segunda-feira, 18/12/2017
Últimas do LeS:
Capa » Notícias » Resenha: “O Domínio – O Início do Fim”, de Steve Alten

Resenha: “O Domínio – O Início do Fim”, de Steve Alten

Livro: O Domínio – O Início do Fim
Série: O Domínio
Autor (a): Steve Alten
Páginas: 424
Editora: Suma de Letras
Resenha por: Bruna
Comprar: Saraiva Cultura Submarino E-book

Por 32 anos, o arqueólogo Julius Gabriel estudou a fundo o calendário maia, um enigma místico que prevê uma data precisa para o fim do mundo: 21 de dezembro de 2012. Ele acredita que ainda há tempo para reverter a previsão do Apocalipse. Para isso, é preciso entender qual é a sua razão de ser, a partir de peças-chaves espalhadas pelo mundo, misteriosas e imponentes:

A Grande Pirâmide de Gizé, no Egito.
O monolito de Stonehenge, na Inglaterra.
Os gigantescos desenhos nas encostas de Nazca, no Peru.
O temple de Angkor Wat, no Camboja.
As pirâmidess do Sol, em Teotihuacán, e de Kukulcán, em Chichén Itzá, no México.

Perseguido e ridicularizado, Julius morre antes de conseguir seu intuito. E somente seu filho, Michael, que está internado numa instituição psiquiátrica, poderá impedir a aniquilação da raça humana.

Desde o lançamento desse livro eu fiquei extremamente curiosa para lê-lo, logo após correr os olhos pela simples sinopse postada acima. O que me chamou atenção – e ajudou a criar uma certa expectativa – foi que apesar de se tratar um livro de ficção, temos a sensação de que grandes mistérios da raça humana serão adereçados no livro, fora o grande e polêmico mistério envolvendo a data do fatídico “final do mundo”.

O livro começa de maneira inusitada com uma transcrição do diário de Julius Gabriel. Nessa entrada que é apresentada ao leitor, Julius fala sobre o futuro da espécia humana, falando sobre as escavações com suas famílias e das descobertas que fizeram juntos. Ao longo de toda a obra nos deparamos com fragmentos do diário e é bem interessante ler os pensamentos mais pessoais da personagem e muitas vezes ter alguns segredos e/ou mistérios revelados pela escrita dele. As entradas do diário acrescentam muito à narrativa e evoluem juntamente com a história, explicando alguns pontos que podem ser desconhecidos pelo leitor e também com algumas imagens e ilustrações. Ponto pro autor!

O Domínio é divido em partes, ora temos as entradas do diário de Julius, ora acompanhamos seu filho, Mick, em sua estadia em uma espécie de sanatório em Miami e sua nova residente, Dominique Vasquez. Em outros momentos acompanhamos o cenário político dos EUA diretamente da Casa Branca. Essas mudanças de ambientes podem ser um tanto quanto confusas no início, mas a história acaba se entrelaçando.

Mick é um personagem extremamente carismático. É impossível ler seus “bate-papos” com Dominique e não ficar dividida como a própria personagem fica no livro, sem saber no que acreditar, pois as explicações apocalípticas de Mick parecem surreais ao extremo, entretanto Mick fala com tanta certeza, conhece tão bem o assunto e sabe as perguntas – e algumas respostas – certas a serem feitas nos momentos em que elas mais surtem efeito. Fica realmente difícil não acreditar no que ele afirma, ainda mais depois de ler o diário do pai dele e perceber as conspirações que ocorrem à sua volta.

Já Dominique não é uma personagem que se destaca tanto. É inteligente, feminina e sagaz – como outras tantas mocinhas. A impressão que me passou foi a de que somente está ali para servir de apoio para a personagem de Mick e ajudá-lo em sua jornada. Nenhuma outra característica me marcou a ponto da personagem se destacar mais no enredo, apesar de todo a carga de drama pessoal que ela carrega e do enorme gancho que fica no final da história – no qual ela está intensamente envolvida.

O enredo da história é instigante, mas não me convenceu totalmente. Existem muitas partes em que especificações mais técnicas são dadas e somente uma pessoa com grande conhecimento em Física, Astronomia, Química e Matemática conseguem entender, material digno de conversa entre cientistas da Nasa. Isso não compromete a leitura, mas acaba desacelerando um pouco o ritmo do enredo. Em algumas partes achei a história muito forçada e surreal, mesmo pra um livro de ficção. Apesar da abordagem do livro ser sobre os maias e a “previsão” do final do mundo em 2012, na verdade, caímos sobre a boa, porém batida temática do Bem contra o Mal, da Luz contra as Trevas – sempre permeadas de elementos religiosos. Terminei a leitura com a sensação de que alguma coisa estava faltando.

