quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “Post Mortem”, de Patricia Cornwell


Livro: Post Mortem
Série: Scarpetta
Autor: Patricia Cornwell
Editora: Paralela
Páginas: 304
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva Submarino

É um homem metódico, disciplinado, desumano: mata por prazer. As pistas até ele se perdem pelas ruas. A Dra. Kay Scarpetta, médica-legista, examina as vítimas, mulheres que não podem lhe dizer nada a não ser pelos vestígios que trazem no corpo. E no corpo delas há um brilho produzido por alguma substância química. Qual? A Dra. Scarpetta precisa descobrir logo, se quiser evitar a próxima vítima. E precisa aprender a conviver com o fato de que, apesar de usar em suas autópsias os recursos mais avançados da ciência e da tecnologia, esse aparato se destina a desvendar mentes tão perturbadas quanto impenetráveis. Em outro plano, precisa lidar ainda com a hipótese de que alguém muito próximo quer destruir sua carreira e está sabotando a investigação dos crimes.

Adoro livros policiais mas nunca tinha lido nada da Patricia Cornwell, apesar de ela ser uma autora super reconhecida e cheia de prêmios literários. Quando a editora Paralela começou a republicar os livros da série Scarpetta aqui no Brasil – que antes foram publicados pela Companhia das Letras – vi a oportunidade de começar a ler a série e conhecer o trabalho da autora.

Confesso que eu não me animei muito quando comecei a ler Post Mortem. Tive a impressão de que o livro ia ser mais do mesmo, mas, felizmente, a história deslanchou e o mérito é praticamente todo da personagem central da série: Dra. Kay Scarpetta, uma médica-legista que fuma mais que uma chaminé e ajuda ativamente a polícia a resolver alguns casos. A personagem de Kay é muito bem delineada e foge um pouco do padrão de heroínas. Ela já está na casa dos 40 e tantos, tem uma família – mãe e irmã – problemática com quem não convive muito, é extremamente inteligente e astuta, solteira, descendente de italianos e adora cozinhar.

O livro me pegou pelos seus detalhes. Por ele ser contado pelo ponto de vista da Dra. Scarpetta, há horas que nos sentimos como um membro da investigação. Alguns processos são detalhados de passo a passo como por exemplo a criação do perfil do serial killer, que nesse caso, prova ser muito difícil de identificar, pois ele não tem um padrão aparente ao escolher suas vítimas. Um ponto que me causou uma certa estranheza foi a tecnologia ultrapassada que aparece na história – os personagens ainda utilizam disquetes e conexão à internet por modem, fiquei imaginando a cara de uma pessoa que nunca teve que usar o telefone para entrar na internet lendo esse livro. Mas essa tecnologia ultrapassada se explica: o livro foi escrito em 1990.

Apesar desse “probleminha” com a tecnologia, a impressão que temos é que o departamento de investigação policial, mesmo em 1990, tem uma tecnologia muito mais avançada se compararmos à polícia brasileira. Não sei porque tive essa impressão ao ler o livro. Talvez por não termos assim tanto contato com essa visão do processo interno da polícia brasileira na investigação de um crime em livros e seriados? Porque a polícia de novelas… ah essas não contam.

Outro fato muito interessante é que a autora aborda a relação polícia x imprensa. Ela mostra como uma pode atrapalhar a outra no andamento de um caso, ou ainda, como elas podem cooperar uma com a outra para um bem maior.

As personagens que mais me agradaram na leitura foram Lucy, a sobrinha de Kay que está passando um tempo com ela, que tem uma mãe negligente e tem somente 10 anos mas é muito mais inteligente do que sua tia pensa; e Marino, o policial encarregado do caso, que é despachado e traz um alívio cômico para o lado obscuro e mais pesado de Kay e sua profissão.

A história é um pouco óbvia em alguns momentos, mas tem um clímax incrível que é de tirar o fôlego. Com certeza vou querer acompanhar os outros casos da Dra. Kay Scarpetta – a série já conta com mais de 16 volumes – então, vou aproveitar os relançamentos da Editora Paralela!

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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