domingo, 15/10/2017
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Resenha: “O código élfico”, de Leonel Caldela

Livro: O código élfico
Autor: Leonel Caldela
Páginas: 576
Editora: Fantasy/Casa da Palavra
Tradução:
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva Submarino Saraiva E-book

A pequena cidade de Santo Ossário esconde muitos segredos. Entre os habitantes, Nicole, uma jovem corajosa, descobre estar ligada aos mistérios da cidade, o que a leva a uma investigação sobre o próprio passado. Seu pai foi um famoso assassino que pertencia à ordem de seguidores de uma deusa oculta, sacrificando inocentes em rituais. Em Arcádia, um mundo paralelo governado pela deusa, vivem os elfos. Criaturas perfeitas que há milênios sonham em recuperar o poder sobre os humanos. Finalmente veem a esperança no novo guerreiro Astarte, treinado em arquearia, que deve abrir o portal que liga os dois mundos e exercer o domínio da Rainha sobre a Terra. Astarte, no entanto, é o único que desconhece o seu destino, até o momento de cumprir com a sua sina. Avesso aos interesses do seu povo, o elfo resolve juntar-se aos mortais em Santo Ossário. Agora, Nicole e Astarte estão ligados a um mesmo propósito: reunir os habitantes da pacata cidade e derrotar os seres místicos que ameaçam dominar o mundo.

Os elfos são belos e imortais, a mais perfeita das raças. Mas, para que haja um povo de guerreiros e poetas, é preciso haver um povo de escravos.

Ler um livro de fantasia de um autor nacional e ficar impressionada com a narrativa está virando algo comum. Pelo menos para mim. Não sabia o que esperar de O código élfico quando o livro caiu nas minhas mãos e estava um pouco apreensiva em relação à narrativa, e também por não conhecer o estilo de escrita do autor, mas o livro me surpreendeu.

O código élfico se passa, na maior parte do tempo, na cidadezinha brasileira e fictícia de Santo Ossário – um nome escolhido a dedo pelo autor, leiam e descobrirão o porquê – e, como toda cidade pequena, é intrigante e cheia de segredos. Olhando de fora parece ser apenas uma pacata cidade, conservadora e acolhedora. Mas a cada página virada a cidade se transforma em um antro de intrigas, mentiras e obscuridade, assim como os seus moradores. A protagonista, Nicole Manzini, está ligada aos mistérios de Santo Ossário e ao voltar para a cidade precisa encarar a verdade mais cruel da sua vida: seu pai, Salomão Manzini, foi um famoso assassino, pertencente a uma ordem de seguidores que sacrificava inocentes em rituais para uma deusa.

Essa deusa é a Rainha Titânia de Arcádia, um mundo paralelo ao nosso onde vivem os elfos que sonham há tempos em recuperar o poder sobre os humanos e escravizar a nossa raça novamente, mas para isso eles precisam abrir o portal entre os dois mundos. Isso se torna possível com o novo guerreiro Astarte, nosso segundo protagonista. Treinado em arquearia para ser um guerreiro, Astarte desconhece seu destino e acaba por questionar os interesses de seu povo, resultando em uma parceria com Nicole para impedir que os elfos dominem nosso mundo novamente.

“– Está preparada?
– Não. Mas isso nunca me impediu.” p. 108

O livro tem uma quantidade absurda de personagens incríveis e eu poderia escrever páginas sobre todos eles, mas resolvi poupar vocês e falar somente dos principais. Nicole Manzini foi a que mais me surpreendeu. A personagem tem uma personalidade forte que pode ser confundida com teimosia em alguns momentos. Cética, valente e de opiniões fortíssimas, todas elas sempre muito bem explicadas pela personagem e também ao longo da narrativa que mostra alguns momentos do passado da garota. Pra mim, foi a criação mais perfeita autor. Nicole me conquistou desde o começo com suas falhas humanas e sua jornada ao longo do livro me surpreendeu.

Já o elfo Astarte traz um visão interessante pra história: sendo de um mundo diferente, existem muitos conceitos do nosso mundo que são difícil compreensão para ele. Ao mesmo tempo, muitas ideias e conceitos do elfo são complexos demais para os “limitados” humanos. Isso cria um vínculo de trocas de ensinamentos entre os dois protagonistas e o Leonel conseguiu fazer isso de uma forma envolvente e até mesmo divertida, sem tornar esses momentos em discussões filosóficas maçantes. Um detalhe curioso também é como o autor retrata o povo élfico na história: geralmente um povo pacífico, os elfos de Leonel são cruéis.

“Se você entender chocolate, entenderá a humanidade – proferiu a garota. – É gordo, cercado de propaganda, doce demais. Faz mal e domina tudo que toca. Mas qualquer um que não goste de chocolate é indigno de confiança.” p. 220

O destaque de personagem secundário vai, com toda certeza, para Félix, um mercenário que tem os seus próprios motivos para a sua vingança. Grande fã das mais loucas teorias conspiratórias, das quais ele acredita serem todas muito verdadeiras, o ruivo barbudo é responsável pelo alívio cômico na história, e se torna uma peça crucial para o enredo. Os vilões Salomão Manzini e Emanuel Montague são grandes manipuladores e um acaba sendo a ruína do outro, há um enorme abismo na disciplina de ambos e é interessante ver como o autor trabalha isso.

A forma como o Leonel misturou a fantasia urbana com a fantasia medieval é um dos pontos positivos do livro, ele conseguiu mesclar os dois estilos com muita leveza e naturalidade. O trabalho editorial dispensa comentários, como todos os livros lançados pela Fantasy, podemos ver o cuidado em cada detalhe, desde a capa até os detalhes internos e separações de capítulos. Com todos os elementos necessários para uma boa jornada fantástica, O código élfico é uma ótima adição para a literatura nacional. Não deixe de visitar Santo Ossário – a cidade para onde todos voltam.

“Já é o começo do aprendizado. Não existe diferença entre a metáfora e o que ela representa.” p. 438

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Um comentário

  1. Vitória Romero

    Esse livro é muito viciante! Mesmo com o bando de páginas que ele tem, você não consegue parar de viajar a cada palavra do autor. O Leonel é muito bom, eu adorei.
    Fiquei com vontade de um segundo

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