sexta-feira, 20/10/2017
Últimas do LeS:
Capa » Notícias » Resenha: “Chantilly”, de Mare Soares

Resenha: “Chantilly”, de Mare Soares

Livro: Chantilly
Série: Chantilly
Autor: Mare Soares
Paginas: 148
Editora: independente
Resenhado por: Patoka

Um diário foi escrito. Catherine Aragon, numa atitude desesperada, escreve suas recordações em busca de socorro. Somente dez anos depois suas palavras foram ouvidas por um renomado cientista. Ethan Stuart, um homem com pouco carisma, toma as rédeas da situação para tentar ajudá-la.
Ele contará com a ajuda de personagens suspeitos: o exótico Leon Saiter, um alcoólatra sem muita perspectiva que arriscará a própria vida para obter êxito na resolução do caso e a interessante Anabelle, que vive um dilema dentro de si onde questionará suas verdades e seus valores.

A tríade investigadora conclui a soma dos catetos, tornando Chantilly um dos desafios mais intrigantes do seu viver.

Mergulhe nesta aventura, em um ambiente noir, repleta de mistérios a serem desvendados numa cidade onde as pessoas perderam as lembranças.

A história se passa em 2030, quando um diário escrito por Catherine chega às mãos de Ethan, um cientista dedicado. Catherine decsreve o que aconteceu à cidade em que viveu, há 10 anos atrás e à si mesma. Ela e toda a população do local perderam a memória. A maioria morreu logo depois e Catherine é uma das poucas sobreviventes daquele periodo sem explicação.

Não vou me alongar com os personagens porque o que quero dar ênfase aqui é na publicação.

Acho sinceramente que o livro foi publicado precocemente. A história é muito interesante. Um mistério com personagens realmente cativantes, mas faltou profundidade. Em tudo.

Os protagonistas são muito bem detalhados, desde a aparência até a personalidade. Mas os lugares e situações não. A autora descreve a cidade como “devastada” varias vezes, mas não detalha isso em nenhum momento. O leitor fica sem saber em que pé de fato se encontra o ambiente.

Os diálogos são ora bons, ora infantis demais, o que não condiz com a idade dos personagens. Outro erro de estruturação é a falta de identificação das narrativas. Por vezes a autora usa cartas trocadas pelos protagonistas para contar o que está acontecendo, mas quando a carta acaba, entra a narrativa em primeira pessoa de algum personagem. Faltou aí uma maneira do leitor saber quando é um e quando é outro. Talvez um simples itálico resolvesse o problema.

Outra coisa que me incomodou bastante é o uso de palavras como “num”. Entenda que em um diálogo isso é totalmente admirável, porque ilustra até a personalidade de um protagonista, mas em uma narrativa, só mostra o amadorismo do autor. Vamos escrever com o bom português, por favor! Vi o que o livro teve uma revisora, mas alguns erros de pontuação passaram batido (e em algumas partes nem pontuação tinha)!

Mas nem tudo está perdido. Como disse anteriormente, a história é bastante interessante e a escrita boa, precisando apenas ser amadurecida. Facilmente poderia ser incluída umas 150 páginas à narrativa, ambientar melhor o leitor, dar uma incrementada.

O texto final, onde um dos protagonistas descreve resumidamente o que aconteceu nos últimos meses para um mero guardanapo é brilhante. Não sei se esse trecho foi produzido muito depois dos outros, mas foi um avanço enorme na melhora da escrita. Pela primeira vez pude entrar no ambiente noir que a autora tanto tentou passar em vão o livro inteiro. Pude até sentir o ar carregado de fumaça de cigarro e ouvir um narrador triste e com a voz embargada ao fundo.

Uma bela surpresa foi ver na última página um making of do livro. Uma parte onde a autora explica ao leitor o processo de escolha dos nomes dos personagens, do local etc. Achei bem bacana. Quem sabe outros autores não copiam essa idéia?

Espero que a autora não se limite à escrever a continuação e sim pense em melhorar esse volume e voltar a lançá-lo mais pra frente, porque aí sim, poderemos ter a vontade de ler o segundo volume. Do jeito que está, eu pararia nesse.

Sobre Patoka

Fotógrafa especializada em shows, já captou com suas lentes momentos dos shows várias bandas. Essa paixão por música e fotografia a levou a abrir o CFOS. Quase infartou quando suas fotos apareceram na página oficial do Black Label Society e foram descritas como “killer shots”! Já fez produção de palco em festivais musicais e eventos, mas atualmente prefere deixar isso para os profissonais.

2 comentários

  1. Adoro a sinceridade nas suas resenhas Patoka.
    Gosto de todas elas, mas fico admirada com essas resenhas em particular, as com “muitos pontos negativos”.
    Acho que é nessas horas que a gente vê se uma pessoa sabe realmente escrever uma resenha, se é verdadeiro.
    Vc fala o que pensa do livro mas em nenhum momento é irônica ou maldosa. Já vi tanta gente fazendo isso… :/
    Enfim… Parabéns, sério. Adoro ler suas resenhas. (:

    E sobre o livro… Já vi outras pessoas falando a mesma coisa, mas acho que o enredo em si é muito bacana. Tomara que a autora tente melhora-lo.

  2. Nossa, Amei sua resenha! Acho q capa desse livro bem misteriosa, pois sem ler a sinopse não temos a mínima idéia do que se trata…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*