segunda-feira, 24/07/2017
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Resenha: “O anjo de Hitler”, de William Osborne

Livro: O anjo de Hitler
Autor (a): William Osborne
Páginas: 272
Editora: Seguinte
Resenha por: Cine
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Leni tem catorze anos, é austríaca, judia e muito corajosa. Refugiada na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, certo dia é convocada pelo almirante MacPherson para a missão mais perigosa de sua vida… Otto é alto, bem magro, tem olhos castanhos e vive na Inglaterra – sua família foi aprisionada pelos nazistas. Ele adora se meter em confusão e é por isso que, quando o almirante sugere que ele ajude o governo inglês numa missão ultrassecreta, ele aceita na hora. Otto e Leni são enviados à Alemanha para resgatar uma garotinha chamada Angelika. Pouco se sabe sobre essa pequena órfã misteriosa em quem a Inglaterra tanto aposta como a arma secreta que colocará o ponto final naquela guerra sangrenta. Leni, Otto e Angelika enfrentam grandes desafios, descobrem segredos importantíssimos e acabam mudando os rumos deste episódio tão marcante para a história.

O anjo de Hitler foi o primeiro livro infanto-juvenil com a temática da Segunda Guerra Mundial que li. Como uma apaixonada por esse período histórico e devoradora de livros de ficção e não ficção sobre aquela época, fiquei super animada quando soube do lançamento do livro de Osborne por aqui.

O anjo de Hitler traz os adolescentes Leni e Otto, que durante a Segunda Guerra acabaram refugiados na Inglaterra por motivos diferentes e por terem forte personalidade são escolhidos para prestar uma missão para o Governo da Inglaterra e que, segundo os foi dito, seria a solução para o fim da Guerra. Ambos, também por motivos próprios, aceitam a proposta e começam um intenso treinamento com a finalidade de mandá-los para a Alemanha, onde se passariam por irmãos, sequestrariam uma menina e a entregariam para o governo britânico. Quando a aventura começa, Leni e Otto vão se conhecendo cada vez mais, e após terem sucesso na busca por Angelika, começam a dura volta para a casa sem serem pegos pela SS e é ai que a aventura toda começa, quando os três jovens são perseguidos pelo mais terrível comandante do exercito de Hitler.

Sendo um amante da história da Segunda Guerra, o autor do livro não deixou nem um pouco a desejar nos detalhes de pano de fundo dessa história de aventura, misturando por diversas vezes eventos e pessoas reais com ficção. Ele conseguiu passar muito bem a sensação de “coração de ferro” de Heydrich, o vilão do livro – e também um dos personagens reais que utilizou na história.

Os personagens principais, Otto, Leni e Angelika, também foram muito bem construídos, com personalidades bem distintas, mas como todo livro infanto-juvenil, com algumas atitudes difíceis de engolir. Angelika passou metade de sua vida presa em um convento, e aceitou tudo muito facilmente quando Leni e Otto apareceram em sua vida. Já os dois “irmãos” ficam extremamente amigos ao longo das páginas, só que eventualmente o autor tenta forçar um romance em alguns capítulos que claramente não existia.

Apesar de a história ter muitos pontos fortes em sua narrativa – o autor conseguiu muito bem dividir os capítulos entre pontos de vista de diferentes personagens -, teve também diversas pontas soltas que não foram resolvidas, simplesmente foram jogadas lá no meio da história e não foram mencionadas de novo. Além disso, o livro apresenta uma cronologia meio confusa, com os personagens sempre mencionando a inda e vinda dos dias e das noites, e no final o autor frisa que se passaram apenas 48 horas. Quer dizer, eles passaram horas viajando, atravessando cidades, fugindo do exército alemão, escapando de poucas e boas que os atrasaram e ainda sim se passaram somente 48 horas?!

O final do livro, aliás, foi bem surpreendente, mas ainda sim não muito satisfatório. Senti que o autor decidiu dar aquele final para acabar com aquela coisa de heróis juvenis sempre se dão bem no final de suas aventuras, e acabou ficando um pouco forçado.

No mais, O anjo de Hitler é uma boa pedida para jovens que tem certa curiosidade de ler uma aventura de crianças com o pano de fundo de algum fato histórico importante. Ele com certeza é um bom inicio para começarem a conhecer um pouco do que foi feito por Hitler e despertar aquela curiosidade de conhecer uma das épocas mais terríveis de nossa história.

Agora, se você está curioso pelo livro apenas por seu título e pano de fundo, não recomendo que, caso deseje ler, espere algo além de mais uma aventura juvenil para passar o tempo.

Sobre Cine

Jornalista e professora de inglês, vivendo o sonho de morar em Nova York e ainda tentando descobrir se seria possivel viver dentro de uma da Barnes and Nobles. Viciada em cultura, passa os dias tentando decidir que livros ler enquanto tenta se encontrar na vida.

2 comentários

  1. Eu li esse livro mês passado, e uma das coisas que mais gostei nele foram exatamente dos detalhes do pano de fundo da história, acho que o autor consegui fazer isso muito bem. Concordo também com a parte das pontos que ficaram soltos na história, eu queria saber um pouquinho mais sobre as famílias de Otto e Leni e também tive a impressão que se passaram muito mais do que 48 horas na narrativa. E sobre o final do livro, me surpreendeu, mas confesso que fiquei um pouco frustada.

    Parabéns pela resenha!

  2. Valeu Renata. Realmente, ele mal mencionou o que aconteceu com a Leni e tal, focaram mais no Otto (até entendo) e tal e em resumo, achei que ele quis fazer um livro pequeno e tal e acabou deixando mta coisa fora da história, porque uns detalhes bem bacanas e tal e algumas coisas mais interessantes dariam facil mais umas 200 páginas de história legal.

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