quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “As Brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley

Livro: Senhora da Magia
Série: As Brumas de Avalon
Autora: Marion Zimmer Bradley
Editora: Imago
Páginas: 252
Resenha por: Nina Lima
Comprar: Saraiva Cultura

Neste romance, a lenda do rei Artur é contada pela primeira vez através das vidas, das visões e da percepção das mulheres que nela tiveram um papel central. Pela primeira vez, o mundo arturiano de Avalon e Camelot, com todas as suas paixões e aventuras – o mundo que, através dos séculos, cada geração recriou em incontáveis obras de ficção, poesia, drama – é revelado, como se poderia esperas, pelas suas heroínas – pela rainha Guinevere, mulher de Artur; por Igraine, mãe de Artur; por Viviane, a impressionante Senhora do Lago, Grande Sacerdotisa de Avalon; e principalmente pela irmã de Artur, Morgana, também conhecida como Morgana das Fadas, como a Fada Morgana – como feiticeira, como bruxa – e que nesta épica versão da lenda desempenha um papel crucial, tanto na coroação como na destruição de Artur. Trata-se, acima de tudo, da história de um profundo conflito entre o cristianismo e a velha religião de Avalon.

Quem nunca ouviu lendas sobre o Rei Arthur e sua Távola Redonda, que tratava seus cavaleiros como iguais, o rei justo e bondoso? É mas nem só de rosas o reino de Arthur foi composto e muito sangue, ódio e traição também foram ingredientes importantes na construção da obra de Marion Zimmer Bradley. Contado a partir da perspectiva das mulheres que rodeavam o rei, As Brumas de Avalon é uma coleção que mostra uma percepção mais sensível (e não menos brutal) da Bretanha Celta e da misteriosa Avalon e seus segredos.

Neste primeiro volume, A Senhora da Magia, conhecemos um pouco do contexto antes de Arthur e mesmo antes da bandeira do Pendragon reinar na Bretanha. Conhecemos a jovem Igraine e sua filha Morgana, e como essas duas personagens são de fundamental importância no futuro de todo um reino; há também Viviane, a Senhora do Lago, Sacerdotisa da Deusa – e irmã de Igraine, – que, com a Visão, tem uma privilegiada posição e influência sobre os demais e faz a história correr seu curso.

Durante toda a narrativa, foi possível entrar de cabeça na Bretanha Celta e sentir um pouco dos costumes daquela época, onde os casamentos eram arranjados – e não podiam ser questionados, vale lembrar, – e as mulheres não eram mais do que as senhoras de suas casas e cabides para jóias e fitas dadas pelos seus senhores. A realidade de Avalon era diferente: a Deusa só se comunicava com as mulheres, as quais tinham de ser consultadas e sua sabedoria era respeitada como sendo vindas da própria Deusa.

Um dos debates que eu acho mais interessantes durante toda a obra é questão da religião. De um lado, há os pagãos, ou seguidores da religião antiga (antes de Jesus Cristos), e há os cristãos, pregadores de um Deus único e vingativo. Quando contrapostas, é possível perceber o quão primitivos eram os ensinamentos da igreja cristã em relação aos da antiga religião (os que cultuavam a Deusa). É óbvio que não há como comparar os cultos e ritos antigos com os de hoje, pois a igreja retratada na obra é muito diferente dos cultuados hoje em dia.

Como já citado anteriormente, o papel da mulher é algo fundamental nos cultos à Deusa, e a história, seja ela de ficção ou não, costuma a falar sempre de seus heróis e nunca de heroínas (salvo Joana D’Arc, uma das poucas heroínas). E nessa coleção é possível acompanhar a construção da heroína, Morgana, nesse caso, desde pequena – em paralelo com a preparação e ascenção do Grande Rei Arthur.

As Brumas de Avalon não é uma obra recente: foi publicada entre os fim dos anos 70 e início da década de 80, mas é um clássico atemporal. E também vale lembrar que a coleção é a parte final de toda uma série, composta por Queda de Atlântida (volume I e II), e Ancestrais de Avalon (póstumo e encerrado por sua colega), Casa da Floresta, Senhora de Avalon e Sacerdotisa de Avalon. Embora não comprometam o entendimento da série, os outros livros são tão interessantes quanto, e fazem dessa aventura literária uma experiência sem igual.

Sobre Patoka

Fotógrafa especializada em shows, já captou com suas lentes momentos dos shows várias bandas. Essa paixão por música e fotografia a levou a abrir o CFOS. Quase infartou quando suas fotos apareceram na página oficial do Black Label Society e foram descritas como “killer shots”! Já fez produção de palco em festivais musicais e eventos, mas atualmente prefere deixar isso para os profissonais.

9 comentários

  1. Eu tô a um tempão pra ler algo sobre esse livro, minha amiga vive falando dele.. Não despertou total interesse em mim, mas acho legal livros que envolvem Deuses e essas coisas. Vamos ver hehe

  2. Será que a igreja cheia de intolerância representada em “As brumas de Avalon” é tão diferente da igreja d ehoje em dia? Acho que não.

    A propósito, Brumas é o meio da saga, o fim da saga acontece só nas Lights (Heartlight, Witchlight, Gostlight e mais uma que eu esqueci), só nessa saga as almas que reencarnaram em todas essas obras conseguem se livrar do carma acumulado na queda de Atlâida.

  3. Adoro ‘As Brumas de Avalon’. queria achar os outros livros da saga e tals =/

  4. Filipe Gonçalves

    Que coincidência!
    Eu tô lendo e vou acabar hoje. Realmente esse livro é mto recomendado, tem uma trama envolvente e personagens interessante.
    Outra dica pra quem gosta das Lendas do Rei Artur é a série Merlin. A história é bem diferente do livro, porém vale a pena.

    Parabéns pela resenha.

  5. Ah, Patoka, a coleção tem mais um livro, que foi recentemente terminado pela mesma escritora que terminou o “Ancestrais de Avalon”, que é o livro “A Espada de Avalon”, contando toda a a lenda da Excalibur e tudo mais. Deve ser tem interessante tambem.

  6. Muito bom…li há algum tempo já…recomendo!!!!

  7. Eu li esse livro a alguns anos, não sei se eu era muito jovem mas a narrativa não me conquistou. Claro a ideia de ser retratar as mulheres como personagens principais foi bem interessante, mas só isso não foi o suficiente para me chamar a atenção, a falta de personagens realmente simpáticos foi um fator. Mas enfim é só a minha opinião.

  8. Minha mãe leu esse livro há vários anos, e ela fica me falando de como ele é legal e que eu devia ler… Acho que vou tentar *_*

  9. voce dorme mais nao entendi/

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