As partes mais interessante do livro todo para mim foram as indagações de como povos antigos conseguiram construir monumentos tão colossais e alinhados entre si e com as constelações, mapas de como era nosso planeta em outras eras, tudo o que remete ao passado do planeta Terra. Outro ponto realmente interessante e muito bem abordado pelo autor é a corrida nuclear dos países e como isso pode levar nosso mundo à sua própria ruína. Intrigas – na maioria das vezes bobas – entre países podem levar milhares de pessoas a morte por um simples ataque equivocado. Pra quem gosta da cultura maia, o livro é um prato cheio de referências, explicações e lendas desse povo.

Por ter criado uma expectativa em torno do livro, acabei me decepcionando um pouco. Creio que a melhor dica a dar aos interessados pelo livro é: encarem o livro como uma fonte repleta de informações sobre as previsões maias sobre o 4 Ahau 3 Kankin, o dia previsto para o final do Grande Ciclio que terminará com a destruição da humanidade. Não criem grandes expectativas e lembrem-se que acima de tudo, esse é um livro de ficção.

Apesar do gancho deixado ao final do livro para a sua continuação, entitulada Resurrection que já saiu lá fora, não consigo imaginar uma história melhor ou mais verossímil do que essa. Espero que o autor nos surpreenda na continuação.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

9 comentários

  1. Brian Vinicius

    Simplismente amo esse tipo de literatura… Já entrou para minha lista!!!

    Parabéns Bruna e obrigado pela resenha.

    Beijo Patoka e cia.

  2. Oi Bruna, eu traduzi esse livro para a editora Objetiva. Concordo com tudo o que você disse no seu texto. Na minha opinião, o principal fato que dá essa sensação de que “algo está faltando” é o livro ter sido publicado originalmente no início de 2001 (portanto antes do 11 de Setembro, ou seja, poderíamos dizer que é um livro do século passado, rsrs), data mais distante do fatídico dia 21/12/2012, o que permitiu ao autor “viajar na maionese” mais do que se o livro fosse mais recente. Isso causou muitas das incongruências da trama, como os EUA estarem preocupados com a Rússia e a China como possíveis inimigos, e um vice-presidente americano negro ser motivo de espanto. Tanta coisa mudou de lá pra cá…

    Um beijo e parabéns pela crítica.

  3. Em tempo: estou lendo a continuação, Resurrection, e por enquanto estou achando mais interessante do que o primeiro livro. Mas ainda estou no começo… :-)

  4. Oi Michele! Poxa, fiquei super feliz com o seu comentário aqui no blog! =)

    Realmente acho que foi isso mesmo, pelo fato do livro ser “velho” (ele já tem 10 anos!) o pano de fundo ficou ultrapassado e deixou a desejar mesmo. O autor não pensou em fazer uma coisa mais atemporal e acabou ficando sem noção mesmo…

    Muito bom saber que a continuação é boa! \o/ Conta depois o que você achou ;)

    Beijos e obrigada pelos comentários!

  5. Oi Bruna… obrigado pela resposta!

    Terminei de ler Resurrection. Realmente, se se pode dizer algo de bom sobre esse autor, é que ele não tem medo de levar suas histórias bem pra longe. Se ele já “viajou” no primeiro livro, neste ele foi mais fundo, mostrando em detalhes um futuro próximo cheio de bizarrices. Ele aproveitou este segundo volume, publicado em 2004, pra “atualizar” a saga, que parecia datada, conforme comentamos – este é muito mais um livro de ficção científica do que sobre mitologia. Li um preview do terceiro livro da trilogia, chamado “Phobos – Mayan Fear”, e posso te adiantar que nesse terceiro tomo o foco da narrativa muda de novo – para as experiências realizadas no superacelerador de partículas do CERN, na Suíça, que, segundo o autor, podem levar ao fim dos tempos. Que medo…

    Mais uma coisa: não sei se posso falar a respeito, mas… eu traduzi o primeiro livro para a Editora Objetiva e agora li o segundo. Tire suas próprias conclusões… ;-)

    Um beijo!

  6. Achei o vocabulario deste livro extremamente xulo. Lamentavel que ate em livros tenhamos que presenciar essa linguagem tao repulsiva presente nos dias de hoje.

  7. Parabens ao blog

  8. Obrigada por responder também Michele!!! Confesso que estou muito curiosa para ler Ressureição, mas estou tentando não criar nenhuma expectativa. Fica mais fácil agora, conhecendo um pouco da escrita do autor, pelo menos eu acho :)
    Phobos é bem mais recente né? Foi lançado faz pouco tempo, acredito que esse vai dar mais “medo” sobre as histórias do fim do mundo do que os dois primeiros… mas vamos ver no que vai dar né? Assim que tiver a chance vou ler o livro pra resenhar ele aqui!

    Beijos!

    “NaoVou” não entendi sua revolta com o vocabulário do livro, não vi nada demais. Oo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*