segunda-feira, 16/10/2017
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Resenha: “Os homens que não amavam as mulheres”, de Stieg Larsson

Livro: Os homens que não amavam as mulheres (#01)
Série: Millennium
Autor: Stieg Larsson
Páginas: 522
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Paulo Neves
Resenha por: Bru Fernández
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Primeiro volume de trilogia cult de mistério que se tornou fenômeno mundial de vendas, Os homens que não amavam as mulheres traz uma dupla irresistível de protagonistas-detetives: o jornalista Mikael Blomkvist e a genial e perturbada hacker Lisbeth Salander. Juntos eles desvelam uma trama verdadeiramente escabrosa envolvendo a elite sueca.

Quem acompanha minhas resenhas sabe que sou uma grande fã dos livros de suspense e policiais. Sempre ouvia falar muito bem da saga de Stieg Larsson mas nunca tinha parado para ler a sinopse ou me informar mais sobre o conteúdo do livro, e, confesso, o título desse primeiro livro da trilogia nunca me chamou a menor atenção. Sabe como as pessoas julgam o livro pela capa? Pois é, tenho a péssima mania de julgar pelo nome/título e já me enganei em inúmeros casos.

Os homens que não amavam as mulheres nos mostra duas histórias de distintos personagens: o jornalista Mikael Blomkvist, co-proprietário e editor-chefe da revista Millennium, uma revista que desmascara escândalos de grandes proporções principalmente na área das finanças; e a jovem e alternativa hacker Lisbeth Salander, uma jovem que aparenta ser bem mais nova do que realmente é, que vive sob tutela do governo, cheia de piercings e tatuagens com problemas de socialização. Aparentemente as histórias de ambos correm sem aparente ligação, mas obviamente as histórias se cruzam.

Começamos o livro com um prólogo interessante: um senhor recebendo um quadro com uma planta seca enquadrada nele, que faz parte de uma vasta coleção. Descobrimos que esse personagem misterioso recebe um desses por ano, porém nada mais além disso. O prólogo se fecha e seguimos para o início da narrativa com Mikael Blomkvist sendo declarado culpado em um caso de difamação contra uma das mais influentes personalidades suecas: Hans-Erik Wenneström. Mikael deve pagar um alto valor e ainda deve cumprir três meses de prisão. Ele então decide se afastar um pouco da revista. Paralelamente a isso, seguimos a vida de “pesquisadora” de Lisbeth, que trabalha para a Milton Security como freelancer e um de seus trabalhos é preparar um dossiê sobre a vida do jornalista Blomkvist para um dos clientes da Milton.

Esse cliente é na verdade Dirch Frode, advogado de Henrik Vanger um grande empresário da uma vez gloriosa Indústria Vanger. Ele possui um passado familiar conturbado e anda obcecado há 40 anos com o desaparecimento da menina dos seus olhos: a sua sobrinha Harriet Vanger. Harriet sumiu sem deixar o menor rastro na ilha em que estava com a família. Sem testemunhas ou qualquer tipo de prova sobre o que aconteceu a ela, no dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Entretanto, Henrik está convencido de que ela foi assassinada. Aproveitando-se da problemática situação em que se encontra Mikael, Henrik pede-lhe para escrever um livro sobre a biografia da família Vanger, como desculpa para investigar o desaparecimento de Harriet. Mikael reluta, mas seu instinto de jornalista acaba cedendo e ele aceita se instalar na fria ilha de Hedestad para investigar o assunto. Paralela à pesquisa de Mikael, Lisbeth passa por maus bocados, até que Blomkvist faz um importante passo na investigação e precisa de alguém para ajudá-lo em uma pesquisa e os caminhos dos dos se cruzam e Lisbeth e Mikael – uma dupla improvável, mas que funciona muito bem – começam a trabalhar juntos.

Esse é um livro bem denso e lotado de informações. A família Vanger é bem numerosa e diversas vezes me vi voltando para a página que tem um tipo de árvore genealógica para relembrar quem é filho de quem e qual a relação dos personagens. Além de numerosa podemos afirmar que a família Vanger é também repleta de pessoas estranhas. Todo mundo parece muito suspeito e descobrimos vários podres dos integrantes da família ao longo do enredo. Também é uma história pesada e cruel, abordando de diversas formas a opressão contra as mulheres. Os dados que Larsson coloca ao longo do livro nos inícios de diferentes partes sobre a quantidade de mulheres violentadas na Suécia são absurdos. Nos leva a imaginar que o caso do livro pode muito bem ser uma realidade – cruelíssima por sinal. Apesar disso, foi bom sair do circuito de histórias em lugares mais comuns e/ou fantásticos e conhecer um pouco mais sobre os costumes e a vida na gelada Suécia.

