sexta-feira, 20/10/2017
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Resenha: “O caso da criada desaparecida”, de Tarquin Hall

Livro: O caso da criada desaparecida
Série: Vish Puri
Autor: Tarquin Hall
Editora: Record
Páginas: 319
Resenha por: Karol
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Folha Travessa

Hercules Poirot encontra Sherlock Holmes. Com direito a um certo sabor de James Bond. Assim como a moderna sociedade indiana é uma amálgama de várias culturas, o herói de O CASO DA CRIADA DESAPARECIDA é um delicioso patchwork dos mais impressionantes detetives da literatura. Sem nunca perder, no entanto, sua própria personalidade.

Uma charmosa e antiquada — no melhor sentido — história de mistério, O CASO DA CRIADA DESAPARECIDA apresenta Vish Puri, o investigador mais particular da Índia. Corpulento, persistente, muito orgulhoso, extremamente decente e inegavelmente punjabi, tem a reputação de melhor profissional em todo o país. Ligeiramente afetado, engenhosamente combina técnicas modernas com princípios de dedução estabelecidos na Índia há mais de quatro mil anos.

Mas fama não é algo fácil de se manter: nos últimos anos, os únicos casos em que Vish trabalhou foram checagens no passado de noivos e noivas em casamentos arranjados. A busca por detalhes que possam abalar a futura união. Tudo bem abaixo de sua capacidade. Até que um caso grande lhe cai no colo. Um jovem e idealista advogado é acusado do assassinato de sua criada, conhecida apenas por Mary, desaparecida há vários meses.

Mas como trilhar os rastros de uma garota em uma população de mais de 1 bilhão de habitantes? Com a moderna, quente e empoeirada Délhi como cenário, Tarquin Hall cria uma trama que engloba três mistérios distintos, sem nunca perder o equilíbrio. Com ritmo e o sabor picante do curry, O CASO DA CRIADA DESAPARECIDA mostra uma Índia efervescente, na encruzilhada entre tradição e desenvolvimento.

Vou começar essa resenha pelo que mais me chamou a atenção: a capa! Assim que eu abri a caixa que recebi me deparei com uma capa cor de rosa bem forte com um bigode enorme desenhado no meio. Minha reação foi “ok, bem chamativa e acho que seria difícil ver um homem comprando esse livro”. Confesso que estava bem enganada e depois que comecei a ler o livro percebi que aquela cor forte e chamativa era mais um dos milhares de signos indianos que o autor inglês jogou no livro.

Assim que você começa a história, você se depara com um mundo completamente diferente. As idéias e rotinas dos personagens são o que fazem esse livro deixar de ser mais um romance policial e o tornam uma série super diferente e engraçadíssima.

Vish Puri é um detetive que se acha! Não tem um minuto em que ele não se gabe dos seus mistérios solucionados e da sua empresa de investigação, isso faz o personagem ser super engraçado e, às vezes, não levado tão a sério. Contratado a maioria das vezes para resolver problemas matrimoniais, Puri é pego de surpresa quando é contratado por um famoso advogado da região para solucionar um caso: uma das suas criadas desapareceu e a polícia o incrimina de assassinato. Ajay Kasliwal, se mostra ser um homem bom durante todo o livro; ele tem uma mulher que está mais preocupada com o que pode acontecer com a família por causa desse desaparecimento, do que com o que vai acontecer com o seu marido caso ele seja preso, e um filho que estuda em Londres.

Alguns capítulos á frente, Puri sofre uma tentativa de assassinato, um dia pela manhã enquanto cuidava das suas mudas de pimenta. Outros capítulos à frente um honrado homem contrata Puri para investigar o noivo rico de sua neta, que tem mais de 30 anos e é super gorda.

No meio de tantos casos e nomes indianos- muitos explicados no glossário no final do livro- você acaba ficando meio confuso, ainda mais que cada hora aparece uma pista diferente sobre um dos casos e você acaba se vendo tentando solucioná-los antes mesmo de Puri. O que é um total fracasso, a solução de todas as investigações são reveladas somente nos últimos capítulos do livro e você acaba se impressionando.

O livro é o primeiro de uma série que, por enquanto, tem dois livros. O segundo se chama ‘The Case of the Man Who Died Laughing’ ( O caso do homem que morreu rindo’), foi lançado no dia 15 de junho de 2010, mas não ainda no Brasil, e tem a mesma capa chamativa, com o bigodão no meio, só que dessa vez azul turquesa.

Um pouco sobre o autor, que também tem uma vida super curiosa e que explica um pouco o fato dele entender tão bem sobre a Índia e seus costumes: Tarquin Hall é um jornalista inglês, a sua mãe é americana, que passou a maior parte da sua vida fora do Reino Unido, viajando entre Estados Unidos, Paquistão, Índia, Turquia e pela África. Ele escreveu para inúmeros jornais, lançou alguns livros, sempre sobre a vida ocidental e personalidades controvérsias. Ele se casou com uma repórter indiana da BBC e hoje vive entre Nova Delhi com a mulher e seu filho- que já tem casamento arranjado- e Londres.

Se eu fosse escolher uma adjetivo para esse livro, teria que inventar uma e seria: indianamente interessante. Sim, isso faz sentido! É só pegar algo muito interessante, jogar um pouco de gulal, misturar com lal mirch, haldi e colocar um bindi que você chega no indianamente interessante! O livro te pega não só pelo mistério mas, também, pela quantidade de informação sobre essa cultura tão diferente da nossa.

Sobre Karol

Atriz ruiva tão viciada em Shakespeare que foi até parar lá no palco do Globe Theatre de Londres de tanto que encheu o saco! Sem papas na língua,que sempre dá preferência a livros históricos e com culturas diferentes. Não leu Harry Potter ou Senhor dos Anéis, jogou Crepúsculo longe no meio do segundo livro mas é capaz de devorar qualquer livro que contenha um rei, um indiano ou um espírito no meio. Estranha, usa personagens românticos como referencia quando briga com o namorado, transforma tudo em um drama histórico e deseja silenciosamente transformar todos os livros que lê em filme.

4 comentários

  1. Nossa amei muito boa a resenha!Adoro livro de mistério e esse ainda parece ser muito hilário!Tenho que ler!A capa é mesmo bem chamativa e ainda por cima é uma série muito bom!

  2. Eu confesso que já tinha visto este livro nas livrarias mas não me interessei justamente por causa de sua capa ( que achei beeem estranha) mas depois desta resenha , terei que lê- lo.

  3. Carol, tua resenha ta ótima. To muito a fim de ler este livro agora!!!
    Bjins!

  4. Eu já havia comprado na banca na frente da minha casa,mas eu mal comecei a ler e já enjooei por causa de Vish Puri “Livro Cômico?Odeio!” e acabei dando pra minha mãe,mas pra encurtar a hist´ria,NUNCA JULGUE UM LIVRO PELA CAPA.

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