domingo, 17/12/2017
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Resenha: “Divergente”, de Veronica Roth

DivergenteLivro: Divergente
Série: Divergente
Autor: Veronica Roth
Editora: Rocco
Páginas: 504
Resenha por: Bruna
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Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto.

A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é.

E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.

Antes de começar essa resenha eu quero pedir desculpas. Eu nunca sei por onde começar uma resenha quando gosto muito de um livro e foi exatamente isso que aconteceu comigo quando Divergente caiu nas minhas mãos. Alguém que não esteja acostumado com livros grandes pode pegar ele na mão e soltar um sonoro palavrão ao ver que ele tem mais de 500 páginas. Mas se você tem medo de livros compridos, se acalme, a escrita de Roth é tão leve e tão envolvente que parece que o livro tem só 50 páginas e quando você termina ainda fica com a sensação de ‘quero mais’.

Divergente é mais um lançamento distópico – e adianto que sou suspeita pois ADORO o tema – uma das últimas “modas” de tema na rodinha dos livros infanto juvenis/YA Books. A expectativa desse lançamento era grande, por causa do enorme sucesso lá fora e posso dizer que ele cumpriu o que vinha prometendo.

Nesse mundo distópico, depois de muitas guerras, os antepassados dos personagens chegaram à conclusão de que a culpa do mundo em guerra era da personalidade das pessoas e sua inclinação para fazer o mal e não de suas crenças, raças ou política. Eles então se dividiram em facções que procuram erradicar as qualidades das quais cada uma acredita ser responsável pela desordem mundial. Ao todo são cinco facções: a Amizade, cujos membros culpam a agressividade; a Erudição, dos quais os membros culpam a ignorância; a Franqueza que culpa a duplicidade; a Abnegação que encontra seu culpado no egoísmo; e por fim a Audácia, cujos membros culpam a covardia.

A personagem principal dessa história é Beatrice uma garota da Abnegação que tem uma vida simplória: desde pequena ela é treinada e educada para ser altruísta. Porém, ela acha muito difícil agir dessa maneira. Ao completar 16 anos, ela e todos os jovens passam por um teste aptidão que revela de qual facção a pessoa deve percenter e é aqui que tudo começa a mudar na vida da protagonista. O teste dela é inconclusivo, ela é uma Divergente. E por algum motivo que ninguém explica para ela, os Divergentes são considerados perigosos. Ela decide então abandonar a família e seguir para a facção da Audácia onde ela escolhe um novo nome – Tris – e onde deverá enfrentar um treinamento duro e, muitas vezes, cruel para garantir o seu lugar lá dentro, ou então se tornará uma sem-facção.

“A razão humana é capaz de justificar qualquer mal; é por isso que não devemos depender dela.” – pág 111

Beatrice, ou Tris, é uma ótima protagonista. Ela é esperta, ágil e apesar de ser uma garota não é uma personagem melosa ou chata como costumam ser algumas personagens principais. Ela tem seus princípios e crenças, honra-os e luta por eles, e não tem papas na língua. Mesmo os personagens secundários são bem redondos e é muito fácil para o leitor criar uma relação com eles. Senti verdadeiro ódio e desprezo por alguns personagens e muito ressentimento por outros. Eric é um ótimo exemplo de desprezo: ele é o líder dos recrutas da Audácia que precisa o tempo todo se auto afirmar para os seus alunos, seus seuperiores e para si mesmo. E temos também o outro lado da moeda: Quatro, que não é menos rígido que Eric, porém tem uma opinião completamente diferente do significado de coragem e do que devera ser praticado dentro da facção.

“Alguém se ajoelha ao lado do rosto dele e fecha seus olhos. Deve ser para fazer parecer que ele está dormindo. Que idiotice. Por que as pessoas cismam em fingir que a morte é um tipo de sono? Não é. Não é.” – pág 317

Assim como Jogos Vorazes, esse livro tem um algo teor filosófico e político, que nos faz questionar os nossos próprios atos. A qualidade que a facção da Audácia mais valoriza é a coragem, mas qual é o verdadeiro significado de ser corajoso? Enfrentar e desafiar a todos, impondo a sua autoridade?

O livro foca a maior parte do tempo na facção da Audácia, onde Tris está, mas também temos vislumbres da sua antiga facção, a Abnegação, e também da Erudição. Alguns membros da Franqueza estão com Tris na Audácia e temos contato com eles também, a única facção que fica meio esquecida é a Amizade. Como fã de Harry Potter não pude deixar de comparar a facção com a Lufa-Lufa, a casa “renegada” e sem graça da história.

Questionamento é a palavra que define o livro. O tempo todo vemos Tris questionar tudo e todos à sua volta e nos leva a pensar com ela. Será que segregar as pessoas em facções é a melhor opção? Podemos mesmo apresentar aptidão para somente uma facção? Passei o tempo todo durante a minha leitura, me questionando e debatendo com as opiniões da Tris. Como falei no início da resenha, a escrita de Roth é incrivelmente leve e rápida, e por isso, ao chegar ao final do livro eu estava com um mix de sentimentos enorme dentro de mim. Assim como Tris, não temos tempo de sentir nada, de ficar em luto, de ficar com medo de algo, nem de para pensar qual será o nosso próximo passo. Cada segundo importa.

“Os seres humanos, de uma maneira geral, não conseguem ser bons por muito tempo antes que o mal penetre novamente entre nós e nos envenene.” – pág 454

Muitos dizem que o livro é incrível, outros afirmam que é mais do mesmo. Tudo que eu sei é que se você gosta de distopias, não pode deixar de conhecer a história de Tris. Só espero que a Rocco não nos faça esperar muito para ler a continuação, Insurgent, que já saiu lá fora!

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

15 comentários

  1. Eu já estava com vontade de ler esse livro, agora fiquei com muito mais. Ótima resenha. Comprarei se não ganhar no final do ano!

    http://blog-exlibris.blogspot.com.br/ Blog sobre livros, séries e filmes. Estamos no início ainda. Se alguém quiser dar uma olhada. =D

  2. Não tinha me interessado muito quando vi os outras resenhas, realmente achei “mais do mesmo” por elas, mas pelo que você escreveu é muito mais que isso! ^^

  3. achei legal a premissa, mas vem cá? esse livro realmente tem bolas ou é uma daquelas literaturas pré adolescentes cheias de questionamentos bobos e forçando situações para deixar o personagem num pedestal?

  4. Jonathan, eu não achei os questionamentos do livro bobos não. Ele tem uma pegada mais Jogos Vorazes (o livro, não o filme) e foca muito mais na história e na política do mundo do livro do que no romance entre os personagens – que existe sim, mas de forma alguma é o foco principal.

  5. Abei o livro hoje, é surpreendente, de mais, adorei muito bom, so quero saber quando saem os próximos. A historia se desdobra magicamente e trilha um caminho inesperado, sem duvida ele é otimo.

  6. Eu li o livro em inglês e já estou lendo Insurgent, a continuação. Dei uma folheada no livro em português e achei que a tradução deixou e muito a desejar, e que dessa forma o livro não ficou tão envolvente quanto a versão original. De qualquer forma, adorei a resenha.

  7. Eu já tinha visto esse livro na livraria, e várias pessoas comentando sobre ele em páginas de livros no facebook, e não tinha me interessado muito, mas depois dessa resenha eu estou louca para ler… Parece demais *_*

  8. Comprei o livro porque depois que li sua resenha fiquei com muuita vontade de ler. E até agora o livro tá atendendo todas as expectativas! *-*

  9. Que ótimo Ju! Espero que o livro te conquiste da mesma forma como ele me conquistou. Bom “fim” de leitura! ;)

  10. 500 páginas não significam nada, li este livro em dois dias de quão bom é o livro. A cada capítulo você está ansioso por outro, e não quer parar nunca. Nos últimos capítulos me surpreendeu, pois a cena de vitória da Tris para a guerra das facções foi muito rápido, tanto que pensei que leria em uma hora “acordei do pesadelo”, mas depois me assustei, que estava realmente acontecendo.

  11. Anita Furlan

    Uau! Eu já estava com vontade de ler mas com uma certa preguiça de comprar e não tinha certeza se iria me envolver tanto. Gostei muito do filme e por isso fiquei interessada em ler o livro. Depois dessa resenha, então! Foi o empurrãozinho que eu precisava! Definitivamente vou comprar nos próximos dias haha :)

  12. Bruna Fernández

    Muito bom saber que a minha resenha te encorajou a ler o livro, Anita! Sensação de missão cumprida. Boa leitura e depois volta aqui pra contar oq vc achou ;)

  13. Estava mesmo procurando um livro bacana pra ler… Gostei muito da resenha, acho que o livro vai valer a pena!

  14. oi Bruna entao ela nao foi pra audacia, e sim o irmao dela, ela foi pra abnegação, arruma la, desculpa ter falado assim.

  15. aaa descuklpa agr que eu lembrei e vdd, desculpa mesmo kkkkkk ;p, eu errei.

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