segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “Corações de Neve”, de Raphael Draccon

Livro: Corações de Neve
Série: Dragões de Éter
Autor: Raphael Draccon
Páginas: 494
Editora: Leya
Resenha por: Lili
Comprar: Saraiva Cultura Submarino E-book

Sinopse:
Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltaram contra as antigas raças. E assim nasceu a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, tem um novo rei, e a esperada Era Nova se inicia. Entretanto, coisas estranhas continuam a acontecer. Uma adolescente desenvolve uma iniciação mística proibida, despertando dons extraordinários que tocam nos dois lados da vida. Dois irmãos descobrem uma ligação de família com antigos laços de magia negra, que lhes são cobrados. Este é o segundo romance da trilogia, escrito por Raphael Draccon. O promissor roteirista e escritor já teve seu trabalho elogiado por produtores de Hollywood.

Raphael Draccon já havia me surpreendido com Caçadores de Bruxas (leia a resenha aqui ), o primeiro livro da série. Contos de fadas remodelados e entrelaçados, aventuras, romance, num estilo próprio e inovador, coberto de filosofia e reflexão. Corações de Neve continua sendo tudo isso. Dá sequência à saga dos seus personagens com segurança, mantém a proposta de misturar referências clássicas e pops no enredo.

O que Corações de Neve faz é elevar esses elementos ao patamar superior. Desprendido da tarefa de apresentar personagens e suas histórias ao leitor, a narrativa assume um ritmo envolvente e fluído, conduzindo a história muito bem, com momentos e velocidades distintas. Há situações em que é impossível deixar o livro, em que a aventura toma conta das páginas e você está lá, de coração apertado e unhas roídas. Outras são tensas e delicadas, envolvidas em amarras complicadas e um tanto obscuras. Algumas páginas são puro encanto, puro sonho, com as quais é impossível não se identificar e encontrar alguma ligação com a sua própria história.

Esse é o triunfo do autor: transformar as páginas em uma espécie de espelho. Por mais fantasiosos que os cenários sejam, por mais improváveis – para o nosso mundo – que sejam as situações, sempre há uma ligação direta com o algo da memória, do coração, dos sonhos de quem lê. As vivências narradas na obra são diferentes, mas os sentimentos expressos são absolutamente humanos: o orgulho, o medo, a honra, o desprendimento, a dor, a coragem, e, sempre ele, o amor. Você lê e algo na sua consciência estabelece uma conexão com a sua própria vida, te impedindo de continuar distante ou indiferente. E os personagens crescem (nos diversos sentidos que essa palavra pode assumir), e você também.

O estilo de Draccon é refinado neste segundo livro. O desenvolvimento das frases, a maneira como ele coloca-se nas palavras são sensivelmente aperfeiçoados nesta obra. Não que Caçadores de Bruxas não seja bem escrito, mas Corações é inegavelmente melhor. Mantendo sua postura de contador de histórias, o narrador apura sua técnica, interferindo menos na história, deixando mais pistas para o leitor construir sozinho certos aspectos.

Diretamente ligado ao cinema, as histórias são contadas paralelamente, “cortadas” inúmeras vezes (o que pode incomodar os mais impacientes). Generalizando, pode-se dizer que cada capítulo é dedicado para um núcleo da narrativa, e, para saber como um acontecimento se desenrola, é preciso voltar os olhos para outro e outro antes de retornar para aquele. Não é fácil de acompanhar no princípio, mas vale o esforço. De forma inteligente, as diferentes vidas vão aproximando-se ao longo da trama, provando a influência que todos exercem uns sobre os outros, sendo você rei ou ladrão.

Corações de Neve é um livro envolvente e abrangente. Não há como simplesmente dizer sobre o que se trata… São coisas demais. Não é possível dizer se é uma aventura, uma obra de fantasia, um romance ou uma alegoria filosófica. Corações é tudo isso. Assim como a vida…

Bom, talvez esse seja o grande o tema.

Sobre Patoka

Fotógrafa especializada em shows, já captou com suas lentes momentos dos shows várias bandas. Essa paixão por música e fotografia a levou a abrir o CFOS. Quase infartou quando suas fotos apareceram na página oficial do Black Label Society e foram descritas como “killer shots”! Já fez produção de palco em festivais musicais e eventos, mas atualmente prefere deixar isso para os profissonais.

4 comentários

  1. Virei seguidor deste blog e estou contente por isso. Espero pelas resenhas tanto quanto pelos vídeos. Não fico um dia sem aparecer por aqui, fazem alguns meses e desculpem se nunca comentei, mas sou meio disperso. Amo as dicas e levo à sério as opiniões de vocês, principalmente porque existem opiniões aqui para todos os gostos. Comecei a ler Dragões de Éter influenciado por este blog e estou feliz por isso, hoje sou fanático pela série, estou lendo “Corações de Gelo” e estou encantadíssimo, o livro é ótimo, melhor que o primeiro, Draccon é um dos melhores escritores do gênero, e orgulho nosso pro ser Brasileiro. Todo homem precisa de magia, a vida é muito seca e cruel, mas viver em Dragões de Éter é muito gostoso. Procurarei comentar mais vezes aqui, e quero agredecer à todas vocês do blog, acho que já comprei uns 7 livros que vi por aqui, e nunca me arrependo. Garotas, o mundo precisa de mais garotas como vocês que sabem o prazer que é um bom livro, ainda mais esperar pela saída de um bom livro. Abraços.

  2. Adorei a resenha.
    Eu simplesmente ameeeeei o primeiro, “Caçadores de Bruxas”, mas, parece que este promete ainda mais. Me deixou com mais vontade de ler ainda. E olha que eu tenho uma pilha enooorme de livros na frente. Vai ser dificil me segurar, ainda mais depois dessa ótima resenha sua. Parabens, você escreve muito bem.

  3. A resenha é boa, mas na minha opnião esse livro é tão “sem sal’ quanto o primeiro, o que falam sobre as referências do autor em relação aos contos de fada me parecem artificiais, apenas inseridas na história para encher capítulos, não sei se ele pretendia inserir-los da mesma forma que C. S. Lewis fez em As crônicas de Nárnia, onde os contos estruturam e interagem com a história. A forma como o autor descreve os fatos e narra a história não me agradou, mas isso é a minha opnião. Pelo menos a capa do livro é bonita. Parabéns pelo site.

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