sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Os magos”, de Lev Grossman

Os magosLivro: Os magos
Série: Os magos
Autor: Lev Grossman
Editora: Amarilys
Páginas: 455
Resenha por: Lais Baptista
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Folha

Conheça Quentin Coldwater: um gênio precoce às vésperas de entrar na faculdade. Como a maioria das pessoas, Quentin acreditava que a magia não era algo real. Acreditava. Tudo muda quando ele é surpreendentemente admitido em uma universidade – muito antiga, muito secreta, muito exclusiva – de estudos mágicos, ao norte de Nova York. Após se esgueirar por um terreno baldio do Brooklyn na tarde de inverno em que deveria ter feito sua entrevista para entrar em Princeton, Quentin se vê, em pleno verão, no idílico campus da misteriosa Brakebills. Ali – não antes de um difícil e cansativo exame de admissão –, ele dá início a uma extensa e rigorosa iniciação ao universo acadêmico da feitiçaria moderna; ao mesmo tempo, descobre também os princípios boêmios da vida universitária: amizades, amores, sexo e álcool. Um vislumbre da vida adulta? Os anos de estudo passam rápido, mas algo não se encaixa. Mesmo aprendendo a praticar feitiços, transformar-se em animais e ganhar poderes que jamais imaginou existir, a magia não preenche o vazio que, no fundo, Quentin sempre sentiu. Após a formatura, ele e seus amigos passam a dividir um apartamento no coração de Manhattan. Dinheiro não é problema, e eles embarcam num estilo de vida hedonista e sem propósito, pontuado por crises existenciais. Uma incrível descoberta, no entanto, lança-os num projeto ambicioso, uma jornada mágica que pode ser a resposta aos anseios de Quentin. Mas essa expedição acaba tornando-se muito mais sombria e perigosa do que qualquer um poderia imaginar. O sonho de infância revela-se um pesadelo que esconde uma terrível verdade. Engraçado, irônico e deliciosamente inventivo, Os Magos, além de um verdadeiro romance de formação, é um épico de magia e exploração de outros mundos que expande os limites da ficção fantástica feita até aqui. Ao imaginar a magia como algo presente no mundo real, praticada por pessoas reais – com seus caprichos, emoções e desejos volúveis –, Lev Grossman presta tributo ao fantástico presente nas histórias de C.S. Lewis, T.H. White, Neil Gaiman e J.K. Rowling, mas constrói também seu próprio universo original, no qual a fronteira entre o bem e o mal não é exatamente tão clara, amor e sexo não são nada simples ou inocentes e conhecimento e poder têm um preço alto demais.

Pegue Harry Potter, As crônicas de Narnia, As crônicas do matador do rei, Percy Jackson e alguns outros livros de fantasia. Jogue no liquidificador. O que sai é algo MUITO parecido com “Os magos”. Não que seja ruim. Acho que de certa forma foi essa a intenção do autor. E funciona. É interessante ir reconhecendo toques de cá ou de lá e vê-los misturados para criar um mundo novo. É muito fácil se identificar com Quentin no início do livro. Afinal, quem nunca quis virar uma esquina e descobrir que o mundo mágico com o qual você sempre sonhou não só existe, como está disponível para você?

Infelizmente, não sei se isso funcionou o livro todo. Eu gostei do livro ao mesmo tempo que não gostei. Achei a história MUITO interessante, mas o ritmo acelerado demais, fiquei curiosa para ter mais detalhes de Brakebills, sobre as aulas, sobre o aprendizado da magia, coisas que Grossman não pareceu sentir necessidade de colocar no decorrer do livro. E isso levou a um dos pontos que me “irritou” um pouco. A magia em “Os magos” não tem regras. Em todos os livros fantásticos que já li que envolviam magia de alguma forma, ela é regrada, limitada. Seja por que é uma ciência seja porque os limites são morais. Eu não vi um código no mundo criado por Grossman, a magia é um pouco jogada. Embora seja dito que é algo muito difícil, mais próximo de uma ciência do que as pessoas esperam, eu não senti isso ao ler sobre como a magia é feita. Se é próxima da ciência, deveria ter limites e regras. Senti MUITA falta disso. O que deu a impressão é que a magia é tão difícil de explicar e aprender que nem o autor se deu ao trabalho de entender e explicar para o leitor.

