terça-feira, 17/10/2017
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Resenha: “As últimas quatro coisas”, de Paul Hoffman

As últimas quatro coisasLivro: As últimas quatro coisas
Série: A Mão Esquerda de Deus
Autor (a): Paul Hoffman
Páginas: 304
Editora: Suma de Letras
Resenha por: Kinina
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Folha Americanas

Morte, julgamento, céu e inferno. Estas são As últimas quatro coisas a que o personagem de Paul Hoffman se apega na continuação da trilogia A Mão Esquerda de Deus, publicada pela Suma de Letras. De volta ao Santuário dos Redentores, Cale é informado pelo General Bosco de que a destruição da humanidade é necessária. Seria a única maneira de corrigir o maior erro de Deus e de alcançar os objetivos de Bosco, dentre eles, transformar um simples garoto em um destruidor impiedoso. O papel de Cale é fundamental nesse processo: ele é a Mão Esquerda de Deus, o Anjo da Morte. O poder absoluto está ao seu alcance, e o impressionante aparato militar dos Lordes Redentores é sua maior arma, que ele manipula com destreza. Mas talvez nem mesmo os Redentores consigam controlar Cale por completo. O menino que é capaz de ir da bondade à violência mais brutal num piscar de olhos é certamente capaz de aniquilar os inimigos da fé como se espera dele – mas a alma deste jovem é muito mais estranha e imprevisível do que seus mentores podem esperar. Em As últimas quatro coisas, Paul Hoffman dá novas dimensões a seus personagens, proporcionando uma maior compreensão de suas ações, e lança a seguinte questão: quando chegar a hora de decidir o destino do mundo, de garantir a destruição da humanidade ou poupá-la, o que Thomas Cale fará? Irá expressar a vontade de Deus com a ponta de sua espada ou perdoará seus iguais – e a si mesmo?

Cale está de volta ao Santuário dos Redentores, mas agora ele não é mais um alcólito e sim a forma humana da fúria de Deus, de acordo com o Redentor Bosco. Convencido que foi traído por seu amor Arbell “Pescoço de Cisne”, amargurado, Cale aceita a posição de anjo da morte, começa a liderar o exército de Redentores e luta ao lado daqueles que sempre o oprimiram. Enquanto Cale trava guerra contra os inimigos do Redentores, Bosco luta por seus interesses. Quando Cale descobre que o motivo da guerra contra os Antagonistas faz parte do interesse pessoal de Bosco, ele foge novamente. Mas desta vez ele não irá acompanhado apenas de amigos, e sim de Redentores que foram renegados e que lutaram ao seu lado.

A personalidade de Cale está mais forte neste livro. Por acreditar que é a mão esquerda de Deus, ele começa a se aproveitar da situação de respeito e medo que os Redentores têm dele e por muitas vezes tem um comportamento arrogante, fazendo com que os personagens e o leitor se sintam incomodados com seu novo jeito.

Mais da metade da história é descrição de brigas, batalhas, invasões, mortes, mortes e mais mortes o que a torna cansativa. Em alguns momentos o autor te lembra dos personagens antigos. O que aconteceu com Arbell depois que Cale foi levado embora de Memphis e a cidade se acabou? Qual é o paradeiro do estranho Idris Pukke? Kleist está do seu lado ou está o acompanhando apenas nos falta de opção? O que Henri Embromador fará quando seu caminho se cruzar novamente com o de Cale? As melhores partes da história são quando você consegue essas respostas.

Novamente, o mais surpreendente do livro acontece nas últimas páginas, quando Cale se encontra com Arbell e promete vingança. Nesse momento ele mostra toda a raiva e mágoa que sente por ela e pelo o que teve que passar por causa dela, e ai sim fiquei convencida de que ele pode ser a mão esquerda de Deus e realizar os planos de Bosco contra a humanidade.

A saga, além dos livros, tem um hotsite para cada parte da história. No site www.asultimasquatrocoisas.com.br você terá acesso a um aplicativo do Facebook que te transformará no anjo da morte, assim como Thomas Cale, e decidirá quais seus amigos irão para o céu e quais irão para o inferno.

[ OFF ]
Poucos dias depois que terminei de ler esse livro li uma reportagem em uma revista sobre a campanha Koni 2012. Em poucas palavras, Joseph Koni é um guerrilheiro africano que a 20 anos aterroriza o coração da África ao raptar, escravizar e militarizar crianças em prol da sua guerra pessoal contra a Humanidade.

A saga “A Mão Esquerda de Deus” trata exatamente do mesmo assunto: fanático religioso que rapta crianças e as militariza em prol da sua guerra pessoal contra a Humanidade. A diferença é que não conseguimos definir em qual parte do mundo a história acontece. Será que Paul Hoffman está escrevendo sobre algo que acontece há anos ou apenas coincidência?

A campanha Koni 2012 tem como objetivo usar as redes sociais e suas infinitas conexões para difundir a lamentável situação que vem acontecendo na África desde 1986 e propõe uma mobilização mundial contra Koni, e pretende chamar as atenções de celebridades e políticos para prenderem guerrilheiro ainda esse ano.

Sobre Kinina

Formada em Hotelaria e Análise de sistema, mas trabalha com Atendimento em uma agência publicitária. Passo o tempo lendo, assistindo seriados, ouvindo música e tendo ideias malucas. Vai que um dia alguma dá certo e ela fica rica e famosa...

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