sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Pacto Secreto”, de Eliane Quintella

Livro: Pacto Secreto
Série: Pacto Secreto
Autora: Eliane Quintella
Editora: Novo Século
Páginas: 357
Resenha por: Cine
Comprar: Saraiva Cultura

Três regras haviam sido reveladas à Valentina. Mas, Valentina não sabia se existiriam outras regras que lhe teriam sido ocultadas. Ela tinha certo em seu coração que precisava ter seu pedido atendido. Era o que havia de mais importante para ela. Ela precisava decidir se assinaria ou não o pacto. É a pergunta que não se cala.

Será que Valentina deveria assinar o pacto sem ter certeza do que estava em jogo? O que realmente assumiria se assinasse?
E você, assinaria o pacto? Em troca, teria o que você pedisse. Poderia ser qualquer coisa…

Quando recebi Pacto Secreto para resenhar fiquei extremamente animada, a começar pela capa linda do livro e uma sinopse pouco vaga e que me prometia uma ótima leitura.

Pacto secreto é narrado por Valentina, uma jovem paulista que ao presenciar o acidente de sua irmã, sente-se completamente responsável e culpada pelo o que aconteceu. Com isso Valentina se vê desesperada e rezando para tudo e todos, a espera de um milagre que fizesse com que sua vida voltasse a ser o que era antes. Em meio ao seu desespero ela acaba pedindo até ao diabo que a ouvisse e bem, ele a ouve.

Em uma mesa de bar a personagem acaba conhecendo um enviado do diabo que está disposto a tudo para fazê-la assinar um pacto e a partir daí Valentina começa a correr atrás de informações para saber se deveria ou não assinar o pacto com o diabo e o que e quem realmente seria o bem e o mal entre o céu e o inferno.

Confesso que a premissa do livro é extremamente interessante e foi isso que me deixou tão ansiosa e com expectativas tão altas para essa leitura, mas minha decepção, infelizmente, foi grande. A começar pela narrativa, que é feita pela personagem principal. Passando por tudo o que passou é natural que Valentina fosse uma mulher cheia de angustia e culpa, mas o fato dela ficar o tempo inteiro num devaneio sem fim sobre o que aconteceu com sua irmã e como tudo é culpa dela e como ela merecia estar em seu lugar e blá blá blá faz com que não só as qualidades da personagem acabem sendo esquecidas porque tudo, absolutamente tudo o que ela sente ou faz volta para a tristeza sem fim que é a culpa e o remorso que sente, como a história se arraste de tal forma que só a esperança de que ela irá melhorar fez com que eu continuasse lendo o livro.

Não achei Valentina e nenhum outro personagem cativante, até mesmo o tal enviado, poderia ter sido muito melhor explorado assim como muitas outras ocasiões da história, mas a autora insiste em ficar somente nos devaneios infinitos de Valentina sobre sua religião, Deus, quem é o diabo, etc.

O livro é repleto de informações e de certa forma eu achei isso fantástico e entediante. Explico: É óbvio que a autora fez uma pesquisa INCRÍVEL para escrever esse livro, todas as informações sobre religião, mitos, cultos, a bíblia entre outros assuntos, foram extremamente bem pesquisados e acho isso realmente maravilhoso, porque sou sempre a favor de explicações sobre assuntos abordados nas histórias, contudo a maneira como a autora apresenta essas informações é extremamente chata! Ficamos páginas e mais páginas com Valentina contando a história de algum mito sobre tal coisa e mais páginas de sua visão sobre aquele mito e isso deixa a leitura extremamente arrastada e em certo momento eu comecei a pular parágrafos inteiros todas as vezes que ela inventava de pesquisar alguma coisa para tirar suas dúvidas. Talvez se a autora inserisse um personagem a mais para contar em forma de diálogo essas conversas, seria menos maçante.

Outra coisa que eu achei estranha é que normalmente você sabe onde a história se passa ou quantos anos o personagem tem logo no início da leitura, até por uma questão de ajudar o leitor a imaginar as características do personagem. Ok, ela é morena, de olhos verdes, alta, extremamente bonita. Mas estamos falando de uma adolescente? De uma mulher adulta nos seus 20 e tantos anos? Ou uma mulher já com quase 40 anos?

Com isso, só consegui imaginar realmente uma Valentina lá pela metade do livro, depois de saber que ela não era uma adolescente (porque pelas ações e dúvida da personagem e por ainda viver com sua família, nunca iria imaginar que ela era outra coisa, senão uma adolescente).

Também senti muita falta de ação e um pouco de romance no livro, mas acredito que se a sinopse ou o resumo da história fossem menos vagos e falassem que essa é uma história que trata muito mais do dilema de uma jovem em saber se aceita ou não fazer o pacto com o demônio do que qualquer outra coisa, eu não esperaria cenas mais emocionantes e que me fizessem querer devorar o livro.

Pacto Secreto é uma leitura cheia de altos e baixos, e achei que a história só finalmente começou a engrenar quando já estava no final, talvez para dar um gancho para uma continuação, apesar do final previsível. Infelizmente a leitura não me agradou e eu realmente só recomendo esse livro para quem realmente gosta de histórias cheias de informações e reflexão, do que para alguém que busca uma leitura mais prazerosa e divertida.

Sobre Cine

Jornalista e professora de inglês, vivendo o sonho de morar em Nova York e ainda tentando descobrir se seria possivel viver dentro de uma da Barnes and Nobles. Viciada em cultura, passa os dias tentando decidir que livros ler enquanto tenta se encontrar na vida.

3 comentários

  1. Entendo você, mas ao contrário de ti, não leria um livro com essa proposta. Sou religiosa doente? Não, mas não faz meu tipo. Além de eu ser covarde até os ossos. ADOREI a sua sinceridade quanto ao livro, seria o único motivo para ler Pacto Secreto, porque você não disfarçou as falhas e pf, já li cada resenha nada sincera…
    Beijos,

  2. A capa parece com as capas da trilogia Millennium .

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