A estranheza que Amberville causa em suas páginas iniciais logo se dissipa ao longo do enredo que se desenvolve – afinal, o quão comum é adotar bichos de pelúcia como protagonistas de um romance quase policial? “O paradigma clássico é o quão maligna pode ser uma intenção maligna que leva a uma boa ação. Podemos nos perguntar o quão bondosa é uma boa intenção que acaba trazendo uma consequência maligna”. Esse curto trecho é um dos que melhor sintetiza o livro, que apresenta inúmeros capítulos voltados para uma reflexão mais séria, por vezes existencial, num tom tenso mas de forma alguma pesado; a chave do livro encontra-se não em tentar forçar uma mistura de diversos estilos – o suspense, a filosofia, o realismo, a fábula – mas sim em provar que tais variedades possuem um ponto em comum perfeitamente admissível. A incansável luta do bem contra o mal, que fascina os escritores desde que o mundo é mundo, assume um caráter de puro relativismo em Amberville. Numa cidade em que tudo depende do ponto de vista, fica fácil de entender por que o autor (sob o pseudônimo de Tim Davys) faz questão de ter seus heróis (ou anti-heróis, dependendo da situação em que se encontram) como bichos de pelúcia: estes, feitos por nós justamente como objetos de brinquedo, de manipulação, de puro capricho – personificam a metáfora perfeita para a ideia que se propõe: é impossível viver exclusivamente para o bem, assim como é impossível controlar os bons resultados que eventualmente surjam de ações voltadas para o mal. Eles, tão reais e humanos como nós, representam uma crítica contundente aos ideais inalcançáveis, aos subornos, à violência, ao descaso. Mas, sobretudo, temos aqui um romance divertido, objetivo, que não se demora em longas descrições e prefere abordar diretamente as situações de enredo. Estruturado na forma de capítulos alternados, as nuances e surpresas do livro são reveladas aos poucos. Temos trechos confessionais, de narrador onisciente, de desabafo, e até mesmo um momento de puro experimentalismo linguístico, que pretende apresentar o desespero de um dos personagens. Longe de ser um livro infantil, ou até infanto-juvenil, o romance peca, entretanto, num ponto: a pressa em dar um desfecho para o livro, que é desenvolvido no todo num ritmo rápido porém constante. Tem-se a impressão de que o autor precisou encaixar, num espaço de vinte páginas, um fim à altura das páginas que o precederam. Não é um término ruim – aliás, é de se ressaltar que quem ler desatentamente ao livro, provavelmente não entenderá a resposta final para os enigmas – mas poderia ter sido melhor explorado. Em termos finais, Amberville dirige-se àqueles que procuram uma leitura leve, mas nem por isso uma leitura esquecível ou necessariamente fácil. É uma obra que sabe como prender a atenção – que por si só já é um grande mérito – mas além disso, apresenta, por trás da aparente superficialidade de romance noir, uma crítica digna de leitura. |
caramba…. adorei a resenha… espero ler logo logo….
adorei o blog tbm…. como faço para me tornar parceiro, pois a área não está abrindo…
pus um link de vocês no meu blog…
xau! Abraços!
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uahuahauhauhaua é muito mais engraçado do que você falou ontem!! Ahhh preciso ler esse livro, como assim bichinhos de pelúcia?? Não consigo acreditar!!!