segunda-feira, 16/10/2017
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Resenha: “D.E.I.S. – Departamento Especial de Investigação Sobrenatural”, de Jones V. Gonçalves

Livro: D.E.I.S. – Departamento Especial de Investigação Sobrenatural
Série: D.E.I.S. – Departamento Especial de Investigação Sobrenatural
Autor: Jones V. Gonçalves
Páginas: 121
Editora: Multifoco
Resenhado por: Patoka
Comprar: Cultura

Sobrenatural, definição para tudo que extrapola a realidade natural, a qual estamos acostumados. Na policia convencional existem diversas unidades de combate a crimes ditos como normais. Mas como proceder quando o normal se mistura com o sobrenatural, quando casos ficam estranhos o suficiente para que as agencias comuns não consigam mais trabalhar neles. Para trabalhar em tais casos um departamento a parte foi usado como experiência no RS, o D.E.I.S. – Departamento Especial de Investigação Sobrenatural da Policia Civil, contava no inicio com um pequeno grupo, o qual cresceu conforme os trabalhos dos oficiais foram sendo reconhecidos e hoje mais alguns estados brasileiros já mantém suas próprias unidades deste departamento. Gravataí, Santo Antonio da Patrulha e São Leopoldo servem de cenário para algumas das histórias vividas por estes agentes nas paginas a seguir, histórias recheadas de tudo que é estranho e crimes anormais

Acho extremamente difícil analisar um livro quando você lê a sinopse e espera demais da história e acaba se decepcionando. Tive que esperar um dia para escrever a resneha com medo de digitar minhas anotações e não ser tão imparcial como eu gostaria. Adoro temas sobrenaturais. Tanto quanto gosto de romances históricos, fantasia e ficção científica. Mas com tanto lobisomens, fadas, vampiros etc, esperava loucamente por algo que fosse no mínimo diferente. Aí esse livro veio parar em minhas mãos e logo imaginei, pela sinopse, que afundaria nas investigações sobre atividades sobrenaturais sem explicação. Algo como Supernatural (pausa para reverenciação), onde além de ver lindos caçadores passando perigo atrás das diversas criaturas, também teríamos uma espécia de CSI de investigação criminal. Bom, perceberam que não foi isso que aconteceu, certo?

O livro conta a história do Departamento Especial de Investigação Sobrenatural – ou pelo menos promete isso. Quando a polícia não consegue desvendar alguns crimes hediontos que ocorrem em algumas cidades do país, o departamento é acionado. Os investigadores então vão até as cenas dos crimes e percebem que algo estranho está acontecendo nas cidades próximas e que um grande mal foi envocado. Muitas mortes, antes isoladas, agora possuem uma ligação e os agentes precisam arranjar um jeito de parar isso tudo.

Percebem minha frustração? Isso não daria um ótimo livro ou filme?
Não sei o que acontece com alguns novos autores nacionais, que lançam seus trabalhos precocemente. O que aconteceu com aqueles relatos de escritores que passaram 2 ou 3 anos escrevendo um livro até sentir que ele estava pronto para degustação do público?

Os personagens são rasos, pouco trabalhados. Não sabemos a personalidade de nenhum deles, nem sua total aparência. Assim fica difícil imaginá-los e simpatizar com eles. Aliás, a quantidade de personagens é algo que me incomoda. São muitos, que praticamente fazem figuração nos capítulos. Entenda que ter muitos personagens não é ruim, até enriquece a história, mas não trabalhá-los só cria um nó na cabeça de quem está lendo. Também senti falta de detalhamento dos locais e ambientes. O autor passa tanto tempo citando inúmeras armas usadas para matar as criaturas e esquece de trabalhar no descritivo das ações. Tive que ler algumas vezes o mesmo parágrafo porque não consegui entender como o detetive lá uma hora estava na rua e na outra já dentro de um corredor de hospital. Também não há nenhuma referência geográfica na história. Como os crimes acontecem em diferentes cidades do Rio Grande do Sul, facilitaria para o leitor que não é local, saber, por exemplo, as distâncias das cidades, o tempo que leva para um agente chegar até lá etc.

Diversidade de diálogos também se tornou presente em todo o livro. Não dá para usar uma linguagem técnica, explicativa em um momento e no outro ser totalmente informal. Isso até dá certo se for um diálogo entre um homem mais velho e um garoto, mostrando até a educação diferente das gerações, mas esse desnível em um mesmo personagem fica fora do contexto. O agente está lá, de frente para a criatura, se borrando de medo, falando um monte de palavrões e do nada ele para para explicar para o outro agente que tipo de armas eles devem usar. C’omon!

Talvez os leitores homens se interessem pela parte de carnificina do livro. Muitos membros decepados, muito sangue e outras coisas do mesmo nível acontecem, dando um certo toque de terror na narrativa, mas a constância é tanta que ficou enjoativo e limitado, parecendo que o autor não tinha mais argumentos para demonstrar a cena que ele queria descrever.

Apenas destaco de positivo a utilização de gírias regionais, o que dá uma autenticidade ao relato. Também observei pouquíssimos erros ortográficos, o que é bom sinal.

Para finalizar, digo apenas que o livro tem potencial, que poderia ser melhor explorado, principalmente a parte investigativa. Umas 200 páginas a mais seria o ideal. Mas como está parece mais um antigo jogo de ação em primeira pessoa de computador, onde você apenas atira para todo lado e não tem história nenhuma.

Sobre Patoka

Fotógrafa especializada em shows, já captou com suas lentes momentos dos shows várias bandas. Essa paixão por música e fotografia a levou a abrir o CFOS. Quase infartou quando suas fotos apareceram na página oficial do Black Label Society e foram descritas como “killer shots”! Já fez produção de palco em festivais musicais e eventos, mas atualmente prefere deixar isso para os profissonais.

Um comentário

  1. deu até vontade de ler pra ficar revoltada também kkkk

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