quinta-feira, 14/11/2019
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André Vianco na Bienal

Os escritores André Vianco e Luis Eduardo Matta participaram neste sábado (19) de debate no Café Literário desta 14ª edição da Bienal do Livro Rio. O tema da conversa foi “Literatura e entretenimento”.

Vianco diz que, ao escrever, seu foco é o leitor. “A minha função é deixar você de queixo caído, te levar para outro mundo. Sempre tem heróis, conquistas problemas, tudo pronto para te carregar até o final da história. Digo que meus livros são como uma montanha-russa”.

Vianco conta como começou a perceber que estava ficando mais famoso. “Os fãs agora chegam com bolinhos de livros. Um dia eu estava com a minha esposa, passando na frente do cinema no shopping, e tinha uma fila, era lançamento de ‘Piratas do Caribe’. Eu disse para ela: ‘um dia vai ter uma fila desse tamanho no lançamento de um livro meu’. Cheguei na livraria e era a fila do meu lançamento – saía da livraria e ia até o cinema.”

“Eu sempre imaginei que teria leitores, que existiria um público esperando por esse tipo de livro. Até 2000, literatura ‘de gênero’ no Brasil era só infanto-juvenil – bem mais ‘infanto’, no caso”. Para André Vianco, autor de livros de terror ambientados no Brasil, o mercado nacional para a literatura de entretenimento nunca esteve tão bom. “Hoje é mais fácil para um autor desse gênero encontrar casas editoriais que lhe dêem atenção, o que não acontecia há poucos anos”

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Apesar de o público dos gêneros mais populares estar acostumado com cenários estrangeiros – tanto na literatura quanto no cinema – Matta diz não ter problema em ambientar seus livros no Brasil. “Foi natural, eu procuro fugir um pouco dos EUA, esses países mais tradicionais. Meus livros são ambientados em vários lugares, além do Brasil eu trabalho com o Oriente Médio, por exemplo. Para escrever meu novo romance, ‘O véu’, eu pesquisei sobre o Irã, mostro um outro lado do país”.

Vianco diz que hoje a situação se inverteu. “Foi um desafio usar o Brasil como cenário, porque o leitor não estava acostumado. Agora eu recebo e-mails de pessoas falando que estão tão acostumadas com isso que dizem não conseguir ler os autores de fora”.

Ver os seus personagens nas telas de cinema é um sonho em comum para os dois escritores. “A ideia me atrai muito”, diz Matta, “e ainda estou procurando uma maneira de conseguir viabilizar isso”. Diretor de dois curtas e autor de roteiros ainda em pré-produção, Vianco viu seus livros ganharem vida de uma outra maneira – seus cenários e personagens estão sendo utilizados como tema de um evento de um parque de diversões em São Paulo.

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“Foi uma surpresa. No início de 2009 eu fui chamado pela direção do parque e eles me falaram que iriam utilizar meus livros para as noites temáticas. São sete espetáculos ao longo das noites, em brinquedos diferentes, cada um contando uma história. E puxa vida, são as minhas criaturas, 130 atores dando vida aos meus personagens. Não é fácil, é muito louco”, define Vianco.

Para ele, a nova onda midiática de obras (livros, filmes, TV) sobre vampiros, puxada pela série “Crepúsculo” é uma renovação do gênero. “No mito original, o vampiro era incorpóreo, uma assombração Foi o cinema que transformou ele em um bichão sedutor. Eu não comecei a escrever sobre vampiros por que estava na moda – eu tenho sorte de ser escritor do gênero quando isso virou moda”.

Vianco não se preocupa com as divisões acadêmicas entre literatura “séria” e de entretenimento. “Não me incomoda, acho que os leitores não pensam dessa maneira”, diz Matta. “Minha paixão é escrever. O que eu quero é viver bem a vida, ser feliz e quem quiser ler o que eu escrevo, leia”

Creditos: G1

Sobre Patoka

Fotógrafa especializada em shows, já captou com suas lentes momentos dos shows várias bandas. Essa paixão por música e fotografia a levou a abrir o CFOS. Quase infartou quando suas fotos apareceram na página oficial do Black Label Society e foram descritas como “killer shots”! Já fez produção de palco em festivais musicais e eventos, mas atualmente prefere deixar isso para os profissonais.

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