quinta-feira, 21/09/2017
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Resenha: “Desventuras em série: Mau começo”, de Lemony Snicket

Livro: Mau começo
Série: Desventuras em série
Autor (a): Lemony Snicket
Páginas: 148
Editora: Companhia das Letras
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva Cultura Submarino

Mau Começo é o primeiro volume de uma série em que Lemony Snicket conta as desventuras dos irmãos Baudelaire. Violet, Klaus e Sunny são encantadores e inteligentes, mas ocupam o primeiro lugar na classificação das pessoas mais infelizes do mundo. De fato, a infelicidade segue os seus passos desde a primeira página, quando eles estão na praia e recebem uma trágica notícia. Esses ímãs que atraem desgraças terão de enfrentar, por exemplo, roupas que pinicam o corpo, um gosmento vilão dominado pela cobiça, um incêndio calamitoso e mingau frio no café da manhã. É por isso que, logo na quarta capa, Snicket avisa ao leitor: “Não há nada que o impeça de fechar o livro imediatamente e sair para uma outra leitura sobre coisas felizes, se é isso que você prefere”.

Mau começo é o primeiro de uma série de 13 livros e nele, somos apresentados a três simpáticos e carismáticos jovens irmãos: Violet, a mais velha com 14 anos, é super inteligente e adora criar engenhocas; Klaus, o irmão do meio e único menino, é um rato de biblioteca, e por isso talvez, seja o que eu mais me identifiquei; e Sunny, uma bebêzinha que adora morder tudo e a todos e só balbucia algumas poucas palavras. Acompanhamos então os irmãos Baudelaire não em suas aventuras, mas sim em suas desventuras, pois somos avisados desde o início pelo narrador que essa não é uma história com um final feliz, e que os irmãos são muito, muito desaventurados mesmo – fato que constatamos ao longo da leitura. Tudo que pode dar errado, dá. Salvas algumas pouquíssimas exceções.

Conde Olaf é grande vilão desse primeiro volume de Desventuras em Série, mas não tem nada de diferente dos outros vilões: age inescrupulosamente e rudemente além de ser misterioso e ter um aspecto sombrio e asqueroso. É reforçado o tempo todo que ele possui movimentos de sobrancelhas marcantes e uma tatuagem de um olho no tornozelo.

Quem nos conta a história é um narrador onisciente – o próprio Lemony Snicket – e ele a conta em terceira pessoa, porém, às vezes, se intromete na história narrando em primeira pessoa. Gostei muito desse recurso no livro pois parece que o narrador se torna um amigo nosso e muda a perspectiva na leitura. Amigo esse que adora nos aconselhar e explicar coisas nos detalhes ao longo das páginas. Juntando isso ao fato de, novamente, esse não ser um livro com final feliz, dá um ar de “inovação” e de diferente para o primeiro livro da série infanto-juvenil.

O livro demorou um pouco pra me conquistar – e isso é complicado pois ele só tem 148 páginas – mas percebi que estava lendo ele de maneira errada. No meio de minha leitura percebi que, para mim, essa é uma leitura mais voltada para o público infantil do que juvenil. Temos algumas explicações de o que as algumas palavras, modos de dizer e situações significam ao longo da leitura e é perceptível que o autor usa esse recurso do narrador explicar para enriquecer as páginas de sua história de forma descontraída. Ao mesmo tempo que você lê, aprende.

A única coisa que me incomodou um pouco foi a tradução do livro. Li o livro somente em português e não li o original em inglês, mas, encontrei alguns “eles haviam estado” pelo texto, uma clara tradução do “they have been” em inglês. Mesmo as frases não estarem erradas, existem maneiras melhores para adaptar esse tempo verbal na língua portuguesa, simplesmente dizemos que “eles estiveram”. Um deslize de quem traduziu e um deslize maior de quem revisou, mas são ossos do ofício.

Não foi um livro que me causou grandes emoções: não ri, não chorei. Apenas torci loucamente para que pelo menos uma coisa desse certo para os irmãos Baudelaire ao longo da história, pois ninguém merece tanto “azar” assim nessa vida. Mas ele tem uma proposta tão diferente de tudo que já li nesse ano – pra não exagerar e dizer “na minha vida” – que é uma leitura que com certeza vale a pena. É o tipo de livro que eu daria de presente para uma criança que torce o nariz e diz que não gosta de ler, ou para aqueles mais espertinhos que não leem porque os finais são previsíveis em que todos terminam felizes para sempre. Seria um ótimo livro para ser trabalhado em escolas no ensino fundamental.

Uma adaptação para o cinema foi lançada no dia 14 de dezembro de 2004 retratando os eventos ocorridos nos três primeiros livros, Mau Começo, A Sala dos Répteis e O Lago das Sanguessugas. O vilão, Conde Olaf, foi interpretado por ninguém menos que Jim Carrey. A produção conta também com a participação de Meryl Streep e Jude Law.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

6 comentários

  1. É um livro poético! A fomra como foi escrito é bem doce! Li faz tempo os 13 livros. Recomendadíssimo!

  2. Quero comprar os livros desde que vi o filme. Ainda to juntando dinheirinho pra comprar o box. <3

  3. so li esse , os outros 12 sao tao bons quanto ?

  4. Alguém sabe um site para ler online?._.

  5. Eu amei esse livro fizemos uma prova de L.P foi D+ esse livro te ”puxa” para q vc nao largue mais dele li em 1 dia valeu apena ficar 14 horas lendo

  6. Eu particularmente gostei muito deste livro. Acho que é um bom passo inicial para quem deseja começar a se aventurar no universo da leitura. Particularmente, aconteceu isso comigo: Eu tinha muita vontade de concluir a leitura de um romance/estória narrada, mas nunca havia de fato tido paciência para ler algo. Fiquei encantado com o filme e parti para o livro pensando: nada melhor do que ler uma estória que já me agrada e deu certo. O livro e o modo como o autor faz questão de explicar tudo o tempo todo parece muito com o meu jeito de pensar comigo mesmo, sempre refletindo até pelo o que é óbvio e explicando as conclusões ou as novas descobertas para reafirma-las em minha mente.

    Recomendo pra quem deseja começar a se aventurar neste universo porque, pelo menos em mim, este livro fez bastante efeito.

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