Nunca li nada sobre zumbis, nem assisti à filmes ou seriados sobre o assunto também. Creio que meu maior contato com mortos-vivos na cultura pop foi no videoclipe de “Thriller” do Michael Jackson. As únicas coisas que eu sabia antes de começar a ler o livro é que o único jeito de se matar um zumbi é atirando em seus miolos. Confesso que estava um pouco apreensiva antes de iniciar a leitura, pois não tinha ideia do que ia ser apresentado na narrativa, mas a capa do livro e a seguinte frase “O que você faria se, um belo dia, ao acordar, descobrisse que a humanidade está caindo aos pedaços?” na 4ª capa, me chamaram muito a atenção. A diagramação foi toda feita em formato de diário – tanto virtual (blog), como físico (diário mesmo) – e não temos a habitual separação por capítulos, mas sim por dia e hora, o que cai muito bem no formato da narrativa e ajuda o leitor a seguir a linha temporal do enredo. Seguindo a ideia de ser diário/blog, a escrita é muito pessoal, como um sincero relato, com o ponto de vista do personagem principal. Somos guiados somente por suas observações do mundo, que, ainda bem, são bem amplas e inteligentes. As poucas coisas que descobrimos sobre o narrador/personagem principal é que ele é viúvo, mora sozinho com seu gato Lúculo em uma cidade espanhola chamada Pontevedra – a cidade natal do próprio autor – e trabalha como advogado. Após perder a mulher, um psicólogo indica que ele comece a escrever sobre o que sente, um tipo de “válvula de escape”. Ele então começa a regidir em um blog e nele relata frivolidades do seu dia a dia e também começa a relatar estranhos acontecimentos na área do Cáucaso – uma região da Europa oriental e da Ásia ocidental – sempre acompanhando o caso pela TV e pelo rádio e, aos poucos, vai dando a sua opinião sobre o assunto. O emprego dos nomes de canais que realmente existem e fatos político-militares reais entre os países envolvidos trazem uma carga mais realista ainda pra o relato, levando-nos a crer que realmente estamos lendo um blog real e que o mundo está realmente passando por tudo aquilo. Pouco a pouco a situação vai se tornando cada vez mais alarmante, países declarando lei marcial – o sistema de leis que tem efeito quando uma autoridade militar toma o controle da administração do Estado – , estado de sítio e/ou exceção – grave ameaça à ordem constitucional democrática ou calamidade pública -, ou seja, aos poucos o mundo inteiro está imerso no mais completo caos. Ilhado em sua prória casa com seu fiel gato, racionando energia elétrica e comida, o personagem principal se encontra sozinho em sua rua – que foi completamente abandonada pois as pessoas seguiram para os pontos seguros, seguindo a ordem das autoridades – apenas com a companhia de um vizinho, ele narra com terror sua visão dos seres “não mortos” – como os zumbis são chamados com recorrência na obra – infestando a sua rua, cercando a sua casa. Com o passar do tempo ele percebe que precisa sair de casa e procurar refúgio com outros humanos, e acompanhamos então o trajeto aventureiro e perigoso da personagem, em sua interminável busca pela paz. O livro é cheio de ação, revira-voltas, angústia e terror. Alguns trechos chegam a ser aterrorizantes, com descrições detalhadas dos “não mortos” e seus ‘machucados’ – tripas à mostra, mutilações, sangue por toda a parte – acompanhadas das descrições dos cheiros pútridos e fétidos que chegam a nausear o leitor só de imaginar os cenários descritos. Todos esses elementos ajudam muito na hora de situar o leitor e imaginar a magnitude do caos em que se encontra o personagem. Uma das partes mais longas do livro, o clímax do enredo, se passa dentro de um hospital, e a incrível escrita do autor me passou um enorme sentimento de desamparo e desespero sem fim – com certeza é uma das minhas partes preferidas de todo o livro. A narrativa mantem um mesmo ritmo do começo ao fim, sem grandes oscilações. Um fato muito curioso é que em nenhum momento no livro é mencionada a palavra “zumbi”, o autor preferindo usar o título de “não-mortos” ou ainda “essas coisas” e “não humanos”. Outro ponto que me agradou muito foi o desfecho. Ao longo da leitura não conseguia imaginar um final digno para a história toda e estava com muito medo de tudo acabar de uma forma ruim ou mal explicada, pois seria um despropósito com a ideia e qualidade do enredo. Porém o autor deu um final digno para o romance com um enorme gancho para uma continuação que já foi lançada na Espanha e tem o título de “Los Días Oscuros” (Os dias obscuros/sombrios, em tradução livre). O segundo livro deve sair aqui no Brasil pela Editora Planeta em Maio desse ano. |
Hum, fiquei curiosa agora…
[...] Esse é o segundo livro da série Apocalipse Z, que gira em torno do tema zumbis. Gostei muito do primeiro livro e o segundo não deixou a desejar, tão bom quanto o primeiro! #07 Infinito, de Alyson Noël. O [...]
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Ahhhh Bruninha, fiquei super curiosa para ler este livro!!!
Não sou super fã de zumbis, mas qq livros que é bem escrito vale a pena ler!
Bjins Bruna!