É praticamente impossível não se identificar ou ter uma enorme compaixão por Lisbeth. Sua personagem é incrívelmente bem construída e percebemos ao longo da leitura o quão errado é a impressão de incapaz que todos possuem dela: a personagem é astuta, muito inteligente e acaba sendo uma peça crucial para o desfecho do livro em diversas maneiras – tanto para o caso de Harriet quanto para o troco em Wenneström. Desfecho aliás, que é de tirar o fôlego de qualquer um. Mesmo já sabendo como tudo iria acontecer (assisti a adaptação hollywoodiana do filme homônimo antes de ler o livro) não deixei de me sentir ansiosa e assustada com os acontecimentos que iam se revelando. Esse livro é, com certeza, leitura obrigatória pra quem gosta de livros de suspense e thrillers.

Claro, não poderia deixar de falar sobre a adaptação americana do livro com Daniel Craig e Rooney Mara. (existem filmes suecos adaptados dos livros, mas ainda não tive oportunidade de assistí-los) . Quem me conhece sabe que sempre acabo criticando as adaptações por deixarem alguma parte de grande importância para o enredo de lado, mas quanto se trata dessa adaptação, só me resta aplaudir de pé quem adaptou o roteiro – vulgo, Sr. Steven Zaillian que também adaptou o romance Hannibal para os cinemas. O roteiro está impecável e os atores entraram de corpo e alma em seus personagens (principalmente Rooney que mandou muito como Lisbeth). Há tempos não via uma adaptação tão fiel e bem feita. Se você ainda não leu o livro ou assistiu ao filme, faça-os já. Ambos. Não importa a ordem.


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

12 comentários

  1. Bom dia Bruna, tudo bem? Essa trilogia eu tive muita sorte de adquirir antes mesmo de ficar super famosa. E por isso, na época, eu comprei como livro de promoção, com uma capa não tão bonita quanto as novas versões. Mas, independentemente da capa, eu li a trilogia e amei, simplesmente amei. Os livros são totalmente inteligentes, densos, cheio de detalhes e a protagonista, apesar de não ser moldada no lugar comum, é simplesmente apaixonante. Parabéns pela resenha. Ps: eu só assisti a trilogia sueca, e achei muito bem desenvolvido os filmes. Na minha opinião, vale a pena dar uma conferida. Beijos

  2. Eu queria ver a versão sueca, dizem que é tão boa quanto.

  3. Giovanna Santos

    Achei muito importante a parte em que vc fala que o Autor colocou sobre as mulheres violentadas e tenho que admitir , tinham flado para mim que esse livro e o filme eram muito pesado e me falto coragem para ler ao livro e assitir ao filme (TENHO UM PROBLEMA SERIOO EU PRATICAMENTE SOFRO JUNTO COM O PERSONAGEM )massss AMEI sua resenha e to um pouco corajosa agora .
    Sobre o filme sueco quem tem tv a cabo , ele estava passando no HBO a um tempo atras .

  4. Mariana Henriques

    Policiais e suspense não são o meu gênero de livro preferido mas a sua resenha está tão bem elaborada que vou procurar dar uma lida nessa trilogia, parabéns.

  5. Giovanna, leia sim. Apesar de ser pesado o livro aborda um assunto super sério de uma forma bem explícita, sem rodeios. Vale a pena. É muito triste pensar que isso realmente pode acontecer a tantas mulheres não só na Suécia, como no mundo todo. Se chegar a ler ou ver o filme, volte aqui depois pra dizer o que achou :)

    Obrigada pelo elogio Mariana. Mesmo não sendo sua praia, dê uma chance a esse livro. É realmente bom! E de vez em quando é bom a gente sair da nossa zona de conforto ;)

  6. Vanessa Grandin

    Eu comprei essa trilogia mas ainda não li porque fico passando outros livros na frente….mas com certeza logo vou ler…adorei sua resenha!

  7. Eu assisti a adaptação sueca e adorei. Tenho muita vontade de ler os livros e ver os outros filmes suecos e a versão de Hollywood.

  8. Marcela Biehl

    Adorei a resenha, desperta o desejo de ler o livro mas sem entregar a história.
    Assisti os filmes (americano e sueco) que são excelentes, mas a versão americana é mais fiel a descrição física dos personagens, principalmente de Lisbeth Salander e Dragan Armanskij.
    Até a próxima.

  9. Terminei esta semana de ler o livro. Adorei este tipo de suspense. Gosto de investigações pois te prende até o final. Agora posso assistir o filme.

  10. Com certeza você vai adorar o filme Telma! Uma das melhores adaptações já feitas!

  11. É a primeira vez que visito o site, e realmente adorei, parabéns rs’
    Mas, em questão ao livro, eu também sou fascinada por livros de investigação e suspense, e com certeza esse livro supriu minhas expectativas, ele é muito bom mesmo…adorei e recomendo.

  12. Eu nao vejo a hora de ler os livros, e mesmo com as criticas gostaria de ler o quarto livro. Eu só vi os filmes suecos e gostei muito.
    Parabens pelo site.

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