Quentin, o protagonista, não tem muito crescimento ao longo do livro, mesmo que se passem vários anos. Ele continua agindo como o adolescente da primeira página. Em vários momentos do livro eu cheguei próximo a odiá-lo. E os personagens secundários não são bem desenvolvidos. Alice, que me pareceu ser uma personagem cheia de potencial e que desde a primeira aparição me interessou, passa o livro inteiro às sombras de Quentin, sem ser explicada e desenvolvida. Assim como todos os outros. Acho que ao querer jogar os anos de escola todos em um livro só, Grossman colocou muitos acontecimentos em pouco espaço e o que mais foi sacrificado foi um aprofundamento dos personagens.

Mas, no final do livro, tenho que dizer que Grossman se redimiu comigo em muitos aspectos. Quentin cresce, amadurece e a deixa para o próximo livro é, no mínimo, interessante. Isso sem contar que os detalhes para a trama principal desse livro foram explicados, sem deixar muitas coisas em aberto. Adoro histórias que se fecham em si mesmas. Acho que “Os magos” é um livro de um fã de literatura fantástica para outros fãs. Tem muita coisa original e algumas menções (uma em específico à Harry Potter no final do livro não tem como ser coincidência) que tornam a história envolvente.

Sobre Lais

Uma biomédica que ama livros, cupcakes e gatinhos. Pottermaníaca confessa, divide seu tempo entre internet, séries, cozinhar doces, eventuais atividades de geneticista e ficar espiando pelo canto do olho se sua carta de Hogwarts finalmente chegou.

8 comentários

  1. Poxa, Lais, eu queria muito concordar com vc… Não aguentei mais depois da metade e acabei desistindo. achei o livro arrastado… :(
    E eu, que tava louco pra ler, fiquei ultra decepcionado.

  2. Eu passei um bom tempo querendo ler esse livro, e quando li me senti super chateada.
    Vi um autor colocando Nárnia inteira com outras palavras em um livro de nome diferente e personagens com outro nome.
    Sei que a mistura pode até ser interessante, mas eu li Nárnia e fiquei chocada com a capacidade do autor de não ser realmente criativo, afinal trocar nomes e mudar uma coisa aqui ou ali, não significa ter criatividade e sim tentar modificar um pouco para as pessoas que não conhecem ou conhecem os textos originais.
    Eu li até o final na esperança de que ele fosse mudar o ritmo e fosse ser original, mas no fim só enxerguei uma cópia barata e sem utilidade que agradeci por ter pego emprestado e não comprado.

  3. Adorei sua resenha e seu blog tambem! *-*
    eu tenho esse livro e ainda estou no finalzinho.. e é uma leitura gostosa, nada de extraordinario que eu leia sem parar , mas é bem bacana!
    O autor escreve muito bem ;D
    e tenho já o Rei Mago e pelo que eu li deve ser ótimo também, pretendo começar a leitura logo ;]

  4. Olá
    Amei sua resenha, muito bem desenvolvida! Estou curiosa para ler este livro, já que sou uma fã de literatura fantástica incorrígivel!
    Li George R.R. Martin e se ele recomenda então eu leio, espero não me decepcionar pois a história me parece no mínimo interessante.
    Adoro seu blog*-* bjs.

  5. Gostei muito desse livro, o que não gostei foi da continuação. O Rei Mago teve um final muito forçado, fico até com medo de ler no futuro a provável continuação pois se for tão decepcionante quanto, posso ficar traumatizado.

  6. eu gostei do livro mas achei que a infelicidade do quentin muito exagerada afinal devia haver momentos em que ele estava feliz, SOBRIO e acho que o livro nao chegou aos pes de percy jackson que e uma aventura bem humorada ,perigosa e alegre mas a aventura de quentin chega a ser um pouco deprimente ,por

  7. Gostei bastante da resenha e é exatamente o que sinto com o livro. Já to na metade e to gostando mais do que achei que fosse gostar, apesar de ainda estar lendo com um olhar bem crítico. Vamos ver como vai ser no final das contas… Beijão.!

  8. Marih colozi

    Alguém aqui já começou a ver a série baseada no livro? Porque os amigos não são Janet e Josh, e sim Alice, Margo, Julia, Penny e Elliot, sempre mudam coisas quando transformam livros em algo televisivo. Josh na série é um esquisito que foi pra Fillory com a turma do terceiro ano que desapareceu e encontraram ele na terra nula. É muito diferente, preciso imediatamente ler os livros!

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