quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “O hipnotista”, de Lars Kepler

Livro: O hipnotista
Série: Joona Lima
Autor (a): Lars Kepler
Páginas: 480
Editora: Intrínseca
Resenha por: Bruna
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O massacre de uma família nos arredores de Estocolmo abala a polícia sueca. Os homicídios chamam a atenção do detetive Joona Linna, que exige investigar os assassinatos. O criminoso ainda está foragido, e há somente uma testemunha: o filho de 15 anos, que sobreviveu ao ataque. Quem cometeu os crimes o queria morto: ele recebeu mais de cem facadas e está em estado de choque. Desesperado por informações, Linna só vê uma saída: hipnose. Ele convence o Dr. Erik Maria Bark – especialista em pacientes psicologicamente traumatizados – a hipnotizar o garoto, na esperança de descobrir o assassino através das memórias da vítima. É o tipo de trabalho que Bark jurara nunca mais fazer: eticamente questionável e psicologicamente danoso. Quando ele quebra a promessa e hipnotiza o garoto, uma longa e aterrorizante sequência de acontecimentos tem início.

“- Não entre se tem medo de pesadelos.
– Parei de sonhar – respondeu Joona.” – pág. 26

A cada novo thriller nórdico que eu leio, entendo cada vez melhor o porquê da fama dos autores de lá que escrevem esse gênero. Até hoje, todas as minhas leituras relacionadas ao gênero, que são de autores nórdicos (suecos e finlandeses, na minha experiência) foram muito bons e O hipnotista se encaixa perfeitamente nessa regra.

O livro tem, na verdade, duas histórias paralelas: uma família é massacrada em Estocolmo e somente o filho de 15 anos sobreviveu ao ataque e o detetive Joona faz de tudo para ficar com o caso; a segunda história se inicia quando Joona recorre ao psiquiatra Erik Bark para ajudá-lo nesse caso. Erik é especialista em pacientes com traumas psicológicos e fazia uso da hipnose para acessar lembranças de episódios violentos. Depois de 10 anos sem praticar hipnose por seus motivos próprios – que, claro, não são revelados aos leitores logo de cara – ainda que hesitante, ele concorda em hipnotizar o garoto que sobreviveu ao massacre. Ao hipnotizar o garoto, Erik jamais sonharia que isso teria consequências tão severas, principalmente que sua carreira e sua família seriam colocadas em risco. O passado volta para assombrar o psicólogo.

Misturando acontecimentos atuais com outros de 10 anos atrás, pode ser confuso seguir o fio da meada em O hipnotista. Somando isso ao fato de existirem vários personagens e núcleos diferentes, isso pode desmotivar um leitor que não esteja acostumado (ou até mesmo que não goste) desse tipo de escrita. Realmente é necessário ter uma atenção maior ao ler as passagens para se situar na história, mas não achei nada que tornasse a leitura um martírio. Pelo contrário, adoro quando os autores usam esse recurso de trazer cenas do passado dos personagens, acredito que isso dá um toque de realidade (ou eu simplesmente me apeguei demais aos flashbacks enquanto acompanhava Lost).

Apesar da série ser centralizada no detetive Joona Lima,ele tem uma participação bem “tímida” no livro. Passamos mais tempo acompanhando o hipnotista – daí o nome do livro – Erik Bark do que o detetive, que é quase sempre jogado para segundo plano. Apesar disso, gostei bastante do personagem e espero que possamos ter sua presença com maior autoridade nos outros livros da série.

O hipnotista tem vários elementos que funcionam muito bem em um livro suspense: momentos de tensão psicológica, cenas violentas, fortes e perversas, o raciocínio de uma mente doente e criminosa, porém apresenta alguns desníveis. Há momentos em que a leitura realmente fica um pouco maçante, mas como um geral é uma leitura que vale a pena pra quem gosta do gênero de suspense com um “pézinho” no thriller psicológico.

Em tempo: O segundo livro da série, O pesadelo já foi publicado no Brasil.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

4 comentários

  1. Eu gostei desse livro e do Joona,mais do que o Erik. Literalmente os autores fugiram da sinopse incial do livro e fugiram para outra,enfim.Não vou desistir pq dizem que peadelo é muito melhor que esse.

  2. Gostaria de saber se o livro o pesadelo é uma continuação desse e se eu compar só o pesadelo entenderei do que ele se trata sem ler esse

  3. Bruna Fernández

    Oi Bruna, essa série não precisa ser necessariamente lida na ordem, pois trata-se apenas do mesmo investigador. ;)

  4. O livro tem dois protagonistas: o detetive e o médico. A narrativa para mim fica bem clara quando se trata de um evento no passado e um evento no presente. Gostei do ritmo do livro, das reviravoltas e doses de ação, sexo e mistério. É uma ótima leitura para quem ama livros policiais.

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