terça-feira, 17/10/2017
Últimas do LeS:
Capa » Resenhas de Série » Resenha: “Celtika, o primeiro livro de Merlin”, de Robert Holdstock

Resenha: “Celtika, o primeiro livro de Merlin”, de Robert Holdstock

Livro: Celtika – O primeiro livro de Merlin
Série: O código de Merlin
Autor: Robert Holdstock
Páginas: 471
Editora: Prumo
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva Submarino

Quando Jasão vê a própria mulher matar seus filhos e fugir, Merlin, o jovem e aventureiro mago, está presente. Impotente com relação à magia, não consegue impedir a desgraça do amigo.
Anos mais tarde, Merlin acredita que a alma de seu amigo está presa no fundo de um lago junto a um navio, o famoso Argo, onde muitas pessoas escutam gritos de desespero. Então, resolve usar a magia para resgatar o homem e o navio da desgraça eterna.
Depois de uma visão reveladora, Merlin descobre que Thesokorus e Kinos, os filhos de Jasão, não foram mortos e que tudo não passou de uma grande encenação da feiticeira Medeia. Recrutando homens de diversos clãs pelo caminho para ajudar a conduzir Argo, os famosos argonautas e os dois amigos vão em busca dessas crianças, hoje já crescidas.
Misturando o mito arturiano às lendas gregas, Celtika conta as aventuras e desventuras do jovem Merlin da ilha de Alba até as ilhas rochosas da Grécia, uma jornada repleta de heroísmo e sofrimento, verdade e ilusão.

Sempre tive curiosidade em ler a trilogia do Robert Holdstock pois ele mistura duas mitologias que eu adoro: a história do mago mais poderoso do mundo, Merlin, do mito arturiano e histórias da mitologia grega. No caso de Celtika, a história é pautada pela obra dos Argonautas que eram tripulantes da nau Argo que, segundo a lenda grega, foi até à Cólquida em busca do Velocíno de Ouro. Medeia, filha do rei e conhecida por praticar feitiçaria, apaixonou-se perdidamente pelo chefe da expedição, Jasão. Ela é uma das personagens mais terrivelmente fascinantes desta mitologia, ao envolver sentimentos contraditórios e profundamente cruéis, como podemos ver na narrativa de Robert.

Tudo começa setecentos anos depois de Medeia, em um de seus acessos de fúria, ter matado os filhos de Jasão, seu marido. O então jovem Merlin, que fez parte do grupo dos Argonautas que viajaram com Jasão em busca do Velocínio de Ouro (que foi quando ele conheceu Medeia) e se chamava Antiokus, viveu de perto essa tragédia. Porém depois de tantos anos, o mago descobriu que na verdade a cruel Medeia forjou a morte dos filhos para afastá-los do pai e com uma ajudinha de um Titã, os escondeu no tempo. O não-tão-jovem mago decide então ir atrás de Jasão, que sumiu nas águas com a nau Argo, o misterioso navio habitado por espíritos de deuses, para trazê-lo de volta e levá-lo até seus filhos.

Uma das minhas decepções com o livro é que a narrativa é extremamente pesada e truncada. É simplesmente impossível, eu acredito, conseguir ler esse livro em poucos dias. O enredo muito bem construído, porém extremamente detalhista, o que desacelerou a minha leitura. O estilo da escrita do autor me lembrou muito da narrativa do Tolkien em Senhor dos Anéis.

A mistura das histórias, que eu achei que seria o ponto alto da leitura, também não ajudou muito. É estranho demais ver o mago Merlin sem seu fiel protegido Arthur e o reino de Camelot como pano de fundo e acabei imaginando o personagem do poderoso bruxo como um outro mago qualquer, o que acabou tirando um pouco da magia do livro para mim.

“- Antiokus, Merlin… Que importa? É você. E como é possível que não tenha envelhecido nos vinte anos que se passarem desde que você desertou?” – pág. 71

Por falar em magia… ela é um dos pilares que sustenta a narrativa do livro. Achei muito interessante a forma como o envelhecimento do mago é tratado: Merlin só envelhece quando faz magia, e por isso, vemos o mago evitando ao extremo o uso de magia para situações “banais”. A narrativa ainda conta com lutas, traições, amores em uma rede bem construída onde coincidências simplesmente não existem. Tudo está interligado por um motivo.

Os outros dois livros da trilogia, O Graal de Ferro e Os Reis Partidos, já foram lançados pela editora aqui no Brasil.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*