segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “O princípio do fim”, de Manel Loureiro

Livro: O Princípio do Fim
Série: Apocalipse Z
Autor (a): Manel Loureiro
Páginas: 368
Editora: Planeta
Resenha por: Bruna
Comprar: Saraiva Cultura Submarino

Em uma pequena cidade espanhola, um jovem advogado leva uma vida tranquila e rotineira. Um dia, porém, começa a ouvir notícias sobre um incidente médico ocorrido em um país remoto do Cáucaso. Apesar de aparentemente corriqueiras, as notícias chamam tanto sua atenção que ele resolve registrar suas impressões em um blog. Aos poucos, que eram apenas incomuns ocorridos em um país distante começam a se espalhar por toda a Europa.

Em menos tempo do que poderia supor, o terror se instala. Ruas, bairros e cidades inteiras são tomados por criaturas com um comportamento assustador. Sem nunca ter visto nada parecido, ele mal se dá conta de que, enquanto acompanha o desenrolar dos fatos de sua casa, a cidade onde mora também está sendo invadida por aquelas bizarras criaturas.

Isolado, apenas com seu gato Lúculo e um vizinho, só lhe resta criar uma estratégia de fuga até conseguir encontrar outros sobreviventes. Entretanto, ao tentar escapar, ele logo descobrirá que a guerra está apenas começando.

Nunca li nada sobre zumbis, nem assisti à filmes ou seriados sobre o assunto também. Creio que meu maior contato com mortos-vivos na cultura pop foi no videoclipe de “Thriller” do Michael Jackson. As únicas coisas que eu sabia antes de começar a ler o livro é que o único jeito de se matar um zumbi é atirando em seus miolos.

Confesso que estava um pouco apreensiva antes de iniciar a leitura, pois não tinha ideia do que ia ser apresentado na narrativa, mas a capa do livro e a seguinte frase “O que você faria se, um belo dia, ao acordar, descobrisse que a humanidade está caindo aos pedaços?” na 4ª capa, me chamaram muito a atenção. A diagramação foi toda feita em formato de diário – tanto virtual (blog), como físico (diário mesmo) – e não temos a habitual separação por capítulos, mas sim por dia e hora, o que cai muito bem no formato da narrativa e ajuda o leitor a seguir a linha temporal do enredo. Seguindo a ideia de ser diário/blog, a escrita é muito pessoal, como um sincero relato, com o ponto de vista do personagem principal. Somos guiados somente por suas observações do mundo, que, ainda bem, são bem amplas e inteligentes.

As poucas coisas que descobrimos sobre o narrador/personagem principal é que ele é viúvo, mora sozinho com seu gato Lúculo em uma cidade espanhola chamada Pontevedra – a cidade natal do próprio autor – e trabalha como advogado. Após perder a mulher, um psicólogo indica que ele comece a escrever sobre o que sente, um tipo de “válvula de escape”. Ele então começa a regidir em um blog e nele relata frivolidades do seu dia a dia e também começa a relatar estranhos acontecimentos na área do Cáucaso – uma região da Europa oriental e da Ásia ocidental – sempre acompanhando o caso pela TV e pelo rádio e, aos poucos, vai dando a sua opinião sobre o assunto. O emprego dos nomes de canais que realmente existem e fatos político-militares reais entre os países envolvidos trazem uma carga mais realista ainda pra o relato, levando-nos a crer que realmente estamos lendo um blog real e que o mundo está realmente passando por tudo aquilo.

Pouco a pouco a situação vai se tornando cada vez mais alarmante, países declarando lei marcial – o sistema de leis que tem efeito quando uma autoridade militar toma o controle da administração do Estado – , estado de sítio e/ou exceção – grave ameaça à ordem constitucional democrática ou calamidade pública -, ou seja, aos poucos o mundo inteiro está imerso no mais completo caos. Ilhado em sua prória casa com seu fiel gato, racionando energia elétrica e comida, o personagem principal se encontra sozinho em sua rua – que foi completamente abandonada pois as pessoas seguiram para os pontos seguros, seguindo a ordem das autoridades – apenas com a companhia de um vizinho, ele narra com terror sua visão dos seres “não mortos” – como os zumbis são chamados com recorrência na obra – infestando a sua rua, cercando a sua casa. Com o passar do tempo ele percebe que precisa sair de casa e procurar refúgio com outros humanos, e acompanhamos então o trajeto aventureiro e perigoso da personagem, em sua interminável busca pela paz.

O livro é cheio de ação, revira-voltas, angústia e terror. Alguns trechos chegam a ser aterrorizantes, com descrições detalhadas dos “não mortos” e seus ‘machucados’ – tripas à mostra, mutilações, sangue por toda a parte – acompanhadas das descrições dos cheiros pútridos e fétidos que chegam a nausear o leitor só de imaginar os cenários descritos. Todos esses elementos ajudam muito na hora de situar o leitor e imaginar a magnitude do caos em que se encontra o personagem. Uma das partes mais longas do livro, o clímax do enredo, se passa dentro de um hospital, e a incrível escrita do autor me passou um enorme sentimento de desamparo e desespero sem fim – com certeza é uma das minhas partes preferidas de todo o livro. A narrativa mantem um mesmo ritmo do começo ao fim, sem grandes oscilações. Um fato muito curioso é que em nenhum momento no livro é mencionada a palavra “zumbi”, o autor preferindo usar o título de “não-mortos” ou ainda “essas coisas” e “não humanos”.

Outro ponto que me agradou muito foi o desfecho. Ao longo da leitura não conseguia imaginar um final digno para a história toda e estava com muito medo de tudo acabar de uma forma ruim ou mal explicada, pois seria um despropósito com a ideia e qualidade do enredo. Porém o autor deu um final digno para o romance com um enorme gancho para uma continuação que já foi lançada na Espanha e tem o título de “Los Días Oscuros” (Os dias obscuros/sombrios, em tradução livre).

O segundo livro deve sair aqui no Brasil pela Editora Planeta em Maio desse ano.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

5 comentários

  1. Ahhhh Bruninha, fiquei super curiosa para ler este livro!!!
    Não sou super fã de zumbis, mas qq livros que é bem escrito vale a pena ler!
    Bjins Bruna!

  2. Hum, fiquei curiosa agora…

  3. O legal e que se eu não me engano antes de virar um livro, o autor tinha postado esse conteúdo em um blog, e como fez muito sucesso virou um livro. Estou com muita vontade de ler!

  4. Eu adoro zumbis e sou louca pra ler esse livro há um tempão. >.<

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