13 de December de 2009
Postado por: Patoka @ Arquivado em: Notícias, Reviews

Por Frini Georgakopoulos
 
De algum tempo para cá, a literatura infanto-juvenil – agora rebatizada como Jovem Adulta – tem ganhado mais destaque não só na mídia, mas no gosto dos leitores. Mais filmes e seriados têm sido produzidos tendo esses livros como base. Mas o que será que faz com que esse tipo de escrita conquiste tantos leitores? Para tentar explicar, preciso exemplificar o assunto com acontecimentos datados de setembro último.
 
De um lado, meninas trajadas de rosa com tiaras de plástico na cabeça, risinhos ecoados a cada momento. Do outro, jovens de preto com livros no colo e olhos grudados nas páginas, em quase silêncio. Mas quando eles chegaram – Meg Cabot e Bernard Cornwell – o alvoroço foi o mesmo em ambas as tribos: “Eu toquei nele!”, gritou um enquanto outra se derreteu: “Ela parece uma princesa”.
 
Esse foi o clima do estande da editora Record durante a Bienal do Livro no Rio de Janeiro. A poucos metros dali, uma multidão adolescente gritava em uníssono. Mãos no ar e até lágrimas no rosto faziam qualquer um que passasse pelo estande da Intrínseca achar que era um astro do Rock. “Tudo que eu quero é uma camiseta”, soluçou uma das fãs da saga “Crepúsculo”, participante do evento realizado no local para celebrar o aniversário de Bella Swan, protagonista da saga. Sim, a personagem.
 
A Bienal passou, mas esse amor por autores e suas criações permanece forte. O que a literatura jovem adulto* tem para movimentar tanta emoção? Perguntei a algumas autoras. Embora todas as três tenham escrito sobre vampiros, aparentemente nenhuma delas credita aos caninos afiados o sucesso de seus livros na literatura Jovem Adulta.
 
“Eu acho que todas as coisas realmente divertidas no amor, como a primeira vez que a mão dele encosta de leve em você, a primeira vez que os dois se tocam, tudo isso tende a ser muito doce e maravilhoso e muitas pessoas pulam essa parte. Não sei se é isso que atrai tantos leitores. Na verdade nem faço idéia, mas acho que pode ter a ver. Acho que as pessoas se apaixonam pelo Edward porque ele é um cavalheiro antiquado e sentimos falta disso na literatura de hoje em dia”, opina Stephenie Meyer, autora da saga “Crepúsculo”, cujo segundo livro – “Lua Nova” – acaba de ser adaptado para o cinema, com estréia marcada para o próximo dia 20.
 
A saga “Crepúsculo” conta a história de como a humana Bella Swan se apaixona pelo vampiro Edward Cullen. Ele não se alimenta de sangue humano, mas acha a essência de Bella quase irresistível. Quase. E é nesse “quase” que a tensão romântica se desenvolve e cativa leitores. Que mulher não se apaixonaria por um ser que viveu um século sem notar qualquer mulher e a escolheu para ser seu par eterno? Difícil resistir.
 
Já Lisa Jane Smith – ou L J Smith – assina a coleção “Os Diários de Vampiro”, publicada no Brasil pela Galera Record. Escrita dez anos antes de “Crepúsculo”, “Diários” acaba de ganhar um seriado de TV bastante adaptado das páginas, mas que tem trazido mais sucesso para os livros, que são separados em uma quadrilogia finalizada e uma trilogia que foi iniciada este ano. Segundo Lisa, ela não busca somente o romance para seus livros, mas sim a amizade.
 
“Tenho o conceito chamado ‘Veloceraptor Sisterhood’, que é mencionado nos livros. A idéia que tento passar aos meus leitores é que mulheres devem se apoiar ao passarem por situações difíceis e que qualquer uma, ao ver outra sendo maltratada, deve ajudá-la. Se puder faze-los (leitores) se divertirem e a tratarem o próximo com mais respeito, fiz meu trabalho”, finaliza a autora, que escreveu seu primeiro romance quando ainda estava no colegial.
 
Então até agora temos romance e amizade. Será que falta algo no tempero? Perguntei à Richelle Mead, autora da saga “Vampire Academy”, tendo apenas o primeiro livro publicado no Brasil pela Nova Fronteira, intitulado “O Beijo das Sombras”. Até agora, são quatro publicados com o próximo marcado para sair nos EUA no início do ano que vem.
 
“Acho que os leitores têm se encantado com esse gênero porque ele está mais sombrio e abrange temas e dispões de estilo narrativo mais sofisticado do que antes. Na minha adolescência, tive poucas opções antes de ler livros ‘adultos’. Agora o mercado está massivo e está produzindo livros incríveis. Eles são classificados como Jovem Adultos porque os protagonistas são adolescentes, mas o conteúdo pode ser apreciado tanto por adolescentes quanto por adultos”, explica.
 
Agora, para quem acha que o que faz sucesso mesmo são vampiros e que um é plágio do outro, Mead responde:
 
“Muita gente acha que porque todas nós escrevemos sobre vampiros, que nós nos odiamos ou que competimos. Isso não é verdade. Acho que uma ajuda a outra. Quem gostou de ler ‘Crepúsculo’ vai querer ler algo do gênero e vai achar ‘Diários’ ou os meus livros ou tantos outros. Por isso o estilo ficou tão popular”, finaliza a autora, que foi pedida em casamento no dia seguinte à essa entrevista. E lá estamos de volta ao elemento romance!
 
Depois de ouvir diversas opiniões de quem escreve literatura Jovem Adulta, somei à minha de leitora e cheguei a uma conclusão da razão que leva esses autores a serem ovacionados por seus fãs: cumplicidade. Romance, amizade ou até seres sobrenaturais são elementos desse tipo de escrita, mas o que realmente conquista é a cumplicidade entre autor e leitor, como se cada um de nós – do lado de cá da página – encontrássemos nas palavras escritas o alento de quem as escreve. Para os jovens leitores, é identificação, é saber que ele não está só. Para os mais maduros, é nostalgia. E para ambos, é diversão com o coração.
 
* Bernard Cornwell não é autor de literatura jovem adulta, mas a repórter não pode se conter em mencioná-lo. Afinal, é fã.




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