câmeras que queriam fotografá-la antes que estivesse pronta. Mas assegurou que os ares de princesa não são uma estratégia de marketing.

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— A tiara é uma brincadeira, mas eu realmente me visto assim — contou Meg, que em seu blog pediu às leitoras brasileiras dicas de como deveria se vestir no país. — Fico chateada quando os outros não se vestem bem para seus leitores. É um desrespeito. Já vi autores de pijama assinando seus livros. Clarice Lispector nunca faria isso!

Fã de Clarice, Meg disse que se tiver tempo irá à exposição de pinturas da escritora brasileira, em cartaz no Instituto Moreira Salles. Ela recomenda o livro de contos “Laços de família”.

— Clarice Lispector era muito glamourosa — disse. — Gosto das histórias das mulheres que fazem coisas do dia a dia, mas que na verdade não são exatamente sobre o cotidiano.

Autora de 66 livros, 32 deles publicados pela Record — incluindo o lançamento deste mês, o primeiro volume do mangá “Avalon High, a coroação — A profecia de Merlin” —, Meg Cabot revelou que foi rejeitada por editoras durante uma década, e que cerca de 20 delas recusaram o primeiro livro da série “O diário da princesa”. Ela contou ainda que escreveu originalmente para adultos, mas que seu agente disse que aquele era um livro para adolescentes.

— Eu fiquei chocada — contou a escritora, que terá outros quatro livros publicados no país até março do ano que vem. — Escrevo para as minhas amigas, da minha idade, e meu editor tira todos os palavrões. Acho que as garotas gostam porque é um pouco picante. Mas era muito mais quando escrevi originalmente.

Meg contou que começou a escrever “O diário de princesa” quando soube que sua mãe estava saindo com um professor seu, e achou “nojento”. Desde então, ela remexe nas histórias de seus diários de adolescente, que ainda guarda, acrescentando a tiara de princesa, os fantasmas e a internet e o celular, que não existiam nos seus relatos originais. Ela acrescenta ainda algumas das centenas de histórias que recebe de leitoras, pelo blog e pelo twitter, como a da menina cuja mãe, por ser feminista, nunca disse que ela era bonita.

— A menina me mandou uma foto, e eu disse que ela não se preocupasse, que ela era bonita. E eu também sou feminista! — brincou.




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