24 de agosto de 2010
Postado por: Patoka @ Arquivado em: Notícias, Resenhas de Série

Livro: Senhora da Magia
Série: As Brumas de Avalon
Autora: Marion Zimmer Bradley
Editora: Imago
Páginas: 252
Resenha por: Nina Lima
Comprar: Saraiva Cultura

Neste romance, a lenda do rei Artur é contada pela primeira vez através das vidas, das visões e da percepção das mulheres que nela tiveram um papel central. Pela primeira vez, o mundo arturiano de Avalon e Camelot, com todas as suas paixões e aventuras – o mundo que, através dos séculos, cada geração recriou em incontáveis obras de ficção, poesia, drama – é revelado, como se poderia esperas, pelas suas heroínas – pela rainha Guinevere, mulher de Artur; por Igraine, mãe de Artur; por Viviane, a impressionante Senhora do Lago, Grande Sacerdotisa de Avalon; e principalmente pela irmã de Artur, Morgana, também conhecida como Morgana das Fadas, como a Fada Morgana – como feiticeira, como bruxa – e que nesta épica versão da lenda desempenha um papel crucial, tanto na coroação como na destruição de Artur. Trata-se, acima de tudo, da história de um profundo conflito entre o cristianismo e a velha religião de Avalon.

Quem nunca ouviu lendas sobre o Rei Arthur e sua Távola Redonda, que tratava seus cavaleiros como iguais, o rei justo e bondoso? É mas nem só de rosas o reino de Arthur foi composto e muito sangue, ódio e traição também foram ingredientes importantes na construção da obra de Marion Zimmer Bradley. Contado a partir da perspectiva das mulheres que rodeavam o rei, As Brumas de Avalon é uma coleção que mostra uma percepção mais sensível (e não menos brutal) da Bretanha Celta e da misteriosa Avalon e seus segredos.

Neste primeiro volume, A Senhora da Magia, conhecemos um pouco do contexto antes de Arthur e mesmo antes da bandeira do Pendragon reinar na Bretanha. Conhecemos a jovem Igraine e sua filha Morgana, e como essas duas personagens são de fundamental importância no futuro de todo um reino; há também Viviane, a Senhora do Lago, Sacerdotisa da Deusa – e irmã de Igraine, – que, com a Visão, tem uma privilegiada posição e influência sobre os demais e faz a história correr seu curso.

Durante toda a narrativa, foi possível entrar de cabeça na Bretanha Celta e sentir um pouco dos costumes daquela época, onde os casamentos eram arranjados – e não podiam ser questionados, vale lembrar, – e as mulheres não eram mais do que as senhoras de suas casas e cabides para jóias e fitas dadas pelos seus senhores. A realidade de Avalon era diferente: a Deusa só se comunicava com as mulheres, as quais tinham de ser consultadas e sua sabedoria era respeitada como sendo vindas da própria Deusa.

Um dos debates que eu acho mais interessantes durante toda a obra é questão da religião. De um lado, há os pagãos, ou seguidores da religião antiga (antes de Jesus Cristos), e há os cristãos, pregadores de um Deus único e vingativo. Quando contrapostas, é possível perceber o quão primitivos eram os ensinamentos da igreja cristã em relação aos da antiga religião (os que cultuavam a Deusa). É óbvio que não há como comparar os cultos e ritos antigos com os de hoje, pois a igreja retratada na obra é muito diferente dos cultuados hoje em dia.

Como já citado anteriormente, o papel da mulher é algo fundamental nos cultos à Deusa, e a história, seja ela de ficção ou não, costuma a falar sempre de seus heróis e nunca de heroínas (salvo Joana D’Arc, uma das poucas heroínas). E nessa coleção é possível acompanhar a construção da heroína, Morgana, nesse caso, desde pequena – em paralelo com a preparação e ascenção do Grande Rei Arthur.

As Brumas de Avalon não é uma obra recente: foi publicada entre os fim dos anos 70 e início da década de 80, mas é um clássico atemporal. E também vale lembrar que a coleção é a parte final de toda uma série, composta por Queda de Atlântida (volume I e II), e Ancestrais de Avalon (póstumo e encerrado por sua colega), Casa da Floresta, Senhora de Avalon e Sacerdotisa de Avalon. Embora não comprometam o entendimento da série, os outros livros são tão interessantes quanto, e fazem dessa aventura literária uma experiência sem igual.




9 comentários



24-8-2010 - 22:03:29

Eu tô a um tempão pra ler algo sobre esse livro, minha amiga vive falando dele.. Não despertou total interesse em mim, mas acho legal livros que envolvem Deuses e essas coisas. Vamos ver hehe


2. Kadu
24-8-2010 - 22:06:53

Será que a igreja cheia de intolerância representada em “As brumas de Avalon” é tão diferente da igreja d ehoje em dia? Acho que não.

A propósito, Brumas é o meio da saga, o fim da saga acontece só nas Lights (Heartlight, Witchlight, Gostlight e mais uma que eu esqueci), só nessa saga as almas que reencarnaram em todas essas obras conseguem se livrar do carma acumulado na queda de Atlâida.


3. Lays
24-8-2010 - 22:48:46

Adoro ‘As Brumas de Avalon’. queria achar os outros livros da saga e tals =/


4. Filipe Gonçalves
25-8-2010 - 10:43:34

Que coincidência!
Eu tô lendo e vou acabar hoje. Realmente esse livro é mto recomendado, tem uma trama envolvente e personagens interessante.
Outra dica pra quem gosta das Lendas do Rei Artur é a série Merlin. A história é bem diferente do livro, porém vale a pena.

Parabéns pela resenha.


25-8-2010 - 12:32:54

Ah, Patoka, a coleção tem mais um livro, que foi recentemente terminado pela mesma escritora que terminou o “Ancestrais de Avalon”, que é o livro “A Espada de Avalon”, contando toda a a lenda da Excalibur e tudo mais. Deve ser tem interessante tambem.


6. Patricia
25-8-2010 - 13:50:00

Muito bom…li há algum tempo já…recomendo!!!!


11-2-2012 - 20:41:14

Eu li esse livro a alguns anos, não sei se eu era muito jovem mas a narrativa não me conquistou. Claro a ideia de ser retratar as mulheres como personagens principais foi bem interessante, mas só isso não foi o suficiente para me chamar a atenção, a falta de personagens realmente simpáticos foi um fator. Mas enfim é só a minha opinião.


13-1-2013 - 15:21:38

Minha mãe leu esse livro há vários anos, e ela fica me falando de como ele é legal e que eu devia ler… Acho que vou tentar *_*


9. dede
24-8-2015 - 17:10:31

voce dorme mais nao entendi/


Deixe um comentário

Os campos marcados com * são obrigatórios.





Comentário *