segunda-feira, 18/12/2017
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Resenha: “O vento pela fechadura”, de Stephen King

Livro: O Vento Pela Fechadura
Série: A Torre Negra
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 288
Resenhado por: Guilherme
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Em “O vento pela fechadura”, Stephen King retorna ao Mundo Médio, cenário da “A Torre Negra”. O novo livro encaixa mais uma peça no vasto quebra- cabeças que cerca a saga, oferecendo lendas e histórias fantásticas de Gilead, ao mesmo tempo em que investiga o passado doloroso do pistoleiro Roland Deschain. No meio do caminho entre o Palácio Verde e Calla, o pistoleiro Roland Deschain e seu ka-tet — Jake, Susannah, Eddie e Oi, o trapalhão — são obrigados a acampar numa cidade fantasma. Caso contrário, seriam congelados com a chegada súbita e mortal de uma borrasca, tempestade única ao Mundo Médio. Para afastar o tédio da espera, Roland distrai o grupo com uma história de seu passado. Porém, no centro dessa lembrança, o jovem Roland, do passado, também narra uma fábula de sua infância, registrada em seu livro favorito: “O vento pela fechadura”. A lenda do menino Tim e suas aventuras em busca do mago Merlyn acabam revelando muitas verdades sobre Gilead, o Mundo Médio e o Pistoleiro.

ATENÇÃO: A resenha contém spoilers para quem não leu a série “A Torre Negra”.

Sete maravilhosos livros não foram suficientes para Stephen King contar tudo o que tem para contar sobre o pistoleiro Roland Deschain e seu Ka-tet. Quem já leu a saga A Torre Negra percebeu isso. Muita coisa ficou “no ar”. Grande parte da adolescência de Roland continua obscura para os leitores. Em Mago e Vidro, ficamos sabendo sobre como o pistoleiro perdeu Susan, o amor de sua vida; descobrimos o que aconteceu durante o horrível episódio da morte de Gabrielle, a mãe de Roland que morreu pelas mãos do próprio filho. São fatos dolorosos que forjaram o caráter de Roland, transformando-o no complexo e duro personagem que vimos nos livros. Mas e quanto ao resto? Ao longo dos outros livros que integram A Torre Negra, temos apenas vislumbres, citações rápidas sobre a história de Roland antes da busca pela Torre começar. E só.

Agora, em O Vento pela Fechadura, muito disso é explicado. Os eventos narrados aqui são sobre parte da adolescência de Roland. Na primeira parte do livro, que começa mais ou menos no ponto em que o quarto livro termina, o pistoleiro e seu Ka-tet abrigam-se em uma casa numa cidade abandonada para escapar de uma tempestade. Durante a noite, Roland conta aos seus companheiros de Ka uma história de sua adolescência, que ocorreu nos dias após os embates narrados em Mago e Vidro.

Então, em primeira pessoa, o pistoleiro conta para o leitor sua história. Encontrar outra vez com o adolescente Roland é algo fantástico; ver sua outra face, conhecer uma parte dele que é frágil e inexperiente, tão diferente do matador implacável que conhecemos. O Roland adolescente é inseguro e corroído pela culpa de ter tirado a vida da própria mãe, pela dor da morte de sua amada Susan Delgado. É esse Roland que é enviado por seu pai para uma missão: encontrar e matar a criatura que vem fazendo uma carnificina nas cidades próximas. É numa dessas cidades que Roland conhece Billy, um garoto de apenas 11 anos que acabou de perder o pai para o monstro. Para Billy, o Roland adolescente conta outra história, uma que sua mãe costumava contar-lhe de noite: um conto chamado O Vento Pela Fechadura.

O livro é uma história dentro de uma história, dentro de outra história. Somente o gênio King para imaginar algo assim e levar o livro do começo ao fim sem se perder uma vez sequer. Stephen King domina o leitor da primeira à última palavra. E você vai descobrindo todo o cuidado que foi colocado na criação da obra. É uma história sobre amor e perdão. Não de um jeito piegas, mas de um jeito triste, lindo e brutal. O epílogo do livro é, sem dúvida, uma das coisas mais bonitas que você vai ler, embora ocupe apenas meia página.

King entrega um presente fantástico para os fãs de A Torre Negra. Quem não sente falta do coração aparentemente frio (mas, na verdade, derretido igual manteiga) de Roland? Das piadas de Eddie ou do modo carinhoso de Susannah? Da inocência de Jake e de seu amigo, o trapalhão Oi? E, claro, nos encontramos outra vez com Randall Flag, o grande vilão das obras de King, dessa vez assumindo a forma do Cobrador. Flag é aquele tipo de vilão de causar arrepios, o antagonista perfeito. É uma experiência ótima matar a saudade e reencontrar todos esses personagens que estiveram conosco ao longo de sete livros. Eu REALMENTE espero que King tenha mais para dizer sobre a Torre. Ainda sonho com um livro que conte a Queda de Gilead e a batalha final na Colina de Jericó.

Para aqueles que já estão familiarizados com A Torre Negra, vão encontrar em O Vento Pela Fechadura mais uma obra prima, cheia de saudade e chegarão até a derramar lágrimas. E, se você ainda não conhece os livros, está perdendo uma das mais fantásticas obras já escritas. Palmas para Stephen King.

Sobre Guilherme

Nasceu no Condado de Roseira e foi se perder na cidade grande de São Paulo, onde cursa o terceiro ano de Publicidade e Propaganda na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero. Viciado em séries, música e livros, prefere passar uma noite de sábado lendo “Sob a Redoma” do que sair para balada. Escreveu um livro que – se tudo sair como deve – será publicado ainda esse ano, talvez em agosto. Vai que dá certo e ele vira um escritor famoso, né.

6 comentários

  1. Poxa rapaz, vc devia avisar que contém spoilers né? Muito sem graça contar grandes surpresas assim tão distraidamente. Eu por exemplo não li até o final da saga, apenas até metade do 4º livro, venho para ver sobre o novo livro, no caso se eu deveria ler os 7 pra depois ler este, ou então assim que terminar o 4 ler este, e me deparo com esse monte de spoilers. Nota 0 para você e esta resenha estúpida que tirou grande parte da alegria de ler o livro.

  2. Bruna Fernández

    Geison, entendo você ficar chateado com os spoilers, mas há um aviso logo antes da resenha do Guilherme: “ATENÇÃO: A resenha contém spoilers para quem não leu a série “A Torre Negra”.”

  3. Luis Fernando

    Alguém sabe de outro livro em que se encontram Tim e Maerlyn, com deu para entender na página 235.

  4. Meu bem, ele avisou sobre o spoiler.

  5. é necessário ler os outros livros da série para compreender este?

  6. Sim, Marcos! O ideal é que essa série seja lida na ordem de lançamento. :)

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