quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “O rebelde”, de Jack Whyte

Livro: O rebelde
Série: Corações Valentes
Autor: Jack Whyte
Editora: Fantasy/Casa da Palavra
Páginas: 400
Resenha por: Karol
Compre: Cultura Submarino

Um dos maiores heróis da Escócia em um romance à altura de sua lenda. Algumas horas antes do amanhecer do dia 24 de agosto de 1305, na prisão Smithfield em Londres, o fora da lei William Wallace, se prepara para uma execução ao raiar do dia. É diante desse cenário que recebe a visita de um padre escocês para ouvir suas últimas confissões. A história de Wallace nos leva a conhecer as suas várias faces – como um fora da lei e um fugitivo, um herói e patriota, um rebelde e uma lenda. Ele foi a primeira figura heroica das guerras da Independência da Escócia e traz vida para a trilogia de Jack Whyte, seguido por dois compatriotas: Robert Bruce – o rei dos escoceses e o verdadeiro Coração Valente, e Sir James Douglas, que carregou o coração de Bruce em um recipiente de chumbo em direção à Terra Santa. O comportamento desses três guerreiros, suas atitudes lendárias e narrativas de fuga, empenho, honra e selvageria medieval formam a alma e o conteúdo de uma novela épica sobre homens dispostos a tudo para colocar novamente de pé um país ajoelhado.

A primeira coisa que você nota ao começar o livro é que Jack Whyte é um patriota confesso. Ele deixa claro que da onde ele veio, a história de William Wallace é importante e que o resto do mundo deveria saber como ela realmente foi, muito além do que podemos ver no filme “Coração Valente”. Fica claro que nele existe uma certa incredulidade pelo resto do mundo não admirar o que veio a ser o principal personagem de seu livro, assim como ele o admira.

Páginas depois de um texto explicativo de Jack Whyte que se resume ao parágrafo que vocês acabaram de ler, o livro começa. E começa bem! No prólogo, William Wallace está preso na Torre de Londres esperando o dia da sua execução, e então seu primo que se tornou padre, aparece disfarçado para escutar suas últimas confissões e se despedir do primo e amigo.

O livro é narrado por esse primo, o padre James Wallace, então o prólogo – que é a narrativa de como o tal padre fez para chegar até William, como foi a sua conversa e seus sentimentos quando presenciou a execução- em primeira pessoa, deixa você super empolgado com o livro e querendo saber como toda a história começou e como William foi parar na Torre de Londres.

Acabou o prólogo, acabou o interesse! O livro então volta anos, quando James e William ainda são crianças e são os únicos sobreviventes da família que foi brutalmente morta por ingleses. O padre James então começa a narrar tudo o que William fazia, e isso acabou me deixando meio distante do personagem principal desse livro. No começo achei que talvez pudesse ser birra minha, já que no prólogo que tanto gostei, William fala mal dos ingleses e eu, como apaixonada pela Inglaterra e pela sua história, acabei me sentindo meio ofendida. Tirei essa ideia da cabeça logo, e pensei comigo mesma que William deveria ter seus motivos para odiar tanto os ingleses, e realmente tinha, e que eu deveria ler o livro sem nenhum preconceito. Segui a leitura e continuei distante do rebelde; para tirar minhas dúvidas resolvi ler algumas resenhas pela internet e encontrei muitas pessoas que se sentiram da mesma maneira. Na verdade, muitas vezes me peguei confusa pois, não sei como ou porque, eu lia achando que a história era narrada pelo William, e quando eu via se tratarem dele na terceira pessoa, meu cérebro dava uma travadinha básica e mentalmente eu voltava o que tinha acabado de ler ligando os fatos e pensamentos ao James, e não à William como eu tinha feito.

Outra coisa que me incomodou foi a narrativa arrastada. Parece que quando a coisa vai ficar boa, a ação que eu tanto esperava ao ler um livro sobre um guerreiro como William Wallace, a narrativa ficava meio embaralhada, a ação do momento não era nada emocionante e logo acabava. O motivo talvez seja pelo fato do narrador ser um clérigo e o autor tentar passar um ar de imparcialidade, já que o mesmo, logo no começo do livro a gente descobre que vive na Inglaterra e que não odeia os ingleses tanto quanto William. A narrativa continua assim, lenta, o livro todo. A falta de ação não. Ela muda um pouco e cria mais emoção depois da metade do livro.

Um dos motivos que escolhi ler esse livro, foi o fato dele ser histórico. Ele tem bastante história realmente, nisso o autor não pecou e todo o conhecimento, e patriotismo, dele são visíveis. Porém, a mistura de história e ficção que podemos ver em autores de grande sucesso como Bernard Cornwell, ou a minha favorita Philippa Gregory, não aparece no livro, talvez seja isso que o deixe meio arrastado, muita história e pouca ficção e emoção, o que diferencia um livro de história de um romance.

William Wallace foi enforcado até perder a consciência, depois foi amarrado a uma mesa, estripado e suas entranhas queimadas ainda presas a ele, foi castrado e no final de tudo cortaram a sua cabeça e acabaram com seu sofrimento. Pedaços de seu corpo foram enviados para diversos lugares da Inglaterra e sua cabeça foi exposta na torre de Londres como advertência aos traidores da coroa. Esse tipo de emoção era o que eu esperava do livro!

Ao contrário de mim, vi algumas pessoas completamente apaixonadas pelo livro. Talvez, o gosto literário seja diferente do meu, então nunca se sabe quem vai amar ou odiar O Rebelde. Mas com certeza no meio termo você não fica!

A série é composta por outros três livros, que contam as histórias de outros rebeldes que ajudaram na revolta escocesa e que são heróis para seus conterrâneos mas, que são pouco conhecidos para o resto do mundo. Espero que os próximos volumes não sejam narrados pelo padre chato James!

Sobre Karol

Atriz ruiva tão viciada em Shakespeare que foi até parar lá no palco do Globe Theatre de Londres de tanto que encheu o saco! Sem papas na língua,que sempre dá preferência a livros históricos e com culturas diferentes. Não leu Harry Potter ou Senhor dos Anéis, jogou Crepúsculo longe no meio do segundo livro mas é capaz de devorar qualquer livro que contenha um rei, um indiano ou um espírito no meio. Estranha, usa personagens românticos como referencia quando briga com o namorado, transforma tudo em um drama histórico e deseja silenciosamente transformar todos os livros que lê em filme.

Um comentário

  1. Pq não lestes o Senhor dos Anéis? É uma excelente leitura.

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