segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “Eon – O décimo segundo dragão”, de Alison Goodman

Livro: Eon – O décimo segundo dragão
Série: Eon
Autora: Alison Goodman
Editora: Galera Record
Páginas: 470
Resenha por: Cine
Comprar: Saraiva Cultura Submarino

Eon tem doze anos de idade e treina há anos. O estudo intensivo de Magia de Dragão, baseado na astrologia da Ásia Oriental, envolve dois tipos de habilidade: trabalho com espadas e aptidão mágica. Tanto Eon quanto seu mestre esperam que ele em breve seja escolhido como Dragoneye — um aprendiz de um dos doze dragões de energia da boa fortuna. Mas apesar de sua habilidade única com dragões de energias diversas — só Eon é capaz de enxergar mais de um dragão —, o menino guarda um segredo perigoso. Na verdade ele é Eona, uma menina de dezesseis anos que vem se fazendo passar por menino em busca da chance de se tornar Dragoneye.
Mulheres são proibidas de usar Magia de Dragão e se alguém descobrir que ela vem se escondendo, a única sentença possível é a morte. Quando seu segredo é ameaçado, a jovem e seus aliados são lançados a um destino imprevisível. Em meio a uma luta mortal pelo trono Imperial, Eon precisa encontrar a força e o poder interior para lutar contra aqueles que querem roubar sua magia… e sua vida.

Eon é um livro que ou você ama ou odeia, simples assim. Eu tive a infelicidade de começar a lê-lo durante uma daquelas ressacas literárias e apesar de ter devorado as primeiras 100 páginas em uma noite – sendo que nada importante realmente acontece no início da história – eu demorei muito mais tempo do que o planejado para lê-lo do meio para o final, onde aconteceram muitas coisas que me deixaram frustrada.
Preciso começar dizendo que a escrita de Alison Goodman é uma das mais bem feitas que eu já li, as descrições de lugares, objetos e personagens e como ela consegue envolver o leitor na história que acaba nem percebendo quantas páginas já leu, é algo que eu não me lembro de ter experimentado com muitos autores.

Eon se passa em um reino imaginário com muita influência da cultura asiática, e a pesquisa que a autora fez para conseguir ao mesmo tempo deixar extremamente clara essa influência de cultura e sociedade vista no Japão e China, mas também conseguir adicionar algo de singular na história foi um dos pontos altos desse livro.
A história em si tem muita política envolvida, o que para mim nem sempre é algo bom. Eu adoro livros de fantasia, mas não sou nem um pouco fã de livros que tem como característica principal a luta pelo poder ou repressão, mas mesmo assim a única parte que eu achei que a leitura decaiu um pouco foi no meio da história e em grande parte por conta da própria personagem principal que só acabou ganhando minha simpatia mais para o final do livro.
Veja bem, Eon(a), foi por muito tempo na história muito tapada e não conseguia enxergar algumas coisas extremamente óbvias que aconteciam em sua volta ou resolveriam seu “maior problema”, sem contar que ao mesmo tempo em que ela era extremamente corajosa, também conseguia ser muito medrosa e insegura. Claro que, muito dessa insegurança que ela apresenta é esclarecida no livro, já que fica bem claro desde o início que a sociedade em que vive é extremamente machista e não aprova mulheres no poder, mas ainda sim, foi muito frustrante ter que ler tudo sobre sua perspectiva.

Falando no machismo que é apresentado na história, preciso destacar que a autora fez um ótimo trabalho de aos poucos ir conseguindo dar mais força as mulheres da história e criar uma resistência para aquela sociedade. Aliás, os personagens do livro são extremamente únicos e abordam situações que até então eram extremamente novas para mim em livros de fantasia. Todos os personagens são extremamente bem desenvolvidos, mas mesmo assim eu não tive nenhum que realmente se tornou meu favorito.

Em suma, Eon é um livro de fantasia sim, mas não o recomendaria para aquelas leitores que só estão interessados em ler alguma aventura com seres mitológicos e por puro entretenimento. Claro que eu consegui me divertir muito lendo esse livro, mas dentre toda a batalha épica apresentada e os personagens criados, o que mais se destacou para mim é como o livro consegui ser bem escrito, se é que isso faz sentido. Eon é realmente uma história que você precisa ter uma mente aberta para ler ou pelo menos começar a leitura estando ciente de que tudo irá envolver política, terão muitos detalhes de absolutamente tudo, e que a fantasia e magia em si acabam ficando em segundo plano.

Sobre Cine

Jornalista e professora de inglês, vivendo o sonho de morar em Nova York e ainda tentando descobrir se seria possivel viver dentro de uma da Barnes and Nobles. Viciada em cultura, passa os dias tentando decidir que livros ler enquanto tenta se encontrar na vida.

Um comentário

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