A história se passa em 2030, quando um diário escrito por Catherine chega às mãos de Ethan, um cientista dedicado. Catherine decsreve o que aconteceu à cidade em que viveu, há 10 anos atrás e à si mesma. Ela e toda a população do local perderam a memória. A maioria morreu logo depois e Catherine é uma das poucas sobreviventes daquele periodo sem explicação. Não vou me alongar com os personagens porque o que quero dar ênfase aqui é na publicação. Acho sinceramente que o livro foi publicado precocemente. A história é muito interesante. Um mistério com personagens realmente cativantes, mas faltou profundidade. Em tudo. Os protagonistas são muito bem detalhados, desde a aparência até a personalidade. Mas os lugares e situações não. A autora descreve a cidade como “devastada” varias vezes, mas não detalha isso em nenhum momento. O leitor fica sem saber em que pé de fato se encontra o ambiente. Os diálogos são ora bons, ora infantis demais, o que não condiz com a idade dos personagens. Outro erro de estruturação é a falta de identificação das narrativas. Por vezes a autora usa cartas trocadas pelos protagonistas para contar o que está acontecendo, mas quando a carta acaba, entra a narrativa em primeira pessoa de algum personagem. Faltou aí uma maneira do leitor saber quando é um e quando é outro. Talvez um simples itálico resolvesse o problema. Outra coisa que me incomodou bastante é o uso de palavras como “num”. Entenda que em um diálogo isso é totalmente admirável, porque ilustra até a personalidade de um protagonista, mas em uma narrativa, só mostra o amadorismo do autor. Vamos escrever com o bom português, por favor! Vi o que o livro teve uma revisora, mas alguns erros de pontuação passaram batido (e em algumas partes nem pontuação tinha)! Mas nem tudo está perdido. Como disse anteriormente, a história é bastante interessante e a escrita boa, precisando apenas ser amadurecida. Facilmente poderia ser incluída umas 150 páginas à narrativa, ambientar melhor o leitor, dar uma incrementada. O texto final, onde um dos protagonistas descreve resumidamente o que aconteceu nos últimos meses para um mero guardanapo é brilhante. Não sei se esse trecho foi produzido muito depois dos outros, mas foi um avanço enorme na melhora da escrita. Pela primeira vez pude entrar no ambiente noir que a autora tanto tentou passar em vão o livro inteiro. Pude até sentir o ar carregado de fumaça de cigarro e ouvir um narrador triste e com a voz embargada ao fundo. Uma bela surpresa foi ver na última página um making of do livro. Uma parte onde a autora explica ao leitor o processo de escolha dos nomes dos personagens, do local etc. Achei bem bacana. Quem sabe outros autores não copiam essa idéia? Espero que a autora não se limite à escrever a continuação e sim pense em melhorar esse volume e voltar a lançá-lo mais pra frente, porque aí sim, poderemos ter a vontade de ler o segundo volume. Do jeito que está, eu pararia nesse. |
Nossa, Amei sua resenha! Acho q capa desse livro bem misteriosa, pois sem ler a sinopse não temos a mínima idéia do que se trata…
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Adoro a sinceridade nas suas resenhas Patoka.
Gosto de todas elas, mas fico admirada com essas resenhas em particular, as com “muitos pontos negativos”.
Acho que é nessas horas que a gente vê se uma pessoa sabe realmente escrever uma resenha, se é verdadeiro.
Vc fala o que pensa do livro mas em nenhum momento é irônica ou maldosa. Já vi tanta gente fazendo isso… :/
Enfim… Parabéns, sério. Adoro ler suas resenhas. (:
E sobre o livro… Já vi outras pessoas falando a mesma coisa, mas acho que o enredo em si é muito bacana. Tomara que a autora tente melhora-lo.