segunda-feira, 16/10/2017
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Resenha: “Legend”, de Marie Lu

Livro: Legend – A verdade se tornará lenda
Série: Legend
Autor: Marie Lu
Editora: Prumo
Páginas: 256
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva

Ambientado na cidade de Los Angeles em 2130 D.C., na atual República da América, conta a história de um rapaz – o criminoso mais procurado do país – e de uma jovem – a pupila mais promissora da República –, cujos caminhos se cruzam quando o irmão desta é assassinado e a ela cabe a tarefa de capturar o responsável pelo crime. No entanto, a verdade que os dois desvendarão se tornará uma lenda. O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.

Quem acompanha o site e as minhas resenhas sabe o quanto eu gosto de distopias. Fiquei super curiosa para ler Legend quando ele saiu, mas estava com tantos livros acumulados que ele acabou passando batido. Eis que no começo desse ano eu achei ele numa promoção incrível e acabei finalmente comprando-o, que foi direto pra minha pilha de leitura. Comecei a ler esperando mais do mesmo e fui surpreendida.

A história nos leva para o ano 2130, em Los Angeles, em um mundo completamente diferente: os Estados Unidos estão divididos entre a República da América – a elite militarista – e os Patriotas – os “rebeldes”. Nesse mundo, quando as crianças completam 10 anos elas são submetidas a uma prova em que o valor máximo a ser tirado é de 1500 pontos. Os que conseguem pontuações altas, garantem seus estudos nas melhores universidades e um bom emprego dentro dos círculos militares da República. Os que vão bem, mas não têm notas excepcionais, podem estudar em universidades de menor importância e ocupar cargos menores. Já as crianças que não atingem a pontuação mínima – 1000 – são enviadas para “trabalhar” nos campos de comida e nunca mais reencontram suas famílias – isso não lembra alguma parte da cruel história da 2ª Guerra Mundial?

“- Poucas pessoas matam pelas razões certas, June. A maioria faz isso pelas razões erradas. Só espero que você nunca se encontre em alguma dessas categorias.” – p. 208

Legend traz uma nova dinâmica para o mundo das distopias – não vemos somente o ponto de vista do personagem que faz parte da porção desfavorecida da história como geralmente acontece. Aqui o livro é dividido em capítulos que intercalam o ponto de vista de dois personagens principais: Day, nascido na parte pobre da população, atualmente o criminoso mais procurado pela República, com seu jeito malandro, porém cheio de boas intenções para ajudar a sua família, e June, inteligentíssima, nascida na elite, com um futuro promissor dentro do alto escalão do exército da República. Ambos personagens têm 15 anos e o leitor tem a oportunidade de ver como são os dois lados da história, logo de cara. Achei isso interessantíssimo, pois geralmente temos um vislumbre do outro lado da moeda somente nas adaptações para o cinema ou nos contos que os autores lançam entre um livro e outro, com pontos de vista de um personagem diferente.

A escrita da autora é simples e direta, sem rodeios, e isso reflete em seus personagens. Mesmo em um livro curtinho com uma história acelerada, todos os personagens têm o seu momento de destaque e são muito bem construídos. Day é super cativante, é impossível não se comover com a sua causa e a forma como ele se preocupa com a sua família, principalmente seus irmãos. June é ainda mais durona que a Katniss de Jogos Vorazes e tem uma mente afiadíssima que é de dar inveja. A frieza com que ela examina uma situação ou outras pessoas me lembrou muito do Sherlock Holmes interpretado por Benedith na série da BBC, Sherlock.

“- Porque cada dia significa novas 24 horas. Cada dia quer dizer que tudo é possível de novo.” – p. 253

Os capítulos que se intercalam entre Day e June são curtinhos e isso deixa a leitura mais fluída e rica em informações e pontos de vista, principalmente depois que o irmão de June, Metias, que é a única família que ela ainda tem, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. June decide or atrás do algoz do seu irmão e então ela começa a descobrir inconsistências nas histórias que são contadas a ela e começa a questionar tudo que acontece à sua volta – e também entra em conflito com ela mesma por pensar assim e por duvidar do sistema em que ela vive e no qual foi criada lutar e defender, sem questionamentos.

Se você gosta de histórias distópicas, você PRECISA ler Legend. Já se você nunca leu nada do gênero, pode ser uma boa forma de conhecer o formato e começar com o pé direito. Marie Lu, que começou a escrever essa história por volta dos seus 12/13 anos, me conquistou com sua história bem construída e seus personagens reais e cativantes.

“- Dinheiro é a coisa mais importante do mundo, guria. Dinheiro pode comprar felicidade, não me importo com o que os outros dizem. Dinheiro pode comprar alívio, status, amigos, segurança… todo tipo de coisas.” – p. 117

O segundo livro da trilogia, Progidy, sai no mês que vêm pela Prumo.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

4 comentários

  1. Já tinha visto esse livro nas livrarias, mas pela capa e título, pensei: é mais uma distopia… nem sei se vale a pena… mas, pela sua resenha, fiquei interessada! Vou procurar nas livrarias novamente, rs!

  2. Estou louco por esse livro *-*
    Gostei da resenha!
    Acabei de esbarrar no seu blog e estou apaixonado *-*
    Salvando nos favoritos e stalkeando :P
    Parabéns pela estruturação e organização! :) Nota 10!

  3. Felipe Borges

    Depois dessa resenha não tem como você não ficar ao menos intrigado em ler esse livro, que é o meu caso!
    Agora é mais um distópico que entra na minha listinha! haha

  4. Benedict e seu sobrenome impronunciável. Um super ator. O Sherlock dele é realmente incrível <3

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