sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Filhos do jacarandá”, de Sahar Delijani

Livro: Filhos do Jacarandá
Autora: Sahar Delijani
Editora: Globo Livros
Páginas: 232
Resenha por: Monique
Comprar: Saraiva Cultura

Em 1983, uma menina chamada Neda nasce dentro de uma prisão em Teerã, capital do Irã. Sua mãe é uma prisioneira política que só consegue cuidar da filha recém-nascida por alguns meses antes que ela seja levada, à força, para longe de seu convívio. Neda é uma personagem fictícia de Filhos do jacarandá, primeiro romance escrito por Sahar Delijani, mas sua história se mescla com a da própria autora, que passou seus primeiros 45 dias de vida na penitenciária de Evin, na capital iraniana.

Filhos do jacarandá conta a história de três gerações de homens e mulheres inspirados pelo amor e pelo idealismo, que perseguem sonhos de justiça e liberdade. É um tributo às crianças da revolução, segundo a autora. “Muitas pessoas acabaram sendo aprisionadas pelo novo regime, e os filhos do título são os filhos delas – crianças que nasceram no período pós-revolução e foram educadas por seus avós, tios e tias, já que seus pais estavam na cadeia”. É um livro que trata de repressão política, mas que também revela como fortes laços familiares não são desfeitos nem nas piores circunstâncias.

“Ambientado no Irã pós-revolução, o emocionante romance de Delijani é uma poderosa denúncia da Tirania…” Essa foi a frase que me chamou atenção, já que vi antes da imensa sinopse. A capa do livro é uma graça, as folhas da árvore são holográficas, o que de certa forma mostra a importância do Jacarandá para a estória.

A narrativa é muito bem construída, a autora soube achar uma maneira de ir e vir no tempo que não nos confunde durante a leitura. Os personagens passam longe de serem rasos, até os que pouco aparecem são de fundamental importância para a estória e para o nosso conhecimento do que o povo iraniano passou.

O livro começa em uma prisão em Teerã e conta a história de Azari e sua filha Neda que nasceu em meio a prisão da mãe. Logo após Neda ser tirada dos braços da mãe a narrativa pula para outra família e então outra família e depois mais outra. Num primeiro momento você fica confusa e chega a pensar que não vai ouvir falar de Neda e Azari, então vem a agradável surpresa que todas as famílias estão ligadas, mesmo que por laços criados durante a prisão.

Os personagens são muitos para comentar de todos, mas é muito importante que o leitor preste atenção pois o final do livro é surpreendente. Confesso que a história de Maryam, Sheida, Amir e a pulseira de tâmaras me fez chorar. Muito. Mas também quero colocar o Jacarandá como personagem se me permitirem.

A árvore aparece em várias estórias e em momentos diferentes, te trazendo diversas sensações e até te faz sentir o cheiro sem nem mesmo saber como realmente é. Mas o mais importante é o que o Jacarandá representa, ele é a família como um todo em suas ramificações e ele é a personificação da felicidade da mais pura que se pode pensar.

No mínimo dou um dez para o livro e a recomendação de que todos deveriam ler para entender um pouco mais pelo que essas pessoas passaram e como podemos mudar o mundo em que todos nós vivemos.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está “na moda”, adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

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