sexta-feira, 20/10/2017
Últimas do LeS:
Capa » Notícias » Resenha: “Bala santa”, de Luís Miguel Rocha

Resenha: “Bala santa”, de Luís Miguel Rocha

Livro: Bala Santa
Série: O último Papa
Autor (a): Luís Miguel Rocha
Páginas: 563
Editora: Agir
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva Fnac Cultura

“Nenhuma bala pode matar se não for essa a Sua vontade.” – Irmã Lúcia, em carta a João Paulo II.

Depois de surpreender o mundo com O último papa, thriller baseado na estranha morte do papa João Paulo I em 1978, Luís Miguel Rocha fisga mais uma vez os leitores com Bala santa, a continuação de uma história de conflitos, intrigas e mistérios dentro da Igreja Católica. Desta vez, o ponto de partida é maio de 1981, quando o papa João Paulo II sofre um atentado brutal no Vaticano. Em Bala santa, as dúvidas sobre os fatos se misturam com as respostas oferecidas pela imaginação do autor. O resultado é uma trama hipnotizante, que faz pensar: será esta apenas uma obra de ficção?

(…) Cala-se, propositadamente, durante alguns instantes, para aumentar o suspense. – Havia um bispo no Vaticano, que já foi aqui mencionado, que não era quem parecia.
– Ninguém é o que parece em lado nenhum. Especialmente no Vaticano. – declara Rafael.

Maio de 1981, Cidade do Vaticano: Enquanto vinte mil crentes eufóricos se amontoavam na Praça de São Pedro à espera da audiência semanal do papa João Paulo II, um jovem de vinte e três anos, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco apesar da temperatura amena, andava entre os peregrino junto às barreiras por onde o Papa, em breve, passaria. Quando o carro que transportava João Paulo II passou lentamente junto ao lugar onde ele estava, Mehmet Ali Agca puxou a arma do bolso e disparou seis vezes à queima-roupa, antes de ser impedido pelas pessoas que o rodeavam e detido pelas forças de autoridade. Embora tenha sido gravemente ferido, João Paulo II sobreviveu ao atentado. Mais tarde, atribuiu a sua sobrevivência a uma intervenção divina de Nossa Senhora que guiou a bala dentro do seu corpo afim de evitar órgãos vitais e artérias.

Depois de abordar a polêmica morte de Albino Luciani, o Papa João Paulo I, Luís Miguel aborda nessa sequência o atentado à vida do sucessor de Luciani: Karol Józef Wojtyla, um dos papas mais queridos da história da Igreja Católica: João Paulo II. Claro que esse evento virou alvo de intensa especulação, com todos criando sua própria teoria conspiratória. Um atirador louco? Um religioso fervoroso? Potências estrangeiras e seus respectivos serviços secretos? Sou suspeita para falar pois adoro um livro que trata de questões conspiratórias e abertas como essa, ainda mais quando estão relacionadas à religião.

Bala Santa é não é diferente de seu antecessor, O último Papa, porém traz um enredo mais maçante. São muitas histórias paralelas acontecendo, que, aparentemente não possuem ligação nenhuma, porém que acabam se conectando quando chegamos perto do final do livro. Talvez pelo fato desse volume ser mais comprido que o anterior isso tornou a leitura mais complexa. Além das cenas desconexas, o autor apresenta, quase sempre, um personagem misterioso nelas, do qual nós leitores não fazemos ideia de quem seja até juntarmos as peças ao longo da leitura. Isso acontece desde as primeiras páginas do livro até o final, o mistério e o suspense estão sempre presentes.

Muitos personagens são os mesmos do livro anterior, com novas adições. São muitos os personagens presentes na narrativa – históricos e ficcionais – que fica difícil comentar sobre todos então irei falar apenas dos mais principais. Entre os ficcionais, e heróis, temos Sarah Monteiro e Rafael. Sarah que era uma jornalista, agora trabalha como editora em um importante jornal. Filha de pais português e mãe inglesa, a personagem está em posse de documentos muito importantes e, por isso, sua vida está em risco. Rafael é o personagem misterioso que trabalha para o Vaticano. Apesar de suas atitudes de espião e de não hesitar em puxar o gatilho quando necessário, Rafael é um padre, fato que torna seu personagem muito contraditório, porém muito carismático.

Um personagem que é baseado em uma pessoa real, além do próprio João Paulo II que vale a pena mencionar é Paul Marcinkus. Um arcebispo norte-americano que foi diretor do Banco do Vaticano, entre 1971 e 1990. Encabeçou inúmeros de escândalos financeiros envolvidos com lojas maçônicas, outros bancos e até mesmo com a máfia italiana. Seu nome está vinculado com lavagem de dinheiro, empresas de fachada e até mesmo desaparecimento de duas jovens que serviriam para barganhar Mehmet Ali Agca. Pra quem acha que é tudo intriga da oposição com o coitado do Marcinkus, dá uma jogadinha no Google.

Um aspecto do livro que não me agradou foi o fato de ele ter sido publicado aqui no Brasil com o Português de Portugal. Dá pra entender, mas acredito que muitas pessoas desistiram do livro nas primeiras páginas por não estarem familiarizados com algumas palavras. Isso pode ter formado uma barreira com os leitores. Afinal, o livro foi best seller em vários países. Bala Santa é um ótimo livro, apesar dos pesares, mas acredito que tenha um público mais estrito visto que sua temática não é das mais populares em nosso país.

E pra quem acha que a polêmica acaba por aqui, está enganado. Luís Miguel lançou um novo volume dessa série no ano passado: A Mentira Sagrada, que deve ser lançado em breve no Brasil.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*