domingo, 17/11/2019
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“Literatura brasileira” vai além do puro entretenimento

PAULA DUME – Colaboração para a Livraria da Folha, da Bienal no Rio

Sob o tema “Literatura e Entretenimento”, os autores André Vianco e Luis Eduardo da Matta dividiram mesa e bate-papo no último sábado (19), às 12h, na IV Bienal do Livro do Rio de Janeiro. O Café Literário estava repleto de fãs que adoravam tramas cercadas por seres da noite que, hoje em dia, se adaptam às intempéries climáticas, como a luz solar.

O debate foi mediado pelo escritor e jornalista Felipe Pena que atentou para o relacionamento do leitor com o autor e vice-versa.Vianco e Matta explicaram como lidam e tratam seus fãs. Ambos, por exemplo, costumam responder a todos os e-mails que recebem. Só atrasam para responder quando a correria do dia a dia não dá trégua nem aos seres de suas histórias.

Vianco descreveu seu processo de escrita para apaixonar o leitor. “Arrasto uma sequência frenética de acontecimentos para deixar o leitor apaixonado pela história. É igual um carrinho na montanha-russa que você solta”, explicou. Segundo Matta, a literatura é um artefato para poucas pessoas, porém ressalta que “o povo está lendo mais”. Para tanto, o autor adaptou o termo música popular brasileira para literatura popular brasileira.

Literatura essa que, independente de mesclar elementos pop, cult, marginal, underground ou clássica, vem cada vez mais conquistando leitores, e até vampiros. “Um cara começou a enviar e-mails para mim dizendo que era vampiro e que ia me pegar se eu não parasse de contar a história dele nos meus livros. Respondi para ele ‘vem você, o Papai Noel, o saci, e todos os monstros'”, descreveu Vianco. Ele conta que, de vez em quando, entra algum “espírito mal iluminado” em seu orkut ou manda mensagens pelo Twitter, mas não os teme. “Meus leitores são meus firewall”, orgulha-se.

De sangue em tubo de ensaio a leitores que acreditam que ele seja um vampiro, um dos e-mails que marcou Vianco foi o de um menino que queria saber como poderia se transformar em vampiro para fugir de casa e parar de apanhar do pai. Vianco instruiu o garoto a procurar o Conselho Tutelar e registrar a agressão.

Autor de “Os Sete”, entre outros livros vampirescos e até de temática espiritual, Vianco faz questão de honrar os fãs e agradecê-los pela repercussão de seus exemplares. O autor já vendeu 300 mil livros no país. Recentemente recebeu a proposta de uma poeta norte-americana para ter “Os Sete”, traduzido para o inglês. Aceitou, claro.

Vianco não esperava tanto reconhecimento por parte dos leitores. Tanto que seu primeiro livro caiu nas leituras do público graças à sua persistência. Desempregado, ele chegou a vender “Os Sete” de porta em porta até que conseguiu uma editora. Hoje, já tem 12 títulos escritos e não quer saber de trocar de editora. Continuará publicando pela Novo Século, apesar de ter recebido outras propostas.

Sobre o processo de criação, Matta diz que escreve há 17 anos todo dia. Sábados, domingos e feriados é quando produz mais. Segundo ele, a criatividade vem do ócio. “Se os críticos literários soubessem a dificuldade que passamos, dariam mais valor para nosso trabalho”, desabafa. Vianco reforça. “É literatura de entretenimento, mas é literatura”. Brinca que adora um assediozinho básico à la banda pop. “O que é aquilo, é o NX Zero? Não, é o André Vianco”, satiriza.

Matta nunca sofreu assédio dos fãs. Preocupa-se muito em estar por dentro daquilo que a garotada gosta de ler. “Obrigo-me a ler “Gossip Girl” e “Crepúsculo” para ficar atualizado”, disse. Os leitores de Vianco estão na faixa dos 12 aos 60 anos de idade. O autor de “Os Sete” disse que uma de suas fontes de inspiração foi a Enciclopédia dos Mortos-Vivos. Vianco diz ter focado sua literatura no lado clássico dos vampiros, na sedução e na imortalidade. “Eu te assusto, você gosta e fica seduzido”, entrega ao público seu plano vampiresco.

Creditos: Folha Online

Sobre Patoka

Fotógrafa especializada em shows, já captou com suas lentes momentos dos shows várias bandas. Essa paixão por música e fotografia a levou a abrir o CFOS. Quase infartou quando suas fotos apareceram na página oficial do Black Label Society e foram descritas como “killer shots”! Já fez produção de palco em festivais musicais e eventos, mas atualmente prefere deixar isso para os profissonais.

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