sábado, 18/11/2017
Últimas do LeS:
Capa » Resenhas de Série » Resenha: “O aliado oculto”, de Daniel Silva

Resenha: “O aliado oculto”, de Daniel Silva

Livro: O Aliado Oculto
Série: Gabriel Allon
Autor: Daniel Silva
Editora: Amarilys
Páginas: 450
Resenha por: Bruna
Comprar: Saraiva Cultura Submarino

Poucos meses após o sucesso de uma operação que desmantelou uma perigosa célula terrorista islâmica, Gabriel Allon – o obstinado herói do serviço secreto e um dos melhores restauradores de arte do mundo –, volta a campo para o que prometia ser uma simples missão de controle de danos: viajar até um país estrangeiro para limpar os arquivos de um colaborador local que fora assassinado. Assim que chega à Holanda, porém, Gabriel descobre indícios de uma conspiração terrorista com origem no submundo de Amsterdã: um plano prestes a se desenrolar do outro lado do Canal Inglês, em plena capital do Reino Unido. O alvo da ação torna-se conhecido com o violento sequestro de Elizabeth Halton, a filha do embaixador americano em Londres. No entanto, ao expor-se diante dos sequestradores, Gabriel também tem seu destino selado. Trabalhando mais uma vez em colaboração com o serviço de inteligência americano, ele se vê numa corrida contra o tempo para resgatar Elizabeth antes que não cumprimento de exigências que colocariam o mundo inteiro em perigo a condene a uma execução brutal. A busca o leva da Alemanha até os recônditos da Dinamarca, forja uma aliança inusitada com um homem que perdeu tudo por conta da devoção ao Islã e o força a questionar a legitimidade das táticas habituais em seu ofício. Um dilema moral que pode colocar sua própria vida na berlinda.

– (…) Infelizmente, os objetivos dos terroristas não mudaram e a geração que logo irá emergir dos escombros deixados no Iraque será muito mais violenta e volátil do que a que saiu do Afeganistão.
– E se ousarmos contra-atacar, somos acusados pelos próprios terroristas de sermos os verdadeiros terroristas.
– Essa é a arma secreta deles, Mikhail. É bom se acostumar. (…)

Muito melhor do que o seu precedente, porém com o mesmo tema central sobre o terrorismo, O aliado oculto pode ser definido com apenas uma palavra: atual. Apesar de ter sido lançado originalmente em 2007 e aqui no Brasil em 2010 pela editora Amarylis – que fez um ótimo trabalho de tradução e deixou as capas da coleção muito bonitas – o tema do livro não está desgastado, muito menos desatualizado. Temos nesse livro como personagem principal novamente Gabriel Allon, um excelente (ocasional) profissional do Serviço Secreto israelense e exímio restaurador de arte. Gabriel é chamado por seus “chefes” para uma missão aparentemente de rotina: ir para Amsterdã examinar os arquivos de um analista de terrorismo holandês, que foi assassinado e era um contato do Serviço Israelense. Porém ao chegar na cidade, Allon descobre uma conspiração terrorista sendo promovida no undergroung islâmico de Amsterdã.

O plano? Sequestrar Elizabeth Halton, a filha do embaixador dos Estados Unidos na Inglaterra. Gabriel e seu ótimo instinto chegam com apenas alguns segundos atraso e ele não consegue salvar Elizabeth, e se vê, novamente, levado até a inteligência americana para trabalhar no resgate da jovem sequestrada, em uma corrida frenética contra o tempo.

Como afirmei no começo da resenha, esse livro tem uma temática super atual e nos ajuda compreender melhor os conflitos que ocorrem nos dias de hoje em nosso mundo. Como o autor, Daniel Silva, trabalhou como correspondente da CNN, ele dá um tom real à sua história e chega a ser aterrorizante pensar que, para os habitantes de alguns países europeus, a probabilidade de um ataque terrorista ocorrer a qualquer momento é muito alta. O autor também mostra o lado dos terroristas e como eles acreditam estar fazendo o que acham que é certo, e sua enorme fé. Nesse livro fica claro que é praticamente impossível argumentar com os extremistas.

Uma das coisas que me faz gostar muito dos livros do Daniel é que sua personagem principal não é americana, nem britânica, não faz parte da CIA, FBI, MI5, MI6. O fato de Gabriel Allon ser israelense e membro do Serviço Secreto dá um ar completamente diferente a toda história. Não existe aquele patriotismo fanático americano, mas sim uma crítica à atitudes tomadas por esse país. Não existem agentes fodões a lá James Bond cheios de tecnologias, que pulam de aviões; temos agentes reais, com sangue frio, armas boas porém simples e milhões de histórias de operações realizadas para contar. Chega a ser genial o quanto Gabriel conhece sobre as atitudes do inimigo, conseguindo, a praticamente todo momento, antecipar os movimentos deles.

É uma leitura bastante densa, não tente ler esse livro em 3, 4 dias. Você pode até conseguir, mas será uma leitura superficial e você vai perder uma ótima oportunidade de entender melhor essa guerra do terrorismo, os conflitos no Egito, as verdadeiras intenções de um terrorista e suas motivações, os problemas pessoais de alguns países da Europa e como não se pode generalizar um povo todo. Lembrando, claro, que apesar de essa ser uma obra de ficção, em alguns momentos ela parece – assustadoramente – real demais.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Hm… parece bem interessante. Vou dar uma pequisada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*