quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “Dragão vermelho”, de Thomas Harris

Livro: Dragão vermelho (#01)
Série: Hannibal Lecter
Autor: Thomas Harris
Páginas: 348
Editora: Record
Tradução: x
Resenha por: Bruna
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Dragão Vermelho é a história de um agente do FBI, especializado em serial killers. Ele entra em colapso após a caçada a um psicopata extremamente perigoso. Mas seus serviços são novamente requisitados quando um serial killer começa a matar famílias inteiras, quebrando espelhos da casa e colocando os cacos diretamente nos olhos das vítimas. E para resolver esse caso, ele conta, a contra gosto, com a ajuda de um de seus maiores inimigos, o psiquiatra sociopata, o doutor Hannibal Lecter.

“Diante de Mim, é uma lesma ao sol. Está diante de um grande Começo e nada reconhece. É uma formiga na placenta. Está na sua natureza fazer uma única coisa corretamente: tremer devidamente diante de Mim. O que Me deve não é o medo, o senhor e as outras formigas. O senhor Me deve o pavor.” – p. 175

Uma das minhas temáticas favoritas em livros é serial killers, então vocês podem imaginar a minha felicidade quando ganhei Dragão vermelho de Amigo Livro no fim do ano passado. O livro “cozinhou” um pouco na minha estante até que eu resolvi pegá-lo pra ler e… não foi exatamente o que eu esperava. Aliás, uma coisa que eu estranhei muito foi a quantidade de erros que encontrei no livro, afinal não se ouve falar de livros da Record com revisão falha; e não há nome de nenhum revisor no livro, o que me levou a pensar que apesar de ter sido republicado recentemente, o livro não passou por uma inspeção mais minuciosa. Uma pena. Mas vamos ao que interessa!

Em Dragão vermelho, Thomas Harris conta a história de um serial killer que aparentemente escolhe família aleatórias para assassinar durante os períodos de lua cheia. As primerias vítimas são os Jacobi, do Alabama; depois os Leeds, na Georgia. Depois da segunda família ser assassinada, o agente do FBI, Jack Crawford, procura Will Graham e pede a sua ajuda. Will é um brilhante agente que capturou Hannibal Lecter há três anos, mas está aposentado depois de quase ter sido morto por ele. Apesar de relutar muito, Will aceita ajudar e logo após visitar as cenas do crime ele percebe que terá que visitar Lecter para pedir sua ajuda para pegar esse novo serial killer.

O momento do grande reencontro entre Lecter e Will Graham é extremamente tenso. A conversa entre os dois é perturbadora e simples ao mesmo tempo, e de longe dá para perceber como o personagem de Lecter é bem estruturado. Me peguei imaginando a pesquisa que Harris teve que fazer para montar seu personagem que se tornou um dos personagens serial killers mais famosos do mundo. A forma como, em poucos minutos ele consegue entrar na cabeça de Graham e fazê-lo se questionar, duvidar de si mesmo.

Porém, entre essa aparição e uma “breve” comunicação de Lecter com o novo serial killer e uma ou outra cena é tudo o que temos de Lecter no livro. Isso me decepcionou um pouco, pois a capa do livro nacional leva a frase: “A origem do canibal Hannibal Lecter”, e por isso eu esperava ver mais de Lecter em ação.

O serial killer, apelidado cruelmente pela imprensa e pela polícia de “Gay-dentuço” (uma tradução não muito adequada para o original “Tooth Fairy” que na verdade significa ‘Fada do Dente’), é na verdade Francis Dolarhyde. Francis é obcecado pelo quadro The Great Red Dragon and the Woman Clothed in Sun”, de William Blake e acredita possuir não só a força física, mas também a força mental do dragão vermelho, dando então, o título ao livro. O personagem é muito bem delineado e a minha percepção quanto a ele, físicamente, mudou muito ao longo da minha leitura. O autor também nos mostra o motivo de Dolarhyde ser como é ao revisitarmos o seu passado. Aliás, esse foi um dos poucos, se não o único, serial killer que eu vi ter uma oportunidade de redenção e achei o desfecho muito interessante.

A narrativa divide-se entre o ponto de vista de Will Graham e Francis Dolarhyde, sempre em terceira pessoa, e isso funcionou muito bem nesse livro, enriquecendo e dando várias informações ao leitor, que ele não teria se não fosse por essa dinâmica. Apesar de ter achado o enredo um pouco confuso, não sei se por conta da tradução ou por conta da escrita original do autor, a história é envolvente. Prever os é acontecimentos do enredo praticamente impossível e dá pra realmente sentir desespero ao virar das páginas em alguns momentos mais fortes. Aliás, despertar os mais variados sentimentos ao longo da leitura me pareceu ser um dom de Thomas, é possível sentir medo, nojo, pena, compaixão, terror, alívio, desprezo, tudo ao mesmo tempo.

Com um desfecho inesperado, Dragão vermelho não foi exatamente o que eu esperava e nem entrou pra minha lista de livros favoritos, mas com certeza é uma leitura que vale a pena pra quem gosta do gênero. Lembrando que o livro foi adaptado duas vezes para o cinema: a primeira em 1986, Caçador de Assassinos, com Brian Cox interpretando Lecter. Devido ao estouro de Silêncio dos inocentes e Hannibal: a origem do mal e suas adaptações para o cinema, houve um remake em 2002, Dragão Vermelho, desta vez com Anthony Hopkins – que já está eternizado no papel de Lecter.


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

4 comentários

  1. Bruna, eu tive as mesmíssimas impressões que vc ao ler este livro! Tô passada! rs
    A minha edição é da bestbolso mas também achei que a revisão foi ruim (também encontrei diversos erros) e talvez também a tradução (pois também fiquei confusa em alguns momentos)…e não sei se por já ter assistido ao filme e por assistir a série o livro não foi tudo o que eu esperava, mas gostei demais das partes em que pude “ver” Lecter e saber sobre a história do Fada do dente. Fora as emoções sentidas que também eram fortes em alguns momentos.
    Adorei sua resenha. Parabéns! Já leu os outros livros?
    Beijão!

  2. Eu até hoje não encontrei esse livro em edição “normal”, apenas econômica e de bolso….
    Será que ainda existe um exemplar assim ?

  3. Bru Fernández

    Oi Rafael, o link da Saraiva que está na resenha, lá em cima é para a edição que eu li e pela qual você está procurando. Vale ressaltar que ela é mais cara e não está editada de acordo com o novo acordo ortográfico. ;)

  4. Bru fernandes, vc nao conhece literatura! Dragao vermelho, prende a leitura e faz com que nossa imaginaçao e suspense tome conta do enredo

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