segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “O azarão”, de Markus Zusak

Livro: O azarão
Série: Irmãos Wolfe, Os
Autor (a): Markus Zusak
Páginas: 175
Editora: Bertrand Brasil
Resenha por: Lais Baptista
Comprar: Saraiva Submarino

Narrado em primeira pessoa, o livro apresenta a história de Cameron Wolfe, um garoto de 15 anos perdido na vida e que vive às turras com a família. Trabalha com o pai encanador e sua mãe está sempre brigando com os filhos. Todos moram juntos numa casa pequena.

Steve é o mais velho e mais bem-sucedido. Sarah é a segunda, e está sempre dando uns amassos com o namorado. Rube é o terceiro e o mais próximo de Cameron. Os dois, além de boxeadores amadores, vivem armando esquemas para roubar lojas e outros locais do tipo. Contudo, os planos nunca saem do papel.

Uma história sobre a vida e sobre as lições que dela podem ser tiradas. Um romance de formação que exibe um jovem incorrigível, infeliz consigo mesmo e com sua vida.

Eu achei esse livro bem diferente de ler. Faz um bom tempo desde que li “A menina que roubava livros”, mas estou com a impressão que não faria muita diferença, esse livro é bem mais cru, tem menos metáforas, é mais real (embora a história de Liesel seja bem real).

Cameron é um menino pobre australiano. Sua família não tem dinheiro para ter nem um cardápio diferenciado, mas eles sobrevivem do jeito que dá. A falta de oportunidade e esperança faz com que ele e seu irmão, Rube sejam revoltados. Com o quê? Com tudo, com a vida, com as injustiças. Cameron não tem esperanças que as coisas melhorem e, num geral, não sabe muito bem como lidar com a vida.

Ele é o mais novo da família. Seu irmão mais velho não fala com ele, sua irmã está muito ocupada com o namorado e seus pais vivem reclamando que ele e Rube não fazem nada de útil e estão sempre sujos. O que é verdade. Ao longo do livro esse cenário vai mudando um pouco e Cameron passa q entender um pouco mais o mundo dos adultos que ele está inserido. E nós vemos através dos olhos deles todas as mudanças que ocorrem na família.

O que eu gostei desse livro é que ele é muito sutil. A falta de esperança de Cameron não é algo que seja realmente dito, mas eu a senti o livro todo, a ponto de temer algo que acabou não acontecendo (ufa!) (sou contra spoilers, gente, e se eu falasse pra vocês que não acontece vocês não iriam passar por essa dúvida. Talvez.). Mas O Azarão também é um livro sobre mudanças, então mesmo que tudo esteja muito parecido da forma que estava no começo do livro, nosso protagonista não está, mesmo que a mudança seja sutil.

Acho que diria que esse é um livro de Coming of Age. Nos últimos tempos andava lendo sobre esse gênero, que tende a falar de amadurecimento, de virar adulto, etc. E, talvez, mesmo que não tenha sido classificado assim, ele seja. É um bom livro para se fazer pensar um pouco sobre seu próprio momento. Mas não, não é um livro altamente filosófico. É um livro sobre um adolescente de 15 anos. E todos que passamos por essa idade sabemos o quão difícil ela pode ser.

Sobre Lais

Uma biomédica que ama livros, cupcakes e gatinhos. Pottermaníaca confessa, divide seu tempo entre internet, séries, cozinhar doces, eventuais atividades de geneticista e ficar espiando pelo canto do olho se sua carta de Hogwarts finalmente chegou.

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