quinta-feira, 19/10/2017
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Resenha: “O amante da virgem”, de Philippa Gregory

Livro: O amante da virgem
Série: Tudors
Autor: Philippa Gregory
Editora: Record
Páginas: 445
Resenhado por: Karol
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Após o sucesso de A irmã de Ana Bolena, Philippa Gregory prova por que tem sido apontada como a grande autora de romances históricos. Suas descrições precisas conduzem o leitor através da exuberância e da hipocrisia da corte inglesa do século XVI. Neste romance encantador, a escritora traça o retrato da rainha Elizabeth I, conhecida como a ‘Rainha Virgem’. Coroada aos 25 anos, a jovem monarca encontra as finanças de seu reino em ruínas, além de um exército completamente desmoralizado. Apaixonada por um aristocrata casado, a ambiciosa rainha não vai medir esforços para conquistar seu grande amor.

É com muito pesar que venho através desta resenha dizer que, apesar da minha grande devoção e completo louvor à grande autora, que esse livro me foi decepcionante.

Vou por partes para não machucar a nenhum de vocês, também fãs da Philippa, e para não ficar triste comigo mesma. Os primeiros livros da série Tudors são super ‘ativos’. Por ativos quero dizer que Philippa conseguiu colocar, na maioria das vezes, em mais que 500 páginas, uma quantidade de história e estória que deixa o livro impossível de se largar. Os acontecimentos, por mais ficcionais que fossem, aconteciam de forma rápida, prendendo a atenção do leitor. Com ‘O amante da virgem’ não consegui ver isso. Pela primeira vez com essa série, eu me vi muitas vezes pensando ‘ok, já deu por hoje!’. Fiquei pensando comigo mesma, a história da Elizabeth I é tão cheia de acontecimentos, ela passou 45 anos no trono, então por que a Philippa não acelera isso e sai dessa mesmice?! Cheguei a conclusão de que no último livro da série, ‘A outra rainha’ -que fala sobre a Mary Stuart- mais fatos sobre a vida da rainha que levou a Inglaterra para Era Dourada, serão contados.

A autora se prendeu ao romance entre a jovem monarca e seu grande amor, Robert Dudley, e como todos sabem como termina, ficou nisso o livro inteiro. Os personagens principais não são simpáticos em momento nenhum. Robert Dudley é o tipo de homem que faz qualquer mulher querer enforcar ele, Elizabeth – que no livro anterior mostrou ser uma garota esperta e cheia de artimanhas- é bobinha e somente de vez enquando tem lapsos de inteligência e sagacidade. William Cecil, o grande conselheiro da rainha, por mais bonzinho que pareça, não chega a ser um personagem cativante, e Amy Dudley sofre tanto que dá vontade de dar na cara dela com uma cadeira.

Ao contrário de mim, vi por ai umas resenhas onde as pessoas dizem o quanto gostaram do livro. Mas antes de você, caro leitor, ler o livro e escolher um lado, aviso que essas mesmas pessoas usaram de argumentos estranhos para explicar o porque gostaram tanto do livro, e entre eles o fato de ‘descobrirem o lado negro de uma rainha tão poderosa da história, da qual sempre foram ídolos’. Antes que esse também se torne seu argumento, devo lembrar que o livro é FICCIONAL e que os acontecimentos não são reais. Que Elizabeth e Dudley eram apaixonados, todos sabem que é verdade, isso é um fato histórico, agora que o modo como Philippa descreve é o real, é mentira! Não se peguem à isso achando que o livro lhe trouxe uma carga histórica a mais, pois é tudo brincadeirinha, viu?!

Comparado a outros livros, de diferentes autores, ele não é ruim. Fiz essa resenha baseada nos outros volumes da série e a conclusão é de que falta emoção. Mas não me julguem, Philippa Gregory continua sendo a melhor autora histórica que eu já li, uma mulher de grande criatividade e com um dom maravilhoso de nos entreter. Leiam SIM o livro, mas já aviso que os outros são melhores. Talvez meu lado de fã da Elizabeth I tenha me deixado um pouco decepcionada com a Elizabeth que Philippa montou, ou talvez não, já que em ‘A irmã de Ana Bolena’ ela apresenta uma Ana nada boazinha e diferente de como a vejo e o livro continua sendo meu favorito. Deixo pra vocês lerem, tirarem suas conclusões e virem conversar comigo sobre o assunto!

Vamos agora ao último livro e descobrir como Philippa vai concluir sua série sobre uma das mais conturbadas e maravilhosas dinastias existentes. Sim, puxo o saco mesmo, pois sou uma Tudor-fanática ;D

Sobre Karol

Atriz ruiva tão viciada em Shakespeare que foi até parar lá no palco do Globe Theatre de Londres de tanto que encheu o saco! Sem papas na língua,que sempre dá preferência a livros históricos e com culturas diferentes. Não leu Harry Potter ou Senhor dos Anéis, jogou Crepúsculo longe no meio do segundo livro mas é capaz de devorar qualquer livro que contenha um rei, um indiano ou um espírito no meio. Estranha, usa personagens românticos como referencia quando briga com o namorado, transforma tudo em um drama histórico e deseja silenciosamente transformar todos os livros que lê em filme.

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