segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “Never Sky – Sob o Céu do Nunca”, de Veronica Rossi

Livro: Never Sky – Sob o Céu do Nunca
Série: Never Sky
Autor: Veronica Rossi
Editora: Prumo
Páginas: 333
Resenha por: Lais Baptista
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Fnac Extra Travessa

Primeiro livro de uma eletrizante trilogia ambientada em um futuro imaginado, mas assustadoramente possível, “Never Sky: Sob o Céu do Nunca” chega ao Brasil rodeado de grande expectativa por parte dos fãs de distopias. Em um cenário pós-apocalíptico, a população do planeta se dividiu entre aqueles que conseguiram esconder-se em cidades encapsuladas, conhecidas como núcleos, e as que sobreviveram nas áreas externas, mas tornaram-se primitivas. Através de um dispositivo eletrônico, os habitantes dos núcleos podem frequentar diferentes Reinos, cópias virtuais e multidimensionais do mundo que elas deixaram para trás. Neles se pode fazer qualquer coisa, ser qualquer pessoa, sem consequências no mundo real. Mundos sem dor, sem medo. As palavras dor e medo, porém, fazem parte do vocabulário cotidiano dos que vivem além das paredes dos núcleos. A escritora Veronica Rossi se utiliza da oposição dessas duas sociedades para pensar o poder da tecnologia, seus benefícios, malefícios e alienação que pode provocar nas pessoas.

Uma das melhores coisas da vida é ser surpreendida positivamente. Eu admito que comecei a ler esse livro pela capa. Ela é linda. E, embora algumas coisas na sinopse tenham me atraído, eu não esperava muita coisa do livro. Distopia é um gênero difícil de se escrever, e fácil de errar a mão. Mas Rossi conseguiu. Num mercado saturado de distopias (só eu que tenho a impressão de que TUDO é distópico hoje em dia?), essa me pareceu nova e original.

Sem enrolar muito, nós logo sabemos que a vida no núcleo não é nem um pouco tão boa quando Ária acha. Na verdade só na descrição de como o núcleo funciona os leitores mais calejados por outras distopias já percebem o quanto de coisa está tão obviamente errada ali. Mas distopia é distopia e Ária vê sua vida como perfeita. E sente como se fosse o fim quando vê isso tirado dela. Ela cresceu ouvindo historias de terror sobre o lado de fora e quando se vê lá, espera a morte a cada segundo.

Eu gostei como a escritora apresenta a sociedade que é vista como perfeita, mas não situa a história ali. Se Ária ficasse dentro do núcleo e de lá descobrisse como a sociedade é podre, ficaria tudo muito igual ao que já foi escrito. Mas a partir do momento que ela descobre na marra (sendo expulsa) e tem que repensar os atos passados, estando dentro de uma sociedade que ela a cada dia descobre que não tem nada a ver com as histórias que lhe foram contadas, o ritmo fica outro.

De primeira, eu não gostei do nome da Ária, fiquei sem entender porque tinha sido traduzido, mas ao longo do livro é explicado e passei a achar bem bonito. Assim como eu gostei muito da personagem, e cada vez mais ao longo do livro. Ela tem um crescimento gigante, mas que é compatível com as experiências que ela passa. Para uma jovem de 17 anos vinda de um mundo onde eles são estimulados a se divertirem o tempo todo, ela é muito centrada e inteligente. Mas ao mesmo tempo sem parecer forçada. Assim, como Perry, suas ações e comportamentos são bem fundamentadas e compatíveis com as personagens apresentadas. Se tornam críveis. Adoro livros que ao ler você sabe como a personagem vai reagir ao ouvir tal notícia ou ver tal ação, significa que o autor conseguiu criar pessoas reais. E é assim não só com Ária e Perry, mas também com Cinder e Roar, os secundários mais explorados na história. Também é um ÓTIMO ponto extra não achar a protagonista burra e não ter tido nenhum momento de querer entrar na história e dar um bitchslap nela.

O segundo livro já foi lançado nos EUA, então espero que a Prumo traga logo ele pro Brasil. Porque embora a história quase se feche em si mesma (tem um detalhe que deixa claro para quem não sabia que é uma série), muitas informações jogadas ao longo do livro podem ser exploradas de forma interessante. O que me deixa curiosa, e eu odeio ficar curiosa.

Sobre Lais

Uma biomédica que ama livros, cupcakes e gatinhos. Pottermaníaca confessa, divide seu tempo entre internet, séries, cozinhar doces, eventuais atividades de geneticista e ficar espiando pelo canto do olho se sua carta de Hogwarts finalmente chegou.

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