terça-feira, 19/11/2019
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Meg Cabot: ‘Escrevo para divertir os jovens’

Cada aparição da escritora Meg Cabot na Bienal do Livro do Rio, realizada entre os dias 10 e 20 deste mês, é um acontecimento. A histeria dos fãs – em sua maioria garotas de 14 a 19 anos – deve-se ao fato de a americana ser a autora de O Diário da Princesa, série que já vendeu 5 milhões de exemplares nos Estados Unidos e deu origem a dois filmes da Disney. No mundo, seus 50 títulos somam 15 milhões de cópias vendidas, incluindo 800.000 no Brasil. A cifra deve aumentar por aqui, com os lançamentos de Princesa para Sempre, décimo e último volume da série de sucesso, e do mangá Avalon High: A Coroação – A Profecia de Merlin, versão da autora para a lenda do rei Arthur. Na entrevista a seguir, a escritora de 42 anos explica como cria história para seus jovens leitores, confirma o apreço pela obra de Clarice Lispector (1920-1977) e revela o que pretende fazer nas horas vagas de sua estada por terras brasileiras.

A senhora declarou que sua adolescência é uma fonte de inspiração para suas histórias. Mas muita coisa mudou de lá para cá. Como fazer para se manter em sintonia com os jovens de hoje?
Realmente muitas das minhas histórias são baseadas em fatos da minha adolescência. É claro que as coisas mudaram desde então – na minha época, não havia celulares nem internet. Por isso, eu costumo conversar com os adolescentes: eu tenho amigos jovens e, no meu site, há espaço para que os leitores deixem mensagens, relatem seus problemas. Mas também não acho que as coisas mudaram tanto assim. Muitas das dificuldades que enfrentei – relacionadas a garotos, aos meus pais – ainda são atuais. O bullying, por exemplo, sempre existiu, mas agora há o cyberbullying. E a fofoca? A fofoca também sempre existiu.

Por que a senhora escolheu escrever para adolescentes?
Na verdade, eu não escolhi. O Diário da Princesa era originalmente sobre uma garota de 30 anos. Mas quando dei o livro para alguns amigos lerem, eles disseram que a história ficaria melhor se fosse sobre uma garota de 15 anos. Eles perguntaram: “Por que ela fica tão incomodada por sua mãe estar saindo com seu professor? Isso não faz nenhum sentido aos 30 anos!” (risos). Meu agente também disse que o livro seria ótimo para adolescentes. Mas eu ainda achei por muito tempo que era um livro para adultos sobre uma adolescente (risos). Aliás, aquela parte da história é autobiográfica. Minha mãe realmente saiu com um professor meu – e eu achei isso horrível (risos).

A responsabilidade é maior ao lidar com esse público?
Eu acho que as pessoas não dão muita atenção aos jovens. Mas eu dou. Acredito que são pessoas inteligentes e que, como os adultos, querem ser entretidos. Eu sempre escrevo meus livros pensando no que eu gostaria de ter lido quando era adolescente e nunca pensei em escrever de uma forma mais fácil porque meus leitores seriam crianças ou jovens. Até porque, hoje em dia, a maioria deles lida com situações adultas e sabe muito bem o que está acontecendo no mundo.

Os leitores jovens vêm impulsionando grandes sucessos editoriais. Por que isso está acontecendo agora? Eles eram desprezados pelos autores?
Quando eu era adolescente, não conseguia encontrar livros cuja leitura realmente me desse prazer. Eu achava os livros muito deprimentes. Eles tinham um caráter mais educativo do que de entretenimento, sempre traziam “avisos” aos jovens. Os meus livros não são assim. Eu escrevo para proporcionar aos meus leitores um momento de diversão.

Os críticos costumam torcer o nariz para a chick lit – livros que tratam de temas do universo feminino, como roupas e homens: dizem que é pura água com açúcar. A senhora concorda com isso?
Eu acredito que chick lit é apenas um termo para que os vendedores de livros sejam capazes de categorizar as obras como “literatura para mulheres”. Mas eu não ligo para isso! Os meus livros são para mulheres que estão tentando se encontrar e, no meio disso, deparam-se com o amor. Esse é o meu tipo favorito de história e sei que meus leitores também gostam delas.

Muitos desses romances para mulheres têm a busca do grande amor como motor. A senhora acredita que esse ideal ainda é o sonho feminino?
Eu acredito, mas acho também que isso não é realista. Primeiro, você tem que se encontrar – saber o que está fazendo neste planeta, qual vai ser o seu trabalho -, para depois encontrar seu grande amor.

A senhora já revelou que é fã da brasileira Clarice Lispector. Alguns críticos dizem que os textos dela têm uma dimensão que só pode ser compreendida por mulheres. Concorda com isso?
(Risos) Eu nunca havia pensado nisso, mas faz sentido. Coitados dos homens!

Além de trabalhar, o que mais a senhora pretende fazer em sua primeira passagem pelo Brasil?
Ir à praia!

Sobre Patoka

Fotógrafa especializada em shows, já captou com suas lentes momentos dos shows várias bandas. Essa paixão por música e fotografia a levou a abrir o CFOS. Quase infartou quando suas fotos apareceram na página oficial do Black Label Society e foram descritas como “killer shots”! Já fez produção de palco em festivais musicais e eventos, mas atualmente prefere deixar isso para os profissonais.

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