sábado, 14/10/2017
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Resenha: “O espadachim de carvão”, de Affonso Solano

Livro: O espadachim de carvão
Série: Espadachim de Carvão
Autor (a): Affonso Solano
Páginas: 256
Editora: Fantasy/Casa da Palavra
Resenha por: Bruna
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Filho de um dos quatro deuses de Kurgala, Adapak vive com o pai em sua ilha sagrada, afastada e adorada pelas diferentes espécies do mundo. Lá, o jovem de pele absolutamente negra e olhos brancos cresceu com todo o conhecimento divino a seu dispor, mas consciente de que nunca poderia deixar sua morada. Ao completar dezenove anos, no entanto, isso muda. Testemunhando a ilha ser invadida por um misterioso grupo de assassinos, Adapak se vê forçado a fugir pela vida e se expor aos olhos do mundo pela primeira vez, aplicando seus conhecimentos e uma exótica técnica de combate na busca pela identidade daqueles que desejam a morte dos Deuses de Kurgala.

Afirmar que os livros da editora Fantasy têm um cuidado editorial todo especial já não é novidade nenhuma. Porém quando O espadachim de carvão chegou em minhas mãos eu senti que ele teve um cuidado extra. O livro tem uma belíssima apresentação e dá pra perceber logo de cara que autor pensou nos mínimos detalhes. Pra quem não sabe, Affonso, além de escritor também é ilustrador – storyboarder, podcaster, mil e uma utilidades hehehe – e cada capítulo conta com uma ilustração feita por ele mesmo. Ao ver esse cuidado pensei na hora: um autor que se preocupa tanto assim com detalhes não pode ter escrito uma história ruim ou sem coerência. E não me enganei – O espadachim é uma ótima adição ao catálogo da literatura nacional.

No livro acompanhamos o jovem Adapak, um experiente espadachim, filho de um dos Quatro Deuses de Kurgala, que está sendo perseguido por um grupo de assassinos. Porém, Adapak não faz a menor ideia do motivo de estarem o perseguindo e se vê obrigado a sair de sua morada – uma ilha sagrada – e sair pelo mundo, um lugar hostil demais para um inocente jovem.

Uma das primeiras coisas que me agradou no livro foi o jeito despachado de Adapak. Apesar de ser um espadachim altamente treinado, ter uma inteligência acima do comum e ser filho de um dos Quatro, o jovem com a pele da cor do carvão (daí o título do livro) tem atitudes de um jovem nerd comum: adora ler livros de fantasia – no seu caso são as aventuras de Tamtul e Magano -, faz brincadeiras, tem pensamentos dispersos, se diverte, se apaixona… Isso dá um carisma ainda maior ao personagem principal do livro. Apesar de ser extremamente inteligente e possuir conhecimentos muito além de qualquer criatura que vive em Kurgala, falta malícia e sobra inocência em Adapak. Ele não tem vivência e acredita sempre no melhor das pessoas, sem imaginar que alguém possa tirar proveito dele.

“Livros? – intercedeu o ushariani, revirando os olhos. – Ora, mentirosos sabem escrever também, Filho de Enki’ När, e na maioria dos casos o fazem melhor que os honestos.” – p. 106

A história não é contada de forma linear, intercalando a história presente com momentos passados da vida do espadachim. Gosto muito de livros assim pois muitas dessas passagens são muito reveladoras e é sempre muito interessante conhecer e vivenciar o passado de personagens para podermos entender melhor suas ações e motivações. Ponto super positivo pro enredo.

O livro pode parecer curto – um pouco mais de 250 páginas – mas o autor não deixou de criar um universo completo – lugares, Deuses, histórias, crenças, estilos de luta (os curiosos Círculos Tibaul) e criaturas – com esse primeiro livro. Pelo contrário, Solano foi além: ele criou um universo completo dentro de outro. Lembram que eu citei as aventuras de Tamtul e Magano acima, como livros que Adapak gostava tanto de ler? Pois além do espadachim citá-los ao longo da história, temos frases de várias histórias da série que introduzem os capítulos de O espadachim de carvão. Um universo literário dentro de outro. Como disse no começo da resenha, Affonso pensou nos mínimos detalhes da história, dos personagens e do universo, e no final das contas é isso que acaba tornando a história tão interessante e especial. Essa é uma leitura obrigatória pra quem gosta de literatura fantástica e um ótimo livro para quem nunca leu nada do gênero e tem curiosidade de conhecer.

Acredito Affonso Solano veio para mostrar que a literatura fantástica nacional veio mesmo para ficar. E não só em terras tupiniquins: seguindo os passos de outros consagrados autores nacionais, o livro de Solano será lançado fora do país. Merecidíssimo.

Em tempo: o autor afirmou já estar trabalhando na continuação da série. Para quem ficou curioso sobre o livro, tem um podcast especial que o autor fala sobre o livro com seus companheiros de podcast: Beto Estrada e Diogo Braga. Matando Robôs Gigantes – ouça aqui.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

5 comentários

  1. Obrigado pela resenha, Bruna, fico feliz que tenha gostado! Chegou a colocá-la lá no Skoob.com.br? Bjoka!

  2. Lahiri Argollo

    Já conheço uma das facetas de Affonso “com-dois-effes” Solano, pelo podcast do MRG. Estou ansioso por ler o livro, para ver mais um traço dessa incrível personalidade.

  3. Eu é que agradeço o comentário, Affonso! Em breve devo adicionar a resenha no meu perfil do Skoob! ;)

    Lahiri, você não vai se arrepender. O livro é ótimo! Depois que ler, volta aqui pra me dizer o que achou…

  4. Paulo Roberto

    Ótima resenha.
    Fiquei conhecendo, e comprei, “O espadachim de carvão” na CCXP de 2014.
    assim que voltei para o Rio (de Janeiro) eu o li de um só fôlego.
    É muito bom saber que vem uma continuação. Virou um “livo de cabeceira”.
    desejo sucesso ao Affonso Solano.

  5. Bruna Fernández

    Obrigada pelo elogio Paulo! O segundo livro acabou de sair e se chama O espadachim de carvão e as Pontes de Puzur ;)

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