sexta-feira, 13/10/2017
Últimas do LeS:
Capa » Notícias » Resenha: “Assassinato na casa do pastor”, de Agatha Christie

Resenha: “Assassinato na casa do pastor”, de Agatha Christie

Livro: Assassinato na casa do pastor
Série: Miss Marple
Autor(a): Agatha Christie
Páginas: 288
Editora: L&PM Pocket
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva

St. Mary Mead. Um pacato vilarejo onde há quinze anos não ocorre um homicídio e onde as pessoas discutem a vida alheia tomando chá. Quando um sangrento crime acontece em plena casa do pastor, o alvoroço é grande. O arrogante inspetor Slack é escalado para investigar o caso. O mistério também intriga uma discreta moradora que gosta de jardinagem e de observar pássaros de binóculo, mas cujo principal hobby é o estudo do comportamento humano: Miss Marple. A estreia da sagaz velhinha, o aparecimento de personagens inusitados e a engenhosidade da trama fazem deste romance de 1930 um dos clássicos de Agatha Christie.

Dez anos depois de publicar o primeiro romance policial com seu detetive belga que se tornaria internacionalmente famoso, Agatha Christie lança o primeiro livro com a personagem que viria a se tornar a segunda mais famosa em seu repertório: Miss Marple. A senhorinha não tem nada de detetive em seu perfil, mas para uma solteirona que nunca saiu da pequena vila de St. Mary Mead ela é bem astuta: para solucionar os crimes ela não faz uso dos meios comuns como procurar pistas e interrogar suspeitos, ela se baseia única e exclusivamente no seu conhecimento do comportamento humano.

“Não houve maldade em Miss Marple, ela simplesmente não confiava nas pessoas. Embora ela esperasse o pior, muitas vezes ela aceitou gentilmente as pessoas, apesar do que eles eram.” — Agatha Christie sobre a personagem

O romance policial Assassinato na casa do pastor nos apresenta a pequena vila de St. Mary Mead e seus curiosos moradores. O primeiro que nos é apresentado é o Pastor Leonard Clement, à serviço da Igreja Anglicana, que tem a infelicidade (ou coincidência?) de desejar a morte da personagem que é assassinada – o Coronel Protheroe – logo no ínicio da história. Para ajudar, o assassinato ocorre dentro da casa do pastor, como já informa o título. O pastor vive com sua esposa Griselda (uma péssima dona de casa) e seu sobrinho Dennis. Temos também a família Protheroe, com o Coronel Lucius (um sujeito odiado por praticamente todos), Lettice (a filha do primeiro casamento do Coronel, meio atrapalhada porém muito esperta) e Anne. Ainda há Lawrence Redding um artista que está fazendo um uma pintura de Lettice e tem um caso com Anne Protheroe; Sra. Lestrang, uma misteriosa vizinha recém-chegada; Hawes, ajudante do pastor que ficou muito estranho após a data do crime e o Inspetor Slack que faz as investigações do crime.

Um dos traços dos livros de Christie é sempre esse: uma grande quantidade de personagens, afinal, ela precisa de vários suspeitos para tirar o leitor da trilha certa para a resolução do caso. Depois de ambientar a vila e os personagens, temos o assassinato. Lucius Protheroe é assassinado com um tiro na cabeça, no escritório do Pastor e ao lado do corpo foram encontrados um bilhete confuso: “6.20. Caro Clement, sinto muito não poder esperar mais pois preciso…”; e um relógio quebrado, marcando, o que a polícia desconfia ser, a hora do assassinato. Porém, apesar de uma profunda investigação torna-se impossível descobrir o culpado, pois a linha do tempo simplesmente não se encaixa, e claro, todos na vila parecem ter álibis acima de qualquer suspeita.

Miss Marple não aparece o tempo todo na narrativa, que é feita em primeira pessoa pelo próprio pastor, ela aparece apenas em momentos chaves para a história. O livro também possue mapas anexos, mostrando a localização das casas e dos caminhos possíveis de se chegar à casa do Pastor, além de um mapa da sala em que o Coronel foi assassinado. A autora é extremamente detalhista e são esses detalhes que ela deixa ao longo da história que acabam sendo cruciais na hora da resolução dos mistérios. Depois dos grandes esforços da polícia, Miss Marple se encontra com o personagem narrador no local do crime (escritório) e afirma possuir sete possíveis suspeitos. No entanto ao fazer uma ou duas observações corriqueiras, o leitor pode perceber que a sagaz senhora já elucidou todo o caso.

“Estava certo de que Anne Protheroe não tinha nenhuma pistola com ela, porque Miss Marple dissera que não. Miss Marple não é o tipo de velhota que se engana; tem uma capacidade fora do comum de estar sempre certa.” — pg. 93

Já tinha lido alguns livros com Jane Marple antes desse e confesso que ela não é, nem de longe, uma personagem que me agrada. Não gosto dos métodos empregados pela personagem pois me parece que a explicação de como ela chegou à conclusão fica muito “ao vento”, tornando o final dos livros fracos. Entretanto, esse primeiro romance me impressionou, provando ser bem melhor que alguns de seus predecessores, com um final plausível e uma explicação coerente por parte da famosa senhorinha.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Já li muitos livros da Agatha Christie, é para mim, a representante de todos os livros de Literatura Policial. Esse parece muito bom, já está na lista de leitura.
    Parabéns pela resenha :)

    http://revolucaoliteraria.blogspot.com

  2. É impossível, através da lógica, descobrir o assassino nos livros de Agatha Christie, porque ela sempre, na hora de desvendar, apresenta fatos desconhecidos pelo leitor e somente apresentados no desfecho, Impossivel descobrir, mas vale a pena tentar …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*