01 de junho de 2011
Postado por: Karol @ Arquivado em: Resenhas de Série

Livro: O caso da criada desaparecida
Série: Vish Puri
Autor: Tarquin Hall
Editora: Record
Páginas: 319
Resenha por: Karol
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Folha Travessa

Hercules Poirot encontra Sherlock Holmes. Com direito a um certo sabor de James Bond. Assim como a moderna sociedade indiana é uma amálgama de várias culturas, o herói de O CASO DA CRIADA DESAPARECIDA é um delicioso patchwork dos mais impressionantes detetives da literatura. Sem nunca perder, no entanto, sua própria personalidade.

Uma charmosa e antiquada — no melhor sentido — história de mistério, O CASO DA CRIADA DESAPARECIDA apresenta Vish Puri, o investigador mais particular da Índia. Corpulento, persistente, muito orgulhoso, extremamente decente e inegavelmente punjabi, tem a reputação de melhor profissional em todo o país. Ligeiramente afetado, engenhosamente combina técnicas modernas com princípios de dedução estabelecidos na Índia há mais de quatro mil anos.

Mas fama não é algo fácil de se manter: nos últimos anos, os únicos casos em que Vish trabalhou foram checagens no passado de noivos e noivas em casamentos arranjados. A busca por detalhes que possam abalar a futura união. Tudo bem abaixo de sua capacidade. Até que um caso grande lhe cai no colo. Um jovem e idealista advogado é acusado do assassinato de sua criada, conhecida apenas por Mary, desaparecida há vários meses.

Mas como trilhar os rastros de uma garota em uma população de mais de 1 bilhão de habitantes? Com a moderna, quente e empoeirada Délhi como cenário, Tarquin Hall cria uma trama que engloba três mistérios distintos, sem nunca perder o equilíbrio. Com ritmo e o sabor picante do curry, O CASO DA CRIADA DESAPARECIDA mostra uma Índia efervescente, na encruzilhada entre tradição e desenvolvimento.

Vou começar essa resenha pelo que mais me chamou a atenção: a capa! Assim que eu abri a caixa que recebi me deparei com uma capa cor de rosa bem forte com um bigode enorme desenhado no meio. Minha reação foi “ok, bem chamativa e acho que seria difícil ver um homem comprando esse livro”. Confesso que estava bem enganada e depois que comecei a ler o livro percebi que aquela cor forte e chamativa era mais um dos milhares de signos indianos que o autor inglês jogou no livro.

Assim que você começa a história, você se depara com um mundo completamente diferente. As idéias e rotinas dos personagens são o que fazem esse livro deixar de ser mais um romance policial e o tornam uma série super diferente e engraçadíssima.

Vish Puri é um detetive que se acha! Não tem um minuto em que ele não se gabe dos seus mistérios solucionados e da sua empresa de investigação, isso faz o personagem ser super engraçado e, às vezes, não levado tão a sério. Contratado a maioria das vezes para resolver problemas matrimoniais, Puri é pego de surpresa quando é contratado por um famoso advogado da região para solucionar um caso: uma das suas criadas desapareceu e a polícia o incrimina de assassinato. Ajay Kasliwal, se mostra ser um homem bom durante todo o livro; ele tem uma mulher que está mais preocupada com o que pode acontecer com a família por causa desse desaparecimento, do que com o que vai acontecer com o seu marido caso ele seja preso, e um filho que estuda em Londres.

Alguns capítulos á frente, Puri sofre uma tentativa de assassinato, um dia pela manhã enquanto cuidava das suas mudas de pimenta. Outros capítulos à frente um honrado homem contrata Puri para investigar o noivo rico de sua neta, que tem mais de 30 anos e é super gorda.

No meio de tantos casos e nomes indianos- muitos explicados no glossário no final do livro- você acaba ficando meio confuso, ainda mais que cada hora aparece uma pista diferente sobre um dos casos e você acaba se vendo tentando solucioná-los antes mesmo de Puri. O que é um total fracasso, a solução de todas as investigações são reveladas somente nos últimos capítulos do livro e você acaba se impressionando.

O livro é o primeiro de uma série que, por enquanto, tem dois livros. O segundo se chama ‘The Case of the Man Who Died Laughing’ ( O caso do homem que morreu rindo’), foi lançado no dia 15 de junho de 2010, mas não ainda no Brasil, e tem a mesma capa chamativa, com o bigodão no meio, só que dessa vez azul turquesa.

Um pouco sobre o autor, que também tem uma vida super curiosa e que explica um pouco o fato dele entender tão bem sobre a Índia e seus costumes: Tarquin Hall é um jornalista inglês, a sua mãe é americana, que passou a maior parte da sua vida fora do Reino Unido, viajando entre Estados Unidos, Paquistão, Índia, Turquia e pela África. Ele escreveu para inúmeros jornais, lançou alguns livros, sempre sobre a vida ocidental e personalidades controvérsias. Ele se casou com uma repórter indiana da BBC e hoje vive entre Nova Delhi com a mulher e seu filho- que já tem casamento arranjado- e Londres.

Se eu fosse escolher uma adjetivo para esse livro, teria que inventar uma e seria: indianamente interessante. Sim, isso faz sentido! É só pegar algo muito interessante, jogar um pouco de gulal, misturar com lal mirch, haldi e colocar um bindi que você chega no indianamente interessante! O livro te pega não só pelo mistério mas, também, pela quantidade de informação sobre essa cultura tão diferente da nossa.




4 comentários



1. Lia
1-6-2011 - 21:19:57

Nossa amei muito boa a resenha!Adoro livro de mistério e esse ainda parece ser muito hilário!Tenho que ler!A capa é mesmo bem chamativa e ainda por cima é uma série muito bom!


2. Silvania
1-6-2011 - 23:56:55

Eu confesso que já tinha visto este livro nas livrarias mas não me interessei justamente por causa de sua capa ( que achei beeem estranha) mas depois desta resenha , terei que lê- lo.


3. Déia
2-6-2011 - 15:10:55

Carol, tua resenha ta ótima. To muito a fim de ler este livro agora!!!
Bjins!


4. Jacqueline
4-10-2012 - 13:34:20

Eu já havia comprado na banca na frente da minha casa,mas eu mal comecei a ler e já enjooei por causa de Vish Puri “Livro Cômico?Odeio!” e acabei dando pra minha mãe,mas pra encurtar a hist´ria,NUNCA JULGUE UM LIVRO PELA CAPA.


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