segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “Guardião do Graal”, de Michael P. Spradlin

Livro: Guardião do Graal
Série: Jovem Templário, O
Autor (a): Michael P. Spradlin
Páginas: 272
Editora: Rocco
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva

Inglaterra, 1191. Um jovem órfão é requisitado na abadia onde foi criado para acompanhar um respeitado Cavaleiro Templário como seu escudeiro. A Terceira Cruzada está em curso, e o rei Ricardo Coração de Leão luta para retomar a cidade de Jerusalém do sarraceno Saladino, líder das forças muçulmanas. Ao embarcar nesta aventura, Tristan realiza o sonho de conhecer o mundo para além dos muros da abadia. Só não poderia imaginar que pudesse descobrir a verdade sobre seu passado e se tornar responsável pela mais preciosa relíquia do cristianismo: o Santo Graal.

Tive sentimentos contrários quando fiquei sabendo do lançamento dessa série aqui no Brasil. O tema Graal e Templários me chamou muito a atenção, mas por estar sendo lançado pela Rocco Jovens Leitores, imaginei que o livro não poderia ser tão voltado assim para os fatos históricos. Não estava botando muita fé, mas no final das contas o livro até que me surpreendeu – às vezes ter uma expectativa baixa (ou até mesmo nenhuma expectativa) faz bem pra gente. Gostei bastante da diagramação do livro e achei a capa bem bonita, mas alguma coisa nela me incomoda – acredito que seja a mistura de fontes que não me agradou muito.

O primeiro livro dessa trilogia nos conta a história de um garoto órfão, Tristan, que foi abandonado em uma abadia quando ainda era apenas um bebê. Criado pelos monges, Tristan aprendeu a ler, escrever e a ter um comportamento exemplar. O livro é contado em primeira pessoa, pelo próprio personagem, e eu acredito que essa escolha do autor ajudou bastante na história. É diferente poder ver esse mundo medieval pelos olhos de um adolescente. Ele viveu sua vida toda na abadia com os monges, saindo dali apenas uma vez para visitar a cidade quando ainda era pequeno, e ele nada sabe sobre quem são/foram seus pais e isso é uma das poucas coisas que aguçam a curiosidade do jovem.

Eis que um dia os Cavaleiros Templários chegam à abadia para repousar pela noite. Entre esses monges guerreiros estão Sir Hugh Monfront e Sir Thomas Leux. O primeiro é um marechal tem problemas com o jovem Tristan desde o começo, implicando com cada movimento – certo ou errado – do menino. Pra simplificar: o cara é um completo babaca, não existe uma melhor descrição desse personagem. Peguei asco dele desde a primeira página que ele aparece. Já Sir Thomas trata Tristan quase como um velho conhecido e acaba pedindo ao menino para que ele se torne seu escudeiro. Tristan então vê a oportunidade de ver o mundo lá fora, além das paredes da abadia, um antigo sonho seu.

Os Templários estão a caminho de Jerusalém, para aliviar o cerco de Saladino nas cidades de Acre e Tiro, servindo juntamente ao rei da Inglaterra Ricardo I, com o propósito de devolver a Terra Santa para os cristãos. Esse fato histórico realmente aconteceu, porém a história é contada tão superficialmente no livro, sem posicionar o leitor e parece que o autor assumiu que quem quer que fosse o leitor da série ele já teria um pouco de conhecimento histórico prévio. Mas também, é preciso lembrar que esse é um livro infanto-juvenil e que uma visão mais “pesada” do momento histórico fosse ser maçante demais para o público. Só achei que poderia ter falado um pouco mais sobre a história do Graal.

O mistério central da história gira em torno de Tristan: quem é o garoto que foi abandonado para ser criado por monges? Por que alguns personagens aparentam ter medo dele – um jovem que (aparentemente) não oferece nenhuma ameça? Não existe espaço para enrolação: os capítulos são curtinhos e tudo acontece muito rápido. Personagens aparecem e “somem” com uma facilidade incrível. E quando menos se espera, acabou o livro e tudo que você quer é a continuação – que a Rocco já lançou no Brasil, yay! – para poder saber o que aconteceu com o jovem herói Tristan. Um bom livro para, quem sabe, dar ao pessoal mais novo um gostinho de como é um livro histórico. Recomendo a leitura, principalmente para quem quer se aventurar nesse tipo de livro e não sabe por onde começar.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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