sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Filhos do fim do mundo”, de Flávio M. Barreto

Livro: Filhos do Fim do Mundo
Autor: Fábio M. Barreto
Editora: Casa da Palavra/Fantasy
Páginas: 288
Resenha por: Cine
Compre: Saraiva Submarino.

É meia-noite quando a humanidade é surpreendida pela notícia: todas as crianças nascidas nos últimos 12 meses morreram misteriosamente. Descobrem também que plantas e filhotes também morreram. Um repórter responsável por cobrir os eventos preparativos para o fim do mundo, deixa sua esposa grávida em casa, partindo para uma perigosa missão investigativa, em que terá de enfrentar grandes desafios para proteger aqueles que ama. Em Filhos do fim do mundo, acompanhamos a saga de um repórter tentando se equilibrar entre sua função de pai e jornalista em meio ao caos pré- apocalipse. As catástrofes se misturam com a tensão psicológica do personagem em um envolvente romance que vai encantar os amantes de ficção.

Esse é o primeiro livro que não faz parte de uma série que começaremos a resenhar aqui no Livros em Série, então nada melhor do que um lançamento de escritor brasileiro, não é mesmo?

Filhos do fim do mundo é um livro bem rápido e tranquilo de ler, porque o Fábio é um ótimo escritor e parece ter estudado, ou entender muito do assunto que abordou no livro, pois as descrições são muito bem feitas, contudo a história não conseguiu me convencer.

Tudo começa com a notícia de que todos os seres vivos com menos de ano de idade morrem sem mais nem menos no dia 21 de dezembro. Esse foi um fenômeno que afetou o mundo todo e a imprensa da cidade onde o livro é ambientado, junta forças com os militares para tentar descobrir o que está acontecendo e também tentar manter as pessoas sobre controle. E é a partir dai que a história se desenrola a fim de descobrir a razão do fenômeno e como fazê-lo parar.

Como personagem principal, Fábio colocou um repórter que está prestes a ser pai, por isso tem muito mais do que somente a curiosidade e a prestação de um serviço à comunidade como motivação para descobrir o que está acontecendo, mas em nenhum momento eu senti que ele foi realmente o personagem principal da história.

O livro conta com muitos personagens diferentes lidando com a tragédia de sua própria maneira, mas eu simplesmente não consegui achar nenhum deles cativante o suficiente para realmente torcer que algo desse certo. Na verdade, achei a história e a personalidade dessas pessoas pouco exploradas e também não curti o fato do autor decidir não dar nomes a ninguém.

Com o virar das páginas eu não consegui ver a história indo para lugar algum. Quando achava que algo realmente importante iria acontecer, acabava se transformando em algo pequeno ou extremamente previsível. E eu simplesmente não consegui engolir como o tal fenômeno aconteceu em uma escala mundial, mas esse fato é praticamente ignorado do início ao fim!

Existe toda uma “bagunça” do governo e dos miliares, mas somente de UMA cidade, não vemos outras cidades, estados e países se envolvendo para descobrir as coisas! Para mim, são em momentos de tragédia que vemos as pessoas e os governos realmente se juntarem e ajudarem uns aos outros, mas isso simplesmente não acontece no livro e nem sequer tem alguma explicação. Ainda nessa parte, a reação dos personagens a algumas decisões tomadas foram, em minha opinião, extremante exageradas e não convincentes e BEM clichês, com algumas coisas que são impossíveis de acreditar.

Para os pontos positivos não ficarem quase nulos por aqui, preciso dizer que quando os personagens paravam para pensarem em suas vidas e tomarem decisões, muito da reflexão deles foi interessante e foi basicamente isso que me fez continuar até o final, mesmo com as coisas acontecendo rápidas e previsíveis demais.

No mais, a premissa da história é realmente boa, mas eu achei que ela foi tão pouco explorada e tratada com rapidez que faltou aquela conexão de leitor com a história/personagens e simplesmente não conseguiu me cativar.

É realmente uma pena que o livro foi tão curto, porque talvez se ele fosse uma série ou tivesse mais páginas, tudo poderia ter sido muito mais explorado e o final poderia não ter sido tããão esperado como foi. Aliás, o desfecho final – a solução do problema – é difícil de imaginar, mas com certeza chega bem perto do que eu já esperava logo no início do livro.

Sobre Cine

Jornalista e professora de inglês, vivendo o sonho de morar em Nova York e ainda tentando descobrir se seria possivel viver dentro de uma da Barnes and Nobles. Viciada em cultura, passa os dias tentando decidir que livros ler enquanto tenta se encontrar na vida.

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