sábado, 29/04/2017
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Resenha: “Carrie, a estranha”, de Stephen King

Livro: Carrie, A Estranha
Autor: Stephen King
Páginas: 291
Editora: Suma de Letras
Resenha por: Gui Ferreira
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Carrie, a Estranha narra a atormentada adolescência de uma jovem problemática, perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar a vida como as garotas de sua idade. Só que Carrie guarda um segredo: quando ela está por perto, objetos voam, portas são trancadas ao sabor do nada, velas se apagam e voltam a iluminar, misteriosamente.

Aos 16 anos, desajustada socialmente, Carrie prepara sua vingança contra todos os que a prejudicaram. A vendeta vem à tona de forma tão furiosa e amedrontadora que até hoje permanece como exemplo de uma das mais chocantes e inovadoras narrativas de terror de todos os tempos.

Nem mesmo Stephen King, o grande mestre da literatura de terror – e considerado por muitos (inclusive por mim) o maior escritor da atualidade – só teve felicidade na vida. Antes de ser conhecido no mundo inteiro, o cara era apenas um professor de inglês, que trabalhava numa lavanderia à noite, ensinava de dia e tirava um dinheirinho com alguns contos esporádicos que escrevia para algumas revistas americanas.

Seu primeiro livro publicado foi “Carrie – A Estranha”. King quase (Deus abençoe essa palavra) desistiu de levar à frente o projeto. Ele chegou a jogar no lixo os rascunhos da história. Quem os encontrou foi sua mulher, Tabatha King, que teve o bom senso de fazer o marido voltar a escrever. Segundo ela, “a história tinha potencial”.

Aposto que nenhum dos dois imaginou o tamanho desse “potencial”. Carrie foi um sucesso estrondoso. Algum tempo depois de seu lançamento, o livro virou filme, e o filme virou clássico. Carrie, a estranha garota telecinética que sofria bullying na escola, foi mais do que um marco na cultura pop e nas histórias e filmes de terror: foi o pontapé que alavancou King. Todas as outras maravilhosas obras escritas pelo autor tiveram seu inicio com esse livro.

Em “Carrie”, King está em sua melhor forma. O livro é um thriller psicológico que prende o leitor desde a primeira página. Com a sacada de escrevê-lo em forma de “entrevista”, King acertou em cheio: os acontecimentos causados pelos poderes sobrenaturais de uma menina assustada, cheia de raiva e que não tem a menor ideia da amplitude deles são narrados por vários pontos de vista diferente. O que, além de deixar o livro bem mais dinâmico, sai totalmente do clichê.

O que é mais legal é que você se sente na pele de cada personagem diferente. King é conhecido por sua ótima técnica de desenvolvimento de personagens e, em Carrie, o trabalho é primoroso. Várias vezes você vai se pegar pensando “Se eu fosse essa garota, se eu tivesse os poderes que ela tem, teria matado todo mundo”. Porque é assim: Carrie acaba fazendo parte da gente.

É o tipo de livro que você lê um trecho, volta, e relê: não porque não entendeu, mas porque a cena descrita – seja de morte, calmaria ou terror psicológico – é tão legal e bem escrita que não dá vontade de seguir em frente até absorver cada sílaba.

Enfim: uma obra perfeita de King e de terror.

P.S: Um remake de “Carrie: A Estranha” está marcado para estrear no dia 6 de dezembro. Carrie será vivida pela (ótima) Chloe Moretz, uma das melhores jovens atrizes da atualidade (assista o excelente “Deixe-me Entrar”, de 2011, e entenda o motivo da garota se encaixar perfeitamente num filme de terror).

Sobre Guilherme

Nasceu no Condado de Roseira e foi se perder na cidade grande de São Paulo, onde cursa o terceiro ano de Publicidade e Propaganda na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero. Viciado em séries, música e livros, prefere passar uma noite de sábado lendo "Sob a Redoma" do que sair para balada. Escreveu um livro que - se tudo sair como deve - será publicado ainda esse ano, talvez em agosto. Vai que dá certo e ele vira um escritor famoso, né.

3 comentários

  1. Ainda não li Carrie, mas sou fã da história graças à primeira adaptação (aquela com a perfeita Sissi Spacek). Com certeza ainda pretendo ler o livro, afinal King é King, e boto fé nesse remake. Realmente Chloë Moretz é ótima e é uma atriz bem versátil.

  2. Acho um absurdo tremendo eu ainda não ter lido esse livro. Como assim? Mas, cadê o dinheiro? Cadê o tempo? Várias pessoas já haviam me recomendado esse livro e depois dessa resenha então. Chegue logo férias hihi

  3. Sem dúvidas, você acertou com essa afirmação: “Em “Carrie”, King está em sua melhor forma”.

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