sexta-feira, 20/10/2017
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“O último papa”, de Luís Miguel Rocha

Livro: O último papa (#01)
Série: O último papa
Autor: Luís Miguel Rocha
Editora: Ediouro
Páginas: 399
Tradução:
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Cultura Folha Travessa

29 de Setembro de 1978.

O mundo desperta sobressaltado com a notícia repentina da morte do papa João Paulo I, eleito sumo pontífice apenas 33 dias antes. A explicação oficial do Vaticano não deixa dúvida quanto à causa mortis: um enfarto fulminante decorrente do precário estado de saúde do papa.

2006.

A jornalista Sarah Monteiro volta de férias à Londres. Ao chegar em casa, encontra estranhos documentos à sua espera: uma lista em que figuram vários nomes e uma mensagem cifrada. A partir desse momento, sua vida passa a correr riscos iminentes, e ela se vê imersa em uma trama em que estão envolvidos membros sem escrúpulos de Igreja, políticos corruptos e mercenários dispostos a vender sua alma a quem pagar mais.

Para muitos, é chegado o momento da verdade: o que realmente aconteceu durante os breves dias de pontificado de João Paulo I? Que planos foram contrariados de maneira tão abrupta naquela noite fatídica em que ele recebeu a lista secreta de nomes? E, em suma, a quem poderia interessar a morte do pontífice?

“— Aceita a sua eleição canônica para Sumo Pontífice? — perguntou o cardeal francês.
(…)
— Que Deus vos perdoe pelo que fizeram comigo — respondeu por fim. — Aceito.”

A finíssima e borrada linha entre a ficção e a realidade. Essa é a frase que melhor para descrever esse livro. O último papa aborda a polêmica morte do papa João Paulo I, também conhecido como Albino Luciani, da qual o Vaticano afirmou ser por causas naturais, porém existem muitas teorias conspiratórias de que ele foi, na verdade, assassinado. Eu não conhecia nada sobre sua história, muito menos sobre a conspiração que envolve o falecimento desse papa antes de ler o livro.

João Paulo I governou a Santa Sé durante apenas exatos trinta e três dias, foi pioneiro ao adotar um nome papal duplo e pretendia trazer reformas anti-conservadoras para o seio da Igreja Católica Romana. Luciani nunca teve a ambição de se tornar papa. O livro se alterna entre os anos de 1978 e 2006, com uma narrativa em tempo psicológico, sendo o último o tempo presente do livro e 1978 o fatídico ano em que Luciani assumiu seu lugar como papa.

Repleto de personagens maliciosos, espertos – reais! – e acima de tudo, misteriosos, a narrativa se apresenta como um enorme quebra-cabeças, do qual algumas peças chave vão sendo liberadas ao leitor ao longo das páginas. No início é difícil juntar todas as peças e imaginar como todas se encaixam, mas ao chegar no final do livro é possível ver a figura toda e como uma pessoa ou uma situação está ligada ao todo.

O enredo me conquistou completamente. O autor português consegue englobar em sua obra muitos assuntos polêmicos como religião, corrupção dentro da Santa Igreja, financiamento do terrorismo, os Arquivos Secretos do Vaticano, lojas maçônicas, envolvimento da CIA – e também da máfia italiana – com o Vaticano, apenas para citar alguns. Em certos momentos da leitura ficou realmente difícil distinguir se o que eu estava lendo era uma história de ficção ou documentário.

O que deixa a história ainda mais interessante e verossímil é ver que o autor não aponta dedos e não generaliza a corrupção dentro da Igreja, colocando a seguinte fala em um de seus personagens: “Um grupo de homens mal-intencionados, ainda que se ocultem por baixo de um hábito ou de um barrete vermelho, não faz toda a Igreja.” Impossível não terminar a leitura e ter, pelo menos, uma enorme dúvida sobre o que realmente aconteceu na noite de 28 para 29 de setembro de 1978 ao querido e destemido Albino Luciani. Um papa que poderia ter transformado nosso mundo.

Apesar de ser repleto de personagens reais e históricos (há uma lista deles e uma mini biografia nas últimas páginas do livro), existem também os personagens ficcionais, os principais que nos levam pelas ruas do Vaticano, Roma e Portugal, cheios de adrenalina: Sarah Monteiro e o misterioso Rafael. Sarah é uma jornalista portuguesa que tem sua bagagem violada durante sua viagem de volta à Londres, onde mora, depois de visitar seus pais em sua terra natal. Nada foi roubado, mas alguns papéis e uma chave foram colocados em sua mala. Depois de uma breve conversa (enigmática) com seu pai por telefone, começa uma caçada de tirar o fôlego e a vida de Sarah está em risco. Seu pai pede que ela procure por Rafael, pois ele irá protegê-la.

A narrativa é cheia de revira-voltas, do início ao fim, prendendo o leitor e nos levando a questionar todo o mundo à nossa volta. E quando você pensa que tudo acabou… a última frase do livro, claro, deixa um enorme gancho (e nossos queixos caídos!) para a continuação dessa saga: Bala Santa.


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Geeeente super querendo ver este livro *-

    GALERA criei um blog que fala de livros ontem entãao tem pouca coisa , mas … PLEASE AJUDEM DANDO DICAS E FLANDO SOBRE O QUE EU PRECISO MELHORAR ?

    AJUDEM A EXPANDIR ?

    http://sobrebooks.blogspot.com/

  2. Olá..Gostaria de saber como posso comprar esse livro ” La morte del papa”. Obrigado

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