segunda-feira, 18/12/2017
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Resenha: “A infiltrada”, de Daniel Silva

Livro: A Infiltrada
Série: Gabriel Allon
Autor: Daniel Silva
Editora: Amarilys
Páginas: 432
Resenha por: Bruna
Comprar: Saraiva Cultura

Gabriel Allon pensava ter deixado para trás seu passado de importante agente do serviço secreto israelense para, enfim, dedicar-se à sua outra profissão – restaurador de preciosas obras de arte. No entanto, sua aposentadoria do mundo da espionagem é interrompida quando a morte de um suspeito de ligação com a al-Qaeda levanta indícios de uma trama para assassinar o Papa em pleno Vaticano.

Encarregado de comandar uma operação conjunta com a CIA, Allon põe em campo uma arma ao mesmo tempo poderosa e vulnerável: Sarah Bancroft, uma respeitada curadora de arte que teve seu mundo abalado após o 11 de setembro. Conseguirão os dois dar fim a uma rede de terrorismo com pés tanto no fundamentalismo religioso como no jet set europeu?

Um grave atentado ao Vaticano.
Uma raríssima pintura à venda no mercado de artes.
Uma inocente oculta no seio do fundamentalismo islâmico.”

As frases acima estão estampadas na capa de A Infiltrada, e com certeza, chamaram demais a minha atenção quando recebi o livro em minhas mãos. Antes de mais nada, esse livro – apesar de ser o primeiro publicado pela Amarilys no Brasil – é na verdade o sexto livro da série Gabriel Allon. Creio que isso não interfira completamente na leitura, pois tudo leva a crer que as histórias não são uma continuação, mas sim histórias fechadas. Apesar de existir uma história de fundo, como percebemos ao longo do livro, ela é mínima, mas o autor deixa pequenas explicações ao longo do enredo para dos situar.

A Infiltrada tem como tema central o terrorismo. Tudo começa quando o laptop de um suposto renomado professor chega até o personagem principal, Gabriel Allon, que acredita então que há um plano um ataque ao Papa. O secretário pessoal do Papa, Luigi Donati, é informado e a segurança no Vaticano é aumentada, mas apesar de todas as especulações e dos pedidos de Gabriel, o Papa se recusa a fazer uma cerimônia fechada em um local menor com melhor estrutura. Essa desconsideração se prova fatal, quando três terroristas suicidas causam centenas de mortes e também atingem a Basílica.

Depois do ataque ao Vaticano é descoberto que o Conselho existente para melhorar as relações com o mundo muçulmano era apenas uma fachada para selecionar terroristas e ter acesso de dentro. Juntamente à CIA, Gabriel lidera uma operação em busca do terrorista responsável não só pelo ataque ao Papa, mas também por tantos outros: Ahmed bin Shafiq. A ordem é para que ele seja eliminado, porém, o homem é praticamente um fantasma. Eles então resolvem infiltrar uma agente nas empresas de um ricaço, Zizi al-Bakari, que é quem financia o dinheiro para Shafiq.

O enredo nos leva em uma viagem por cidades ao redor do mundo, desde as bases de Langley nos Estados Unidos, até paraísos exóticos em Bahamas, passando por bairros judeus na França e outras cidades da Europa. Apesar de ser um livro longo – um pouco mais de 400 páginas – não esperava que a sua leitura fosse demorar tanto. Não sou uma leitora compulsiva que devora 3, 4 livros por semana – meu ritmo é mais devagar, gosto de ler com calma e entrar de cabeça na história. Acabei demorando três semanas para finalizar a leitura desse volume… Não porque ele seja um livro ruim, pelo contrário, porém não existem muitos momentos de ação e tensão – somente no comecinho e quase no final do livro temos um ritmo mais acelerado. Esse desnível de velocidade da narrativa no “miolo” da história quase me fez desistir do livro, mas o personagem de Gabriel me cativou de tal maneira que foi uma questão de honra chegar até o final. Outro fato que “desacelerou” a leitura foram os nomes mulçumanos de alguns personagens que são muito parecidos e eu sempreprecisava parar e voltar para relembrar de quem era quem.

O maior destaque do livro com certeza vai para o personagem de Gabriel Allon. Um homem inteligente, frio e calculista – qualidades necessárias para seu trabalho – mas que ao mesmo tempo mostra seu lado humano, amoroso e até mesmo artístico – Gabriel também é restaurador de obras de arte. O autor balanceia muito bem os dois lados do personagem mostrando na hora certa suas vulnerabilidades, que fica difícil acreditar ser a mesma pessoa que opera para derrubar uma das maiores células terroristas do mundo. Essa dualidade do personagem o torna palpável e real para os leitores.

Outras personagens de grande destaque são: Sarah Bancroft, uma americana com grandes referências sobre artes de impressionistas que é treinada para se infiltrar na empresa de Zizi al-Bakari. Apesar de parecer completamente vulnerável – como praticamente todas personagens femininas – Sarah é uma mulher extremamente forte e sagaz. Impossível não sentir grande empatia por ela. Zizi também é um personagem muito bem estruturado com fachada de grande empresário é possível notar a frieza do pensamento terrorista em muitos de seus atos.

Livro muito bom, indicado principalmente para quem gosta de suspenses, policiais e livros com intrigas internacionais. Não desista dele no meio da história se ela parecer “parada” demais, o final vale – demais – a pena. Mal posso esperar para ler as outras histórias de Gabriel Allon já lançadas aqui no Brasil: O Aliado Oculto (breve resenha aqui!) e As Regras de Moscou.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Iara Patrocinio

    Na travessia Italia-Brasil, no MSC Orchestra, encontrei na biblioteca do navio, o livro Morte Em Viena, de Daniel Silva. Me apaixonei, de imediato por Gabiel Allon. Em seguida li, O Criado Secreto e desde o desembarque estou tentando, em várias livrarias comprar toda coleção, sem êxito. O Confessor, por exemplo, me informaram, “que não será mais publicado”, ou seja, não vou conseguir compra-lo. Recomendo todos os livros de Daniel Silva. Excelente leitura e amo Israel.

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