segunda-feira, 20/11/2017
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Resenha: “A mão esquerda de Deus”, de Jeff Lindsay

Livro: A mão esquerda de Deus
Série: Dexter Morgan
Autor (a): Jeff Lindsay
Páginas: 272
Tradução: Beatriz Horta
Editora: Planeta
Resenha por: Bruna
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Dexter Morgan é um educado lobo vestido em pele de ovelha. Ele é atraente e charmoso, mas algo em seu passado fez com que se transformasse numa pessoa diferente. Dexter é um serial killer. Na verdade, é um assassino incomum que extermina apenas aqueles que merecem. Ao mesmo tempo, trabalha como perito da polícia de Miami… Em Dexter, a Mão Esquerda de Deus, o livro que deu origem à aclamada série de TV, o adorável matador depara-se com um concorrente de estilo semelhante ao seu, encanta-se e incomoda-se com ele, prevê seus passos… A escrita requintada de Jeff Lindsay nos faz mergulhar na mente de um dos personagens mais ambíguos da história da literatura de suspense. Nunca o macabro foi tratado com tanto refinamento e leveza. Dexter Morgan é uma obra-prima.

A mão esquerda de Deus é o primeiro livro de uma série escrita por Jeff Lindsay que deu origem à uma das séries mais famosas dos últimos anos: Dexter. Nesse livro conhecemos Dexter, um rapaz simpático, metódico, expert forense em análise sanguínea que trabalha no Departamento de Polícia de Miami. Entretanto, Dexter, desprovido de qualquer sentimento, é um serial killer. E como todo serial killer que se preze, ele possue um padrão para suas vítimas: mata os criminosos que a polícia não consegue trazer à justiça, seguindo fielmente o que ele chama de “Código de Harry”. Esse código são regras e procedimentos desenvolvidos por seu pai adotivo, Harry, para garantir que seu filho nunca seja preso e, também, garantir que Dexter mate apenas assassinos que escapam ilesos perante à lei. O pai adotivo também treinou Dexter, para que ele fosse capaz de interagir com outras pessoas de um modo convincente, apesar de ser um sociopata.

Dexter leva essa vida dupla, muito bem obrigada, até que ele se vê envolvido em uma investigação sobre um serial killer que está caçando prostitutas em Miami, cortando seus corpos e deixando-os drenados, sem sangue algum. E o pior, o assassino começa a deixar mensagens subliminares para Dexter, que fica fascinado pelo “trabalho” do serial killer – sem sangue algum – e não sabe se o admira ou se quer que ele seja preso. De uma forma inexplicável e bizarra, Dexter se sente de alguma forma com uma ligação com esse assassino.

Outras personagens de destaque são Deborah Morgan, a “irmã” mais nova de Dexter, filha biológica de Harry Morgan que desconhece a verdadeira natureza de seu irmão, a quem ela sempre recorre para pedir ajuda ao longo do caso. Deb se inspirou em seu pai para entrar para a corporação, desesperadamente tentando se tornar uma detetive em Homicídios, porém Midgia LaGuerta uma detetive durona e determinada tem uma enorme antipatia por Deborah e não perde nenhuma oportunidade de ridicularizá-la na frente de toda a corporação.

O livro é narrado em primeira pessoa, pelo próprio Dexter, que possue um senso de humor negro, mesmo nas situações mais sombrias. Esse primeiro volume corresponde exatamente com a primeira temporada da série. A adaptação do livro para a TV foi muito bem feita, porém algumas mudanças foram feitas como o nome dos personagens, suas posições no trabalho – a detetive Midgia LaGuerta do livro se torna tenente María LaGuerta no seriado, por exemplo – e, principalmente, temos um desfecho completamente diferente da adaptação série para a TV. Portanto se você já assistiu, pelo menos, a primeira temporada do seriado, ainda terá algumas surpresas no final da sua leitura. Os personagens secundários Angel Batista, Sargento James Doakes e Vince são muito mais trabalhados na série de TV do que no livro, onde aparecem poucas vezes. Rita Bennett, a namorada de Dexter, faz praticamente uma participação especial, aparecendo em apenas uma ou duas ocasiões.

A narrativa do livro é bem acelerada, mas acalma em alguns pontos quando Dexter começa a filosofar internamente e a questionar suas ações. Achei o personagem do livro muito mais sombrio do que o Dexter da TV, talvez pelo fato do Michael C. Hall, ator que interpreta Dexter, ser tão convincente em sua atuação de lobo em pele de cordeiro. Depois de pesar prós e contras, e de ter gostado muito de algumas diferenças, principalmente o desfecho da história no livro, acabei chegando à conclusão de que gostei muito mais da série para a TV, o que é difícil de acontecer. Mas vou seguir lendo e acompanhando a série pra ver o rumo que ambas tomaram e comparar os mundos paralelos do serial killer mais adorado da história.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Luciana Almeida

    Como eu ainda não li o livro, e só tenho base a série mesmo, tenho a plena certeza que é uma história um tanto curiosa. Ela sim, nos deixa com muita expectiva a cada episodio. Se a série da TV faz isso, então acredito que o livro, a qual é percursor da história na TV, venha a me dar um brilho a mais, quanto a essa obscuridade da mente de Dexter. ^^

  2. Daniel Bezerra

    As pessoas que reclamam do livro são simplesmente aquelas que não entenderam a proposta de Jeff Lindsay. Que é justamente você está dentro da cabeça de Dexter. O escritor não esta interessado em contar historias paralelas como ocorre na serie de TV, sua única intenção é simplesmente contar a historia de Dexter pelos próprios olhos e pensamentos do personagem. Por isso alguns reclamam que o desfecho é rápido demais ou que as partes filosóficas de Dexter são chatas. Resumindo tudo nos livros do Dexter é descrita em tempo real. Particularmente eu prefiro os livros do que a serie, justamente porque a serie perde muito tempo com historias de personagens secundários. Si eu tivesse lido o livro antes de vê a serie não sei si ia ter guentado assiste ate a 5 temporada.

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