terça-feira, 24/01/2017
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Resenha: “O anjo de Hitler”, de William Osborne

Livro: O anjo de Hitler
Autor (a): William Osborne
Páginas: 272
Editora: Seguinte
Resenha por: Cine
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Leni tem catorze anos, é austríaca, judia e muito corajosa. Refugiada na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, certo dia é convocada pelo almirante MacPherson para a missão mais perigosa de sua vida… Otto é alto, bem magro, tem olhos castanhos e vive na Inglaterra – sua família foi aprisionada pelos nazistas. Ele adora se meter em confusão e é por isso que, quando o almirante sugere que ele ajude o governo inglês numa missão ultrassecreta, ele aceita na hora. Otto e Leni são enviados à Alemanha para resgatar uma garotinha chamada Angelika. Pouco se sabe sobre essa pequena órfã misteriosa em quem a Inglaterra tanto aposta como a arma secreta que colocará o ponto final naquela guerra sangrenta. Leni, Otto e Angelika enfrentam grandes desafios, descobrem segredos importantíssimos e acabam mudando os rumos deste episódio tão marcante para a história.

O anjo de Hitler foi o primeiro livro infanto-juvenil com a temática da Segunda Guerra Mundial que li. Como uma apaixonada por esse período histórico e devoradora de livros de ficção e não ficção sobre aquela época, fiquei super animada quando soube do lançamento do livro de Osborne por aqui.

O anjo de Hitler traz os adolescentes Leni e Otto, que durante a Segunda Guerra acabaram refugiados na Inglaterra por motivos diferentes e por terem forte personalidade são escolhidos para prestar uma missão para o Governo da Inglaterra e que, segundo os foi dito, seria a solução para o fim da Guerra. Ambos, também por motivos próprios, aceitam a proposta e começam um intenso treinamento com a finalidade de mandá-los para a Alemanha, onde se passariam por irmãos, sequestrariam uma menina e a entregariam para o governo britânico. Quando a aventura começa, Leni e Otto vão se conhecendo cada vez mais, e após terem sucesso na busca por Angelika, começam a dura volta para a casa sem serem pegos pela SS e é ai que a aventura toda começa, quando os três jovens são perseguidos pelo mais terrível comandante do exercito de Hitler.

Sendo um amante da história da Segunda Guerra, o autor do livro não deixou nem um pouco a desejar nos detalhes de pano de fundo dessa história de aventura, misturando por diversas vezes eventos e pessoas reais com ficção. Ele conseguiu passar muito bem a sensação de “coração de ferro” de Heydrich, o vilão do livro – e também um dos personagens reais que utilizou na história.

Os personagens principais, Otto, Leni e Angelika, também foram muito bem construídos, com personalidades bem distintas, mas como todo livro infanto-juvenil, com algumas atitudes difíceis de engolir. Angelika passou metade de sua vida presa em um convento, e aceitou tudo muito facilmente quando Leni e Otto apareceram em sua vida. Já os dois “irmãos” ficam extremamente amigos ao longo das páginas, só que eventualmente o autor tenta forçar um romance em alguns capítulos que claramente não existia.

Apesar de a história ter muitos pontos fortes em sua narrativa – o autor conseguiu muito bem dividir os capítulos entre pontos de vista de diferentes personagens -, teve também diversas pontas soltas que não foram resolvidas, simplesmente foram jogadas lá no meio da história e não foram mencionadas de novo. Além disso, o livro apresenta uma cronologia meio confusa, com os personagens sempre mencionando a inda e vinda dos dias e das noites, e no final o autor frisa que se passaram apenas 48 horas. Quer dizer, eles passaram horas viajando, atravessando cidades, fugindo do exército alemão, escapando de poucas e boas que os atrasaram e ainda sim se passaram somente 48 horas?!

O final do livro, aliás, foi bem surpreendente, mas ainda sim não muito satisfatório. Senti que o autor decidiu dar aquele final para acabar com aquela coisa de heróis juvenis sempre se dão bem no final de suas aventuras, e acabou ficando um pouco forçado.

No mais, O anjo de Hitler é uma boa pedida para jovens que tem certa curiosidade de ler uma aventura de crianças com o pano de fundo de algum fato histórico importante. Ele com certeza é um bom inicio para começarem a conhecer um pouco do que foi feito por Hitler e despertar aquela curiosidade de conhecer uma das épocas mais terríveis de nossa história.

Agora, se você está curioso pelo livro apenas por seu título e pano de fundo, não recomendo que, caso deseje ler, espere algo além de mais uma aventura juvenil para passar o tempo.

Sobre Cine

Jornalista que trabalha com inglês e viciada em seriados e livros, passa as madrugadas acordada tentando colocar em dia suas mais de 40 séries favoritas, e o resto do dia dando aulas, jogando uno e truco. Faz fansites desde os 12 anos e não consegue largar mão de toda e qualquer rede social.

2 comentários

  1. Eu li esse livro mês passado, e uma das coisas que mais gostei nele foram exatamente dos detalhes do pano de fundo da história, acho que o autor consegui fazer isso muito bem. Concordo também com a parte das pontos que ficaram soltos na história, eu queria saber um pouquinho mais sobre as famílias de Otto e Leni e também tive a impressão que se passaram muito mais do que 48 horas na narrativa. E sobre o final do livro, me surpreendeu, mas confesso que fiquei um pouco frustada.

    Parabéns pela resenha!

  2. Valeu Renata. Realmente, ele mal mencionou o que aconteceu com a Leni e tal, focaram mais no Otto (até entendo) e tal e em resumo, achei que ele quis fazer um livro pequeno e tal e acabou deixando mta coisa fora da história, porque uns detalhes bem bacanas e tal e algumas coisas mais interessantes dariam facil mais umas 200 páginas de história legal.

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