quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “Cidades de papel”, de John Green

Livro: Cidades de papel
Autores: John Green
Páginas: 361
Editora: Intrínseca
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva Submarino

Em Cidades de papel, Quentin Jacobsen nutre uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman desde a infância. Naquela época eles brincavam juntos e andavam de bicicleta pelo bairro, mas hoje ela é uma garota linda e popular na escola e ele é só mais um dos nerds de sua turma.

Certa noite, Margo invade a vida de Quentin pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola, esperançoso de que tudo mude depois daquela madrugada e ela decida se aproximar dele. No entanto, ela não aparece naquele dia, nem no outro, nem no seguinte.

Quando descobre que o paradeiro dela é agora um mistério, Quentin logo encontra pistas deixadas por ela e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava que conhecia.

“Fazer as coisas nunca é tão bom quanto imaginá-las.” p.90

É praticamente impossível pra mim ser completamente imparcial ao falar de um livro do John Green. Ao contrário de muita gente, conheci o autor somente quando a Intrínseca lançou A culpa é das estrelas aqui no Brasil, e foi amor à primeira leitura. A cada nova história do autor eu me apaixono mais e mais pela escrita dele. John consegue tratar de tantos assuntos importantes, dúvidas frequentes dos seres humanos sempre de uma forma simples, porém genial.

Em Cidades de papel acompanhamos Quentin, um jovem garoto que está no seu último ano de colégio. Quentin tem dois grandes amigos, Ben e Radar, é extremamente inteligente, aluno exemplar, orgulho dos pais que adora sua rotina e viver dentro da sua zona de conforto. Quando ainda era criança ele e sua vizinha, Margo Roth Spiegelman, eram super amigos, mas agora ela é uma das garotas mais lindas e populares do colégio e, apesar de Quentin ter certeza de que os valentões deixaram ele e seus amigos em paz graças a ela, Margo e Quentin não se falam mais. Até que em uma noite Margo invade o quarto de Quentin pela janela e o convoca a ajudá-la a realizar um plano de vingança em plena madrugada. Quentin, apesar de não gostar nem um pouco de sair da sua zona de conforto, aceita o desafio só para poder passar mais tempo com Margo. Depois de uma madrugada tumultuada, divertida e até mesmo filosófica, cada um vai pra sua casa. Até aí, tudo bem, mas depois disso Margo some do mapa, deixando tudo para trás. Q não se conforma e faz de tudo para achar pistas, qualquer rastro a ser seguido que possa ter sido deixado pelo seu grande amor.

Apesar de serem histórias com enredos muito legais e bem construídos já percebi que o que mais me agrada nos livros do John são os personagens. Pra mim eles acabam sendo mais importantes que o enredo e que o desfecho da história, isso por causa do toque de realidade que eles têm. É muito fácil você se identificar com algum personagem da história pois eles são muito bem trabalhados, humanos e reais. A probabilidade de você já ter passado por algo parecido ou ainda de dividir a opinião sobre alguma coisa – seja ela banal ou não – é grande.

“São tantas pessoas. É tão fácil se esquecer de como o mundo é cheio de pessoas, lotado, e cada uma delas é imaginável e sistematicamente mal interpretada.” p. 296

Outra coisa que eu gostei muito no livro foi o fato dele focar nos relacionamentos do último ano de colégio. Ler isso, pra mim, foi, ao mesmo tempo, nostálgico e divertido. Talvez eu tenha criado uma ligação mais forte ainda com isso pois tenho opiniões muito parecidas com as do Quentin em relação ao sentimento de união que surge no último ano de colégio. As pessoas passam anos e anos brigando e fazendo picuinha, divididos em panelinhas e então, só porque essas pessoas provavelmente nunca mais se verão, ainda mais nos EUA onde as pessoas vão fazer universidade em outros estados, a humildade entra em ação e cria um laço de amizade aparentemente forte onde antes não existia nada.

Vi muita gente reclamando da qualidade da história, que ela não faz o menor sentido e que o autor parece ter “perdido a mão” depois de escrever A culpa é das estrelas. Calma lá minha gente. Com um pouquinho de pesquisa vocês vão descobrir que na verdade A culpa foi o último livro lançado pelo autor, mas a Intrínseca está publicando as obras do autor fora da ordem em que eles foram realmente lançados lá fora, então sim, faz sentido A culpa ser melhor escrito, pois esse foi realmente o último livro a ser escrito pelo autor. E é como eu falei no começo da minha resenha, em Cidades de papel os personagens e suas idealizações e pensamentos são muito mais importantes do que a história e seu desfecho em si. Não leia o livro pensando no que vai acontecer no final, entre na viagem e deixe-se levar.

O livro todo é um enorme exercício de reflexão e aplicação de metáforas, mas não espere um texto chato e quadrado. Passei o livro todo rindo, principalmente nas passagens em que o trio de amigos Quentin, Ben e Radar se juntam. No entanto, ao terminar a história e fechar o livro, uma parte do leitor estará pra sempre transformada – e é exatamente por isso que eu adoro ler os livros do John Green. Agora, depois de ler Cidades de papel, tudo que eu quero é cair na estrada em uma roadtrip com meus melhores amigos. Vamos lá?

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

4 comentários

  1. Obrigada por essa inspiradora resenha, a sua forma de escrever é otima, leio muitos livros e se voce publicasse algum seria uma das primeiras a sair correndo de casa e ir comprar um.

  2. Agora com certeza, irei ler esse livro.

  3. Muito obrigada pela resenha, tinha duvidas se compraria esse livro ou não. Dúvida tirada!

  4. Gostei bastante da história, Bru! Eu não tinha ideia sobre o enredo e pareceu muito interessante – principalmente por se tratar de um término de ciclo como o ensino médio. Vai pra minha booklist sim! ♥

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