quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “Herdeiros de Atlântida”, de Eduardo Spohr

Herdeiros de AtlântidaLivro: Herdeiros de Atlântida (#01)
Série: Filhos do Éden
Autor: Eduardo Spohr (@eduardospohr)
Editora: Verus
Páginas: 473
Tradução:
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Fnac Amazon

Há uma guerra no céu. O confronto civil entre o arcanjo Miguel e as tropas revolucionárias de seu irmão, Gabriel, devasta as sete camadas do paraíso. Com as legiões divididas, as fortalezas sitiadas, os generais estabeleceram um armistício na terra, uma trégua frágil e delicada, que pode desmoronar a qualquer instante.

Enquanto os querubins se enfrentam num embate de sangue e espadas, dois anjos são enviados ao mundo físico com a tarefa de resgatar Kaira, uma capitã dos exércitos rebeldes, desaparecida enquanto investigava uma suposta violação do tratado. A missão revelará as tramas de uma conspiração milenar, um plano que, se concluído, reverterá o equilíbrio das forças no céu e ameaçará toda vida humana na terra.

Ao lado de Denyel, um ex-espião em busca de anistia, os celestiais partirão em uma jornada através de cidades, selvas e mares, enfrentarão demônios e deuses, numa trilha que os levará às ruínas da maior nação terrena anterior ao dilúvio – o reino perdido de Atlântida.

“— (…) Alguns mistérios são e sempre serão indecifráveis. Especialmente para nós.
— Por que “especialmente”?
— Cada porta aberta leva a muitas outras, portanto, mais afastados estamos da verdade. Por isso, minha filosofia é simples: dirija rápido, mantenha-se bêbado e nunca dispense uma boa briga.”

Muitos de vocês já devem ter ouvido falar do Eduardo Spohr e do best seller A Batalha do Apocalipse, que foi o maior sucesso em vendas de 2010 e uma das revelações na literatura nacional. Eis que agora ele está de volta, com uma série de livros sobre o mesmo universo de ABdA, porém, explorando outros personagens. Dica: você não precisa ler ABdA antes de começar a ler essa série, aliás, é melhor e menos confuso se você começar por Herdeiros de Atlântida. Mas vamos ao que interessa!

Herdeiros de Atlântida trata da grande guerra dos céus entre os arcanjos Miguel – que, por pura inveja e ódio, deseja aniquilar os seres humanos da face da Terra – e Gabriel, o arcanjo que, por estar constantemente na Terra e viver entre nós, se rebelou para proteger a nossa raça. Porém, nesse livro Eduardo nos mostra a visão dos soldados no meio dessa guerra, os meros peões em um plano muito maior do que qualquer um pode imaginar. Temos algumas histórias paralelas ocorrendo ao mesmo tempo: a história Kaira, uma celestial que estava em uma missão na Terra junto com seu guarda costas, porém acabou perdendo sua memória; os secundários Urakin e Levih, dois anjos, que são enviados à Terra com a missão de resgatar Kaira; a história do misterioso, trapaceiro e atrante Denyel, um querubim exilado, que procura ser incorporado nas legiões rebeldes de Gabriel; e por fim, a história paralela do Primeiro Anjo, um personagem sombrio e do qual pouco aprendemos, porém fica claro que esse pouco será fundamental para os outros livros da série.

É impossível falar de todos os personagens aqui (pois eles são muitos, e cada um com uma particularidade interessante) mas não posso deixar de ressaltar alguns. É complicado falar sobre Kaira, uma das personagens centrais da história, sem dar espaço para spoilers, mas é interessante como a perda de memória da personagem serve de apoio para o autor explicar aos leitores algumas das ‘regras’ do mundo celestial, histórias, hierarquias e etc. Denyel, o querubim exilado, funciona como um escape cômico para a história: quase sempre que ele abre a boca é garantia de risos. Por estar vivendo tanto tempo na Terra é muito fácil perceber os lapsos de sentimentos e atitudes humanas que o anjo tem. Acho que essa faceta cômica e mais humana, apesar de se tratar de um anjo guerreiro, deu um grande carisma ao personagem. Outros dois grandes personagens do livro, na minha opinião, são o doce ofanim Levih, também chamado de Amigo dos Homens e seu companheiro de missão, outro querubim, o brucutu Urakin, também conhecido como Punho de Deus; ambos enviados à Terra com a missão de encontrar Kaira.

Uma boa analogia seria comparar o livro com um quebra-cabeças: vamos recebendo pequenas peças no começo da narrativa e, com elas, formamos a estrutura de fora do quebra-cabeças. A cada capítulo lido, vamos compreendendo mais e mais sobre a guerra e as intenções pessoais de cada um, até formamos a imagem completa (ou quase completa :P) ao final desse primeiro volume.

A descrição dos personagens e ambientes é um fator positivo na narrativa, pois ao mesmo tempo que elas são simples nos fazem imaginar as cenas com uma riqueza de detalhes, nos fazendo sentir dentro da história, como coadjuvantes, ali no cantinho assistindo as ações dos personagens. Gostei muito do fato do livro ficar em cenários nacionais como o Rio e a Amazônia. Eduardo prova, mais uma vez, que as histórias fantásticas não precisam se passar em outros países para serem mais verossímeis. Herdeiros de Atlântida é, acima de tudo, um livro de aventura e ação, mas podemos perceber ao longo da história traços de mitologia (o próprio título dá a dica, quem aí nunca ouviu falar da história da cidade perdida de atlântida!), história e filosofia. Eu, particularmente, achei muitas passagens permeadas de questões altamente filosóficas, que nos fazem pensar e refletir, ir além do que está ali no papel.

O livro pode parecer um tanto confuso para os leitores mais desatentos e que não estão acostumados com literatura fantástica, que geralmente possue inúmeros personagens. Vejam bem, temos histórias paralelas acontecendo ao mesmo tempo, a narrativa não é linear e somos levados ao passado e ao futuro constantemente. Além de a maioria dos personagens ser chamada de mais de um nome. Kaira por vezes é chamada de Centelha Divina, Gabriel de O Mestre do Fogo ou ainda Força de Deus, etc. Portanto esse é um livro que merece uma boa dose de concentração durante a leitura, caso contrário você pode facilmente se perder. Não achei que é um fator que chega a realmente atrapalhar a leitura, a minha fluiu normalmente e me acostumei com os outros nomes facilmente. Mas se você é do time dos que se perdem com facilidade, tem uma lista dos personagens como apêndice no final do livro pra ajudar.

Aliás, o apêndice é um incrível adicional para entender/complementar a história. Lá temos uma linha do tempo com os principais acontecimentos da história, um guia explicativo das camadas dos Céus e um Guia das Castas Angélicas, que, apesar de ressaltar ao tempo todo ao longo da história, que tal e tal personagens tomam certas atitudes – que a princípio parece absurda para nós, humanos – pois é da natureza da casta. Por exemplo, os querubins são anjos guerreiros e, por mais que uma luta pareça perdida, eles não conseguem “fugir da briga. Com os ofanins (o caso do inocente Levih) é o oposto, eles são anjos defensores e odeiam confrontos.

Mas uma das coisas que eu mais gostei sobre o livro foi que, ao mesmo tempo que ele levanta inúmeros mistérios, a maioria deles é relevado para o leitor ao longo (ou no final) da leitura. Não ficam quinhentas dúvidas acumuladas para serem respondidas no próximo livro da série, que, inclusive, já tem título: Anjos da Morte.

Caso a proposta do livro tenha despertado a curiosidade de vocês (ou não!) “percam” uma hora do dia de vocês e ouçam o podcast sobre o livro: Filhos do Éden e o Spohrverso no qual o autor discute sobre a série (sem spoilers!). Mas atenção o podcast tem spoilers sobre o livro A Batalha do Apocalipse.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

7 comentários

  1. Ai que ootimo!!! Adoro o tema do livro “A Batalha do Apocalipse” e provavelmente vou gostar muito deste também!
    Obs: otima resenha…
    bjs, Mah

  2. Sério… EU PRECISO de um livro de algum autor brasileiro.
    Necessidade literária! Preciso de uma promoçãozinha (e ganhá-la tb).
    =*

  3. Obrigada pelo elogio Marcela!

    Isa, dá uma olhada no site da Saraiva, o livro estava por 19,90 esses dias!

  4. Já li “A Batalha do Apocalipse” e achei muito bom, e to ansiosa por ler esse.
    Uma dúvida: Ablon aparece nesse livro?

  5. Nossa , eu to louca pra ler esse livro , eu ja li “A Batalha do Apocalipse” e amei.
    Kelly eu acho que o Ablon não aparece nesse livro não ;/;/

  6. Olha é simplesmente maravilhoso tanto quanto a Batalha dos Anjos, vale a pena.

  7. Desculpem Batalha do Apocalipse..

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