sexta-feira, 20/10/2017
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Resenha: “O temor do sábio”, de Patrick Rothfuss

Livro: O temor do sábio
Série: As crônicas do Matador do Rei
Autora: Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Páginas: 960
Resenha por: Lais Baptista
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Fnac Folha Americanas

“Lembre-se de que há três coisas que todo sábio teme: o mar na tormenta, uma noite sem luar e a ira de um homem gentil.”

O temor do sábio dá continuidade à impressionante história de Kvothe, o Arcano, o Sem-Sangue, o Matador do Rei.

Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens.

Em busca de um patrocinador para sua música, viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Lá, é rapidamente envolvido na política da corte. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir que ele seja envenenado e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos.

Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver – até agora. Kvothe também conhece um guerreiro ademirano que o leva a sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos.

Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo.

O temor do sábio começa imediatamente onde O nome do vento nos deixou. Kvote está em sua hospedaria contando sua historia a seu aprendiz, Bast e ao Cronista. É preciso parar e pensar que todo o primeiro livro se passou, de certa forma, em um único dia. Acompanhamos boa parte da vida de Kvote e agora vamos continuar a trajetória.

Eu demorei um pouco a me ambientar de novo. Esse é um problema de livros densos como esse. E a estratégia que Patrick Rothfuss empregou de ter dois momentos no tempo simultaneamente, sendo que um está narrando outro não exatamente permite recapitulações. Então a menos que você tenha tudo fresquinho na cabeça, durante um pequeno pedaço do livro, você vai fazer um esforço para se lembrar dos detalhes.

Ainda assim, isso permite que o segundo livro d’A crônica do Matador do Rei tenha um ritmo bem mais acelerado do que o primeiro. Não precisamos ser apresentados à simpatia, já sabemos como ela funciona. Temos novos personagens, claro, mas já existem não sei quantos na bagagem. E já existem histórias e tramas em andamento. Que se desenrolam de formas um tanto quanto inesperadas.

Eu achei alguns trechos do livro com um clima de lenda. Quase algo que eu esperaria ouvir no interior, à beira de uma fogueira ou fogão à lenha, contado por uma vó ou primo mais velho. E acho que era essa a intenção do autor. Desde o primeiro momento podemos perceber que, em seu mundo, Kvote é encarado como um personagem de lendas, de histórias para crianças, muitos nem acreditam que ele realmente existiu. E agora, mais do que antes, podemos ver como ele construiu essa fama. Eu gostei em partes, tenho que admitir que tiveram momentos que só a curiosidade me manteve lendo. Sou uma pessoa muito curiosa.

Mas quando Kvote (e Rothfuss) deixa a lenda de lado e foca no que realmente aconteceu na sua vida e que não é de conhecimento geral, tudo fica absurdamente interessante. A parte do treinamento dele com os ademrianos, que poderia ser bem entediante, foi muito dinâmica e profunda. Acho que até eu aprendi um pouco da Lethani. E isso acontece em todos os momentos que poderiam ser maçantes no livro, Rothfuss encontra uma forma de torná-los interessantes.

No geral, é uma ótima continuação para um primeiro livro fantástico. O ritmo continua acelerado e a história continua prendendo. Mas, pra quem puder, recomendo ler os dois em seqüência para não perder nenhum detalhe (que eu tenho certeza que devo ter perdido).

Sobre Lais

Uma biomédica que ama livros, cupcakes e gatinhos. Pottermaníaca confessa, divide seu tempo entre internet, séries, cozinhar doces, eventuais atividades de geneticista e ficar espiando pelo canto do olho se sua carta de Hogwarts finalmente chegou.

5 comentários

  1. Achei essa continuação a altura do primeiro volume. É inegável a maestria com que Rothfuss nos conta a história de Kvothe. Eu adorei as histórias dentro da história. Adorei o roubo da lua, a vivência de Kvothe com Feluriana… O caminho da Lethani também foi muito interessante. É um livro imperdível.

  2. Oi, adorei sua resenha. Espero que não se importe, mas usei um trechinho dela na minha: http://contandoentrelinhas.blogspot.com.br/2012/10/resenha-o-temor-do-sabio.html

    Especifiquei e dei-lhe os créditos. Mas se quiser dar uma passadinha por lá e conferir…
    Beijos

  3. Acabei de terminar o livro (spoilers a frente), foram 3 semanas de leitura, tenho que confessar que me deixou um pouco desapontado. Ao terminar “O Nome do Vento”, um ótimo livro que li a 2 anos e reli agora antes de iniciar o “Temor do Sábio” pensei que fosse ver um segundo livro cheio de aventura e ação, já que o nosso herói saiu da faculdade indo para o mundo externo procurando o nome do vento…mas não foi isso que aconteceu, tem algumas passagens legais, mas no contexto geral a trama não evoluiu, adicionou pouca coisa ao personagem, um ou outro ensinamento, pouca coisa em comparação ao o primeiro livro. Isoladamente não seria um livro que recomendaria por ser muito extenso e dizer pouco, mas como faz parte de uma trilogia espero que o terceiro livro justifiquei a leitura desse e traga uma nova visão sobre os acontecimentos apresentados nesse segundo livro.

  4. Luis Alexandre Dalposso

    Não sei como o Patrick consegue, terminei de ler esse livro amando-o mesmo não tendo conseguido nenhuma resposta!

    Apenas mais perguntas: “Da onde veio o Bast?”, “Ele diz que a guerra é culpa dele, pq?”, entre outras.

    Só tenho medo do terceiro livro, espero que ele consiga fecha a história por completa.

  5. Estou no começo (já que o livro tem 960 páginas) e continuo achando o autor um gênio. Amo as cenas de Kvothe e Auri, eles se desmancham em poesia. Por outro lado, não consigo gostar de Denna. Enfim, o livro é muuiito bom e o número de personagens adoráveis ultrapassa o que eu posso contar. São muitos tipos interessantes <3
    Espero que o terceiro seja tão poético quando os outros dois.

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