sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “O misterioso caso de Styles”, de Agatha Christie

Livro: O misterioso caso de Styles
Série: Hercule Poirot
Autor: Agatha Christie
Editora: Best Bolso
Páginas: 199
Resenha por: Bruna
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O primeiro e um dos mais famosos mistérios solucionados por Hercule Poirot, o caso Styles começa quando uma aristocrata inglesa morre trancada em seu quarto, vítima de um aparente ataque cardíaco. A coisa ficaria por aí, não fosse a suspeita de envenenamento levantada pelo médico da família.

Publicado em 1920 O misterioso caso de Styles não é somente o primeiro livro em que o famosissímo detetive belga, ícone da literatura policial, Hercule Poirot, aparece mas também o primeiro livro de Agatha Christie que futuramente se tornaria a Rainha do Crime. Quem gosta de literatura policial como eu já deve ter lido pelo menos uma história com o homenzinho de cabeça em formato de ovo e confia somente em suas células cinzentas para resolver um caso. Mas se você ainda não leu nenhum livro da autora com Hercule Poirot, já passou da hora de ler e conhecer melhor os livros da autora inglesa.

Esse romance é narrado em primeira pessoa, pelo capitão Arthur Hastings, braço direito de Poirot em praticamente todas as suas aventuras. A história é ambientada em uma enorme e isolada casa de campo, na qual capitão Hastings fica hospedado, junto com outros inúmeros hóspedes, através do convite de um antigo amigo seu, John Cavendish. Então, no meio de uma das noites, a rica proprietária da mansão Styles é encontrada morta na sua cama, aparentemente vítima de um ataque cardíaco. Para adicionar mais mistério ao caso, uma fórmula digna de Christie, as portas do quarto estavam trancadas por dentro e apesar tudo indicar uma morte natural, o médico da família levanta uma suspeita: assassinato por envenenamento. Obviamente, todos os hóspedes da velha mansão, inclusive o segundo esposo e os enteados John e Lawrence da falecida Sra. Inglethorp tinham motivos para matá-la, e nenhum deles possui um álibi convincente.

Por um acaso, Hercule Poirot está hospedado em uma vila próxima a Styles e então Hastings aconselha John a pedir ao belga para investigar o caso, pois sabe que ele será discreto e chegará à verdade a qualquer custo. O intrigante desse livro é que vamos recebendo as informações da investigação de Poirot abertamente e mesmo assim, fica complicado distinguir as pistas reais para desvendar o caso de pequenas distrações inseridas no contexto que não nos levam a nada. Ficamos tão perdidos quanto o narrador – Hastings – com as afirmações e conjecturas de Poirot. Li esse livro há muito tempo e para resenhar tive que reler, confesso que me surpreendi ao não me lembrar exatamente do culpado. Fui me lembrar somente nas últimas páginas, bem perto do fim.

Não preciso nem afirmar que a estrela do livro é o detetive Hercule Poirot. De nacionalidade belga (embora muitos achem que ele é francês), Poirot é uma personagem extremamente extravagante e nada modesto que adora se vangloriar sobre o uso de suas células cinzentas. Possui um grande e belo bigode e é sempre descrito como baixinho e com a cabeça em formato de ovo com grandes olhos verdes que brilham como os de um gato quando ele descobre uma nova pista. Grande fã da ordem e do método, está sempre impecavelmente vestido e não consegue ficar em um local em que os itens não estejam arrumados simetricamente. Apesar de ser um pouco rabugento o personagem é cativante.

A complexidade do enredo é muito grande: temos vários suspeitos, os quais escondem informações sobre suas próprias vidas, dificultando a vida de Poirot e da Scotland Yard, que mais tarde acaba se envolvendo no caso do assassinato. Aparece nesse livro também o Inspetor Japp, figurinha marcada em vários livros da autora. Outro ponto interessante para situar o leitor é que, nas duas edições que eu li, uma mais antiga (Editora/Ano) e outra mais recente (BestBolso/2010), é que mapas da casa e da cena do assassinato estão inclusos. Isso ajuda a imaginação do leitor ao longo do enredo, confesso que sempre que alguém dava o depoimento de onde estava e do horário, voltava mapa espiar os mapas. Apesar dessa complexidade e grande números de suspeitos e personagens a leitura não fica a desejar e flui muito bem.

Como já li muitos livros da autora posso afirmar que esse, apesar de muito bom, não é um dos meus preferidos da Agatha Christie com Hercule Poirot, mas indico pra todo mundo a começar por ele, afinal, a ambientalização dele (mansão Styles) marca o início e o final das histórias do detetive belga.

“Poirot sorriu.
– Você deu excessiva rédea à sua imaginação. A imaginação é boa servidora e mestre ruim. A explicação mais simples é sempre a mais provável.”

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

5 comentários

  1. Ja li esse livros duas vezes, é uma das minha preferidas da Agatha Christie, otima resenha

  2. Muito massa os livros de Agatha Christie, e esse é um dos que mais gosto *-*

  3. Queria compartilhar algumas dúvidas sobre esse livro com vc, é apropriado?

  4. Oi Adri! Pode mandar suas dúvidas por aqui mesmo, mas se vc achar que vai acabar caindo em spoilers, entre em contato com a gente por e-mail: contato@livrosemserie.com.br

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