quarta-feira, 18/10/2017
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Resenha: “Binno Oxz e o Clã de Prata”, de Fábio Henckel

Binno Oxz e o Clã de PrataLivro: Binno Oxz e o Clã de Prata
Série: Binno Oxz
Autor: Fábio Henckel
Páginas: 336
Editora: Novo Século
Resenha por: Patoka
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Binno Oxz e o Clã de Prata é uma obra de ficção infanto-juvenil que tem a preocupação de explorar situações cotidianas e os conflitos pertinentes ao mundo atual, levando o leitor do riso à profunda reflexão. Dotada de uma estética única, que se aproveita da linguagem de outras mídias como internet e vídeo-game, tem a ficção científica como pano de fundo para os problemas atuais. As ameaças e os dramas deste universo único são familiares à preocupação de qualquer pessoa moderna, seja no aspecto ambiental, onde graças ao aquecimento global o mundo teve quase toda sua superfície coberta por água; seja no tocante a novas tecnologias, onde Inteligências Artificiais ameaçam a autonomia da raça humana ou onde um vírus de computador faz muito mais do que lotar de spams nosso e-mail.

Em sua obra, Fábio Henckel, integra aspectos da internet não apenas na criação de seu universo, mas também no diálogo com seus leitores. Apesar de se tratar do livro de estréia do autor, Binno Oxz já conta com comunidades na rede de relacionamento Orkut e um público cativo no blog do autor. Abusando do bom humor e da criatividade, esse livro vai levar o leitor a acompanhar as aventuras do garoto Binno OXZ que, contando com sua inteligência e muita ousadia, descobre que nada daquilo que ele vivia era o que parecia ser.

Depois de quase chorar de frustração com alguns autores nacionais, com seus livros sem riqueza alguma e contos mal-acabados, vejo finalmente uma luz no fim do túnel com Binno Oxz.

Fábio criou uma história onde a humanidade foi imundada pelos oceanos devido ao aquecimento global, todos agora vivem embaixo d’água em submarinos enormes e usam diversos meios de transporte diferentes – aquáticos, óbvio – para se locomover. E os poucos lugares em terra firme são habitados por clones de humanos e sua população é feita para representar uma década qualquer da civilização, utilizada pelos humanos para férias e viagens dos que vivem na Cidade Original. E é em uma dessas colônias que Binno vive, frustrado por não sair nunca de uma espécie de reformatório e onde sua fantástica inteligência fica limitada ao uso de computadores obsoletos.

Até que Binno é acusado injustamente de criar um inimigo com inteligência artificial e é levado à julgamento.E é aí que a história finalmente começa a andar em um ritmo mais acelerado, com Binno descobrindo que vivia na colônia por engano, já que ele não é um clone e é levado para viver na Cidade Original, para então provar que não criou o tal inimigo de propósito e entender por que foi criado longe do lugar que realmente pertence.

O autor mistura ficção científica com uma espécia de narração exagerada. Mil máquinas e invenções de uma era avançada, jogos futurísticos, vidas que se cruzam e aulas que acontecem através de websites dão um ritmo ao livro que deixa o leitor sem fôlego. Porém contrabalanceiam com um relato um tanto teatral e desmedido e o que fez com que eu torcesse o nariz algumas vezes.

Fábio deu tanta personalidade à narrativa, fazendo piadas e forçando uma simpatia por parte dos leitores que esqueceu de dá-la aos personagens. Não consegui me identificar com nenhum, não torcer por eles e nem ter afeto! “Talvez o livro tenha sido escrito como um roteiro de cinema”, um amigo me disse. E se for verdade, explicaria muita coisa, mas é algo que realmente não me agrada!

Mas tenho que tirar o chapéu para o autor ao construir as cenas de ação, jogos e perseguiçoes e na sacada da capa. Não curto muito capas desenhadas mas essa faz total sentido à medida que você avança na leitura. Por quê um disquete na mão do menino, se eles vivem na mais avançada das civilizações? Por quê furos no lugar dos olhos do grandalhão? Isso e todo o mistério que envolve a vida de Binno são desvendados até a última página.

No fim, cabe à você dar o veredito final. O livro é bom e bem escrito, mas talvez agrade apenas à quem gosta de filme exagerado, daqueles cheio de caras e bocas. Eu ainda prefiro uma narração discreta e personagens cativantes. Mas mesmo assim, fiquei curiosa para saber o que o autor irá tramar para o próximo volume.

Sobre Patoka

Fotógrafa especializada em shows, já captou com suas lentes momentos dos shows várias bandas. Essa paixão por música e fotografia a levou a abrir o CFOS. Quase infartou quando suas fotos apareceram na página oficial do Black Label Society e foram descritas como “killer shots”! Já fez produção de palco em festivais musicais e eventos, mas atualmente prefere deixar isso para os profissonais.

3 comentários

  1. Conheci Fabio Jenckel na bienal do ano passado, ele é muito simpático e engraçado… Estou procurando esse livro na livraria mas não acho… Alguém sabe onde eu possa encontrar?

  2. Oi Glauber,
    Acho que no site oficial do autor vc encontra links de compra!

    Abs

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