quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “A passagem”, de Justin Cronin

Livro: A Passagem (#01)
Série: A Passagem
Autor: Justin Cronin
Páginas: 816
Editora: Arqueiro
Tradução: x
Resenha por: Guilherme
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A Passagem’ é um suspense sobre a luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que recende a morte.

Em “A Passagem”, Justin Cronin apresenta ao leito um mundo apocalíptico. Após um experimento científico dar errado, o que resta é uma paisagem dominada por vampiros. Os poucos sobreviventes estão trancados em cidades, protegendo-se atrás de altos muros, lutando dia a dia contra a ameaça que extinguiu mais de 90% da humanidade. É nesse cenário desolado que a história é tecida.

Logo nas primeiras páginas, o leitor já repara um dos pontos fortes do livro: ele foge completamente do clichê do gênero. Em um mundo literário onde os vampiros parecem virar uma mistura homogênea de livros estilo “Crepúsculo”, Cronin consegue entregar uma obra original – e muito profunda, cheia de reflexões sobre fé, amor, esperança. Não estamos mais diante de vampiros adolescentes, cujo maior dilema é um coração partido. A Passagem é um mundo desolado, onde os personagens precisam abraçar o melhor de si e lutar contra o pior para sobreviver.

A primeira parte do livro conta o início do apocalipse. O leitor é apresentado a Amy (mais adorável a cada página), a Garota de Lugar Nenhum e que parece ser a única pessoa no mundo cujo corpo é capaz de fazer o “vírus” funcionar corretamente. Wolgast, o agente do FBI, é o protagonista dessa primeira parte, e Cronin não podia ter feito um trabalho melhor com ele. Wolgast é o tipo de personagem com o qual o leitor se identifica: é cheio de falhas, erros, mas com uma vontade gigantesca de fazer o bem. É emocionante ver o desenvolvimento da relação dele com Amy evoluir página após página, até que o homem se tornar uma espécie de pai para a garota. Uma pena Wolgast integrar apenas as 300 primeiras páginas do livro: ele é o tipo de personagem do qual não dá para não sentir falta.

Na segunda parte, o leitor se encontra 97 anos depois do apocalipse, onde o pouco que restou da população tem que lutar para sobreviver. Novos personagens são apresentados: Peter é o protagonista, e Amy continua integrando o elenco principal (Amy é a alma do livro, de certa forma). A segunda parte é repleta de ação, com cenas de tirar o fôlego: fugas, guerra, sangue, tem tudo o que o leitor pode esperar de um mundo dominado por vampiros. Às vezes, a intimidade da primeira parte faz falta, mas isso não afeta o resultado final: Peter e seus companheiros também são extremamente cativantes.

Justin Cronin não deixa a peteca cair. O “tijolão” que é A Passagem é uma leitura tão gostosa, que você sequer vê as páginas passarem. Mas o ponto mais forte continua sendo o toque de humanidade do livro: cada personagem, cada capítulo, faz você refletir, pensar, se emocionar. É um livro indispensável.

Sobre Guilherme

Nasceu no Condado de Roseira e foi se perder na cidade grande de São Paulo, onde cursa o terceiro ano de Publicidade e Propaganda na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero. Viciado em séries, música e livros, prefere passar uma noite de sábado lendo "Sob a Redoma" do que sair para balada. Escreveu um livro que - se tudo sair como deve - será publicado ainda esse ano, talvez em agosto. Vai que dá certo e ele vira um escritor famoso, né.

4 comentários

  1. Li o livro há algum tempo e ainda não dei sequencia à leitura da trilogia, não por não ter gostado, apenas para recuperar o fôlego antes de voltar para o mundo criado por Cronin.
    Para ser sincera, gostei mais da primeira parte do que da segunda. Me envolvi imediatamente ao ler as primeiras páginas, já quando cheguei na segunda parte senti que demorei um pouco a me acostumar (acredito que essa seja exatamente a intenção do autor: fazer com que o leitor sinta a mudança do mundo refletida na mudança do texto). De qualquer forma, ótimo livro!
    Abraço
    alemdacontracapa.blogspot.com

  2. A passagem se tornou um dos meus livros preferidos, todos os personagens são muito bem construídos, principalmente Alícia que se tornou minha personagem preferida, o livro é cheio de ação, suspense, além de mostrar um laço de amizade inabalável entre os principais.

  3. Sinceramente, o melhor livro que já li, eu me pegava olhando por cima do ombro, tamanho afinco com que li o livro. Amei a segunda parte, pra mim pareceu que o livro embalou mais ainda ali. Já li o segundo “Os Doze” e sério, não dá pra desgrudar. Muito bem escrito, todo o livro é de tirar o fôlego. Simplesmente perfeito!

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