domingo, 15/10/2017
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Resenha: “O bobo da rainha”, de Philippa Gregory

Livro: O bobo da rainha
Série: Tudor
Autor: Philippa Gregory
Editora: Record
Páginas: 517
Resenhado por: Karol
Comprar: Saraiva Cultura Folha Travessa

Em um tempo no qual inocentes eram queimados como hereges, trair a coroa era desafiar a morte. Na traiçoeira corte dos Tudor do século XVI, a judia Hannah encontra uma maneira de se refugiar da Inquisição. Enviada como bobo santo pelo ardiloso Robert Dudley para espionar a princesa Mary, ela se vê envolvida na rivalidade entre as herdeiras do trono, que se desenrola em um palco de conflitos e paixões.

Cada um lutará com todas as forças pela coroa, mas Elizabeth não cometerá os mesmos erros que a mãe, Ana Bolena. Em uma corte onde as mentiras são peças de um jogo arriscado, apenas o bobo pode falar sinceramente: nesses tempos perigosos, uma mulher precisa escolher entre ambição e amor.

”Philippa Gregory é a dama do romance histórico”- Kate Mosse, autora de ‘Labirinto’.

Esse é o modo que posso começar essa resenha sem jogar em cima de vocês, logo de cara, todo o meu fanatismo por essa mulher. Agora que provei que não é só de minha mera opinião a genialidade dessa autora, posso continuar: Não importa quantos autores sobre o mesmo assunto eu seja capaz de ler, nenhum chega aos pés de Philippa. Desde o primeiro livro dessa série, ela vem mostrando ter um conhecimento absurdo sobre a Dinastia Tudor e uma criatividade incrível para transformar fatos históricos em grandes e profundos conflitos amorosos ou políticos.

No livro ‘O bobo da rainha’ não é diferente. Philippa nos dá informações básicas, e de extrema importância, de três personagens importantes da história inglesa: Maria Tudor, a rainha religiosa fanática, maluca, sangrenta e completamente apaixonada por sua nação e por seu marido; Elizabeth uma princesa a frente do seu tempo que, como a sua mãe, fazia o que tinha vontade, forte e admirada ; e Robert Dudley, o lorde galã, fiel à Elizabeth, um tipo de homem que desperta o interesse de qualquer mulher.

Além desses personagens ‘reais’ do livro, Philippa foi brilhante ao criar personagens fictícios que são tão diferentes, tão intrigantes e tão cheios de problemas que, poderiam confundir qualquer um de nós como personagens verdadeiros.

A narradora dessa história é Hannah, uma garota judia espanhola que fugiu com seu pai da Inquisição depois que sua mãe foi queimada como uma herege. Seu pai é dono de uma livraria e faz cópias de todos os tipos de livros, a sua maioria, tidos como proibidos assim que Maria Tudor sobe ao trono da Inglaterra. Hannah é uma garota forte, independente e muito culta. Assim que a sua peregrinação começa, ela é obrigada a se vestir como um garoto para despistar e acaba tomando isso como um refúgio para não crescer, virar mulher e ter que se casar com o seu pretendente judeu, Daniel. Hannah acha que ela pode se virar sozinha e que ser mulher de alguém e ter de obedecer à um marido não combinam com ela.

Além de ter essa personalidade forte, Hannah tem o dom da Visão. Logo no começo do livro ela conhece Robert Dudley e John Dee, dois estudiosos que vão comprar livros com o seu pai, e se impressiona com a figura de um anjo que entra com os dois na livraria. Ao saber dos dons da garota, Robert à chama para servi-lo no palácio, sendo o bobo santo do Rei Eduardo, filho de Henrique VIII e Jane Seymor, que tem 15 anos e está muito doente. Assim que Eduardo morre, Hannah é enviada à Maria Tudor, a rainha meio espanhola, tirana, que a adota como uma filha e por quem Hannah tem muito carinho e, ao mesmo tempo, medo já que de todos, ela escondia sua verdadeira origem.

Hannah é um bobo fiel à Rainha, uma garota cheia de amor pelo seu patrão Robert Dudley e tem uma admiração enorme pela princesa Elizabeth. Todos esses sentimentos são misturados com o medo de ser queimada com a sua mãe e a colocam em situações difíceis onde ela se vê, ao mesmo tempo, ajudando e traindo seus amados.

Fora essa trama toda de Hannah com os membros reais, existe o problema com seu noivo, Daniel que, na minha opinião, é um dos personagens mais queridos fora o bobo bufão amigo de Hannah, Will. Daniel é estudante de medicina, judeu e é completamente apaixonado por Hannah apesar dela o tratar mal muitas vezes. Ele é o verdadeiro príncipe encantado da história, sempre disposto a salvar sua amada mesmo que ela não queira. Mas, se você acha isso muito chato e sabe que tal perfeição de homem não existe, espere até ver o que Daniel apronta quando Hannah finalmente se entrega ao seu amor!

O livro não é o melhor da série, mas é muito melhor do que muito livro que existe por ai. Os personagens são críveis e, como Philippa sempre faz, uma hora você os odeia e outra hora os ama. São personagens humanos vivendo situações verdadeiras de um passado assustador da Europa.

Sobre Karol

Atriz ruiva tão viciada em Shakespeare que foi até parar lá no palco do Globe Theatre de Londres de tanto que encheu o saco! Sem papas na língua,que sempre dá preferência a livros históricos e com culturas diferentes. Não leu Harry Potter ou Senhor dos Anéis, jogou Crepúsculo longe no meio do segundo livro mas é capaz de devorar qualquer livro que contenha um rei, um indiano ou um espírito no meio. Estranha, usa personagens românticos como referencia quando briga com o namorado, transforma tudo em um drama histórico e deseja silenciosamente transformar todos os livros que lê em filme.

3 comentários

  1. Nunca li o livro, mas, pelo que sei de História, se ela apresenta a Maria como sangrenta e louca como você descreveu, ela é no mínimo incoerente. Nínguém duvida que ela tenha matado muita gente, mas não mais, nem menos, do que todos os governantes do tempo dela, tal quais seu pai e sua irmã Elizabeth.

    Enfim, a história dos Tudor é uma parte que me interessa muito. Lerei em breve.

  2. Oi Danilo, sim ela apresenta Maria Tudor como sangrenta, assim como ela é conhecida pelo mundo todo e à beira da loucura, MAS também apresenta ela como uma mulher solitária, apaixonada, carente e que poderia ter sido uma ótima rainha e mãe. Ao ler o livro você vai perceber que o ‘sangrenta’ e ‘maluca’ fazem todo o sentido e ela não começa assim desde o início do livro. Para dizer a verdade, ela é uma pessoa muito boa, melhor ainda que a irmã. Maria foi sim uma rainha que matou muita gente, tanto quanto seu pai, que tem uma fama de matador tbm, e teve problemas demais que resultaram no que as pessoas chamam de ‘loucura’, incluindo gravidez psicológica. Porém devo lembrar que Philippa Gregory não escreve biografias, ela pegou os pontos fortes desses personagens históricos e montou um romance maravilhoso em cima.

    É um ótimo livro, mas o leia com a mente aberta